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segunda-feira, 17 de junho de 2013

 
A Procissão, de António Lopes Ribeiro
          Ontem, a propósito da festa do Sarge, lembrei A Procissão, belíssimos versos ditos pelo saudoso João Villaret. Aqui ficam as palavras em versão mais segura, do livro
 
IN MEMORIAM
 DE
JOÃO
VILLARET
         Esta peça literária é de António Lopes Ribeiro, que se distinguiu como cineasta e autor do programa Museu do Cinema, apresentando e comentando perante as câmaras da RTP filmes clássicos do tempo do cinema mudo, acompanhado ao piano pelo maestro António Melo, que, só no fim das sessões articulava duas palavras, dizendo invariavelmente «Boa noite!» aos senhores telespectadores. Era irmão do grande actor Francisco Ribeiro, o Ribeirinho, muito conhecido do povo português, também pelas interpretações em filmes dos anos trinta.
 
 
 

Clicando no segundo dos endereços, abaixo, vemos Villaret dizendo A Procissão, na RTP, anos 50. 

domingo, 16 de junho de 2013

Sarge
É dia de festa na aldeia
     Dois dias fora tiraram-me um bocado da realidade, e talvez não tenham sido afixados os cartazes do costume. Convidado pelo som de uma banda de música, que se ouvia distintamente, saí de casa com receio de não chegar a tempo. Como todos os diabos têm sorte, como sói dizer-se, desta vez também tive. Ainda pude assistir a parte do concerto, a várias peças características do repertório destas bandas, de que gosto sempre um pouco mais. Os músicos são trinta e seis, se não contei mal, com garantias de renovação, pois até crianças vi, entre os executantes. Terminado o espectáculo, havia mesa posta para quem quisesse servir-se e confraternizar.
     Banda da Sociedade Filarmónica Incrível Aldeia Grandense, é o nome da banda que nos ofereceu o seu saber e alegria.
        Este encontro comunitário no adro da capela seguiu-se à procissão, que tive pena de perder.
*
        Vale a pena visitar o sítio da sociedade filarmónica.
*
 
       Lembro «Procissão -- festa na aldeia», poesia de uma grande simplicidade e beleza.


Procissão

Letra: António Lopes Ribeiro
Intérprete: João Villaret
Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.


Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.


Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.


Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.


Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!


Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!


Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.


Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!


Com o calor, o Prior vai aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!


Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.
Clique no endereço, abaixo, para ouvir o dizer cantado de João Villaret. João Villaret torna os versos muito melhores. Para quem o ouviu, a «Procissão» passa a ser dele e de António Lopes Ribeiro; a letra, a toada e, até, o discreto acompanhamento musical formam um todo indivisível.
 http://www.youtube.com/watch?v=YsDJBCLWvdo