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sexta-feira, 15 de abril de 2016

O Sr. André e a Livraria Avelar Machado

Logo que vi no último Ípsilon o belíssimo artigo de Alexandra Lucas Coelho sobre o encerramento da Livraria Alfarrabista Avelar Machado, quis lembrar o Sr. André, já referido anteriormente neste blogue.
Cheguei a comprar alguns livros ao Sr. Orlando Figueiredo e à filha Elisa, em presença e pela internet.
O que mais me tocou no artigo de Alexandra Lucas Coelho (veio aumentar o que conheço do Sr. André), já digo, primeiro quero dizer que o Sr. André deu a mão ao Sr. Orlando Figueiredo, numa ocasião difícil para este. André tinha regressado da sua experiência brasileira, que deve ter sido rica humanamente, e propôs uma parceria ao antigo colega. Tomaram conta* da Avelar Machado. Estando tudo já a funcionar, André sai para fundar a Lácio, no Campo Grande.

***
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      * Vejo, agora, que o nome do Sr. André ficou gravado na designação oficial da empresa: LIVRARIA AVELAR MACHADO Alfarrabista desde 1876 De Orlando Figueiredo & André, Lda [Da internet]

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Uma poesia do Sr. André

      Foi-me verdadeiramente oferecida, num comentário a mensagem publicada em 22 de Dezembro. Não é para me louvar nele, comentário/poesia, mas  é aqui o seu lugar. É a primeira poesia que conheço do Sr. André e espero conhecer mais.

Herberto He(lde)rético

Reuniram.
Deliberaram.
Premiaram.
Porém, o poeta não desceu à honraria.
Permanece no seu plano.
Sem desdenhar.
Sério.
Contido.
Indiferente ao elogio.
Assim, não legará o discurso do recompensado
Nem o sorriso convencional
Mascarará sua face
No ritual do “beija-mão” do datável acto.

Tornou-se maldito
porque rejeitou o que não devia ser rejeitado.
Não se sujeitou ao que devia ser agradecido
- porque nada tem que agradecer.
Não recebeu o dinheiro-premial
Porque se recusou a ser consumido.
Continuará como d’antes:
Olhando o mundo,
Construindo imagens,
Esculpindo sons,
Deambulando pelos penumbrosos corredores das palavras
No caminho da luz vislumbrada
Que leva ao cume da montanha.
Que a tua heresia, poeta, não forje seguidores
Que “júris” e ganhadores desculpe.
Que sejas amaldiçoado pelo exemplo que deste;
Pelo acto simples de te afirmares apenas tu.

André da Livraria Lácio
(enviado por Sr. João: http://srjoao.blogspot.pt/)
Obrigado ao Sr. André e obrigado ao Sr. João.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O Sr. André

Campo Grande
À direita, a Livraria Lácio. As fotos foram tiradas em 18-06-2008







Há coisa de uma semana, entrei numa livraria sazonal, livraria de feira, na Avenida 5 de Outubro, o prédio que faz gaveto com a Rua Princesa Maria Francisca Benedita. Conversei com o livreiro, que esteve mais de vinte anos na Bertrand, incluindo a loja da Rua Prof. João Soares. Veio à conversa o Sr. André, da Lácio, e fico a saber que o Sr. André (António Marques André) faleceu e a livraria fechou as portas.
Deixa saudades. Gostava de falar com ele. Já há bastante tempo, ouvi-o falar de Manuel Brito, dos começos da sua actividade na livraria Escolar Editora, ali ao Príncipe Real, da criação da Galeria 111. Manuel Brito era o proprietário do espaço da Lácio (antes, 111, do n.º da porta de entrada). O Sr. André pagava renda. Falou também da sua experiência brasileira, na mesma actividade. Vejo que publicou nessa altura um pequeno livro de poesia, Entrevero.
Das palavras que lhe ouvi e de livros, quero só lembrar algo da guerra civil de Espanha. Falou-se do jornalista Mário Neves, cuja primeira grande reportagem deu a conhecer os massacres de Badajoz, pelas forças nacionalistas, e do livro O Zero e o Infinito, de Arthur Koestler. Tenho uma edição dos Livros de Bolso Europa-América, incluída no meu «Plano de Leitura» há quarenta anos. O Sr. André conhecia bem o livro, a figura de Mário Neves e os acontecimentos da época. Eu aprendia.
Satisfazendo um gosto antigo, vou ler O Zero e o Infinito, tendo no pensamento uma pessoa que me era simpática, e lembrando, homenageando quem tão bem exerceu a sua profissão, ultimamente avara e amarga.
[O Sr. André só veio a falecer no dia 18 de Janeiro de 2015. A cremação foi no cemitério do Alto de São João, cerca das 09:30 de 20-01-2015. Fui avisado pelo sobrinho Ricardo André, no dia 19 de Janeiro de 2015, que soube de mim, a partir da leitura que fez desta mensagem.] [Nota acrescentada em 15-04-2015.]
       Neste blogue, em Maio de 2013:
  Livrarias condenadas? Nós, condenados
      Ontem, passei com um amigo um pouco meteoricamente, por uma livraria de grandes tradições, no Campo Grande. Para mim, belíssima e grande.  Encontrei desolação no senhor livreiro, um perfeito senhor no seu ofício, ainda a lutar, na sua já avançada idade. Em reunião de uma associação de livreiros, um senhor duma dessas grandes cadeias-aglomerados de editoras diz claramente: as «pequenas» livrarias são para acabar. E o senhor da livraria de que começámos por falar queixou-se da renda que tem de pagar pelo espaço.
      Já me tinha chegado notícia de livrarias a fechar ali para o Largo da Misericórdia. Hoje, vejo neste artigo da revista Ípsilon que o mal já começou a alastrar, apesar de uma ou outra andorinha que não faz a Primavera, como a nova livraria na igreja de Óbidos.
      Isto está mal; esta liberdade de matar as livrarias deve ser regulada. Como pode o preço do arrendamento aumentar, por exemplo, seis vezes, a pretexto de remodelação profunda de um espaço que dela não precisa? É caso para dizer que o Estado não está a regular bem ou dito de maneira mais fácil de entender: o Estado não regula bem.
      Que cidades são estas?
*
http://portugaldospequeninos.blogs.sapo.pt/tag/livros (9-12-2014, Céus Desabitados,  por João Gonçalves)
http://portugaldospequeninos.blogs.sapo.pt/718690.html (28-5-2010, por João Gonçalves)
http://livrariapodoslivros.blogspot.pt/2009/02/livreiro-especie-em-vias-de-extincao.html (19-2-2009, ver comentário de Anónimo e Cassandra)
http://somatos.blogspot.pt/2012/03/e-verdade-que-trabalho-numa-grande-loja_28.html (28Mar2012) Abre com uma sobreposição de frase e imagem, multiplicadas em toda a página. Pode ler mais comodamente a mensagem na hiperligação seguinte.
http://encontrolivreiro.blogspot.pt/2012_03_01_archive.html (30-3-2012; é reproduzido o texto publicado dois dias antes, em somatos.blogspot. A referência ao Sr. André vem no penúltimo parágrafo. Cassandra e Sandra são a livreira Sandra Oliveira.

* 

http://aterraeagente.blogspot.com/2013/05/livrarias-condenadas-nos-condenados.html (Notar a referência a livro de André Schiffrin, no artigo da Ípsilon, secção «O negócio»)
http://www.thenation.com/article/171508/how-mergermania-destroying-book-publishing  (Artigo de André Schiffrin)