quinta-feira, 10 de setembro de 2015

EXPOSIÇÃO Torres Vedras no caminho de Ceuta. 600 anos

E jazemdo assy aquelles, começauam de comsijrar qual seria a sua fym no outro dia. ca posto que hy ouuesse mujtos ardidos e fortes, assy estauam outros de pequenos coraçoões. ca na gramde multidom necessário he que aja de todo metal, os quaaes toda aquella noute nom podiam dormir senam a bocados, e batiam em seu peito tam desuayrados pemssamentos, que os nom queriam leixar liures a huũ soo cuydado.
         (Gomes Eanes de Zurara, na Crónica da Tomada de Ceuta, edição da Academia das Ciências de Lisboa, publicada por F. M. Esteves Pereira, 1915, cap. LXVII.)




Pour bien
Pour bien. Foi «por bem». Esta divisa dá uma nota humana ao homem que foi rei, João, o filho de Teresa Lourenço e d'el-Rei D. Pedro. Diz a lenda que, encontrando-o um dia D. Filipa a dar um beijo a uma dama da corte numa sala do palácio de Sintra, ele lhe disse, logo, que foi «por bem»!... Ouvi dizer a uma guia no local, mas o melhor é ler e ver, aqui, bem contado. A história tem mais sal, por vir de um casal exemplar.
No emblema de D. João I, encontramos: um vegetal, o pilriteiro, a divisa pour bien, as cores azul e vermelho. Em francês, tal como as divisas ou empresas dos seus filhos Pedro, Henrique, João e Fernando, que se pode observar nos túmulos das Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, e a do filho mais velho e sucessor no trono, D. Duarte, no portal de entrada das mesmas capelas.
«Por bem» ou «para o bem», foi o signo do longo reinado de D. João I, «de Boa Memória». A divisa é importante, como propaganda de uma ideia de justiça, de organização e hierarquização social, em prol do comum.  As divisas dos filhos formam um conjunto coerente com o tronco de que procedem. Podemos começar por lê-las, a partir da da rainha, D. Filipa, que com a do marido tem a curiosidade de se ler como uma só, comunicando a ideia de unidade no casal real. Il me plaît — diz ela. Ele: «Pour bien». Imaginemos o casal, a dizer: Il me plait pour bien. Agrada-me, para bem.
D. Pedro: Desir; D. Henrique: Talant de bien faire; D. João: J'ai bien raison; D. Fernando: Le bien me plaît.
Intermezzo
Há um ano*, celebrou-se em Torres Vedras o 600.º aniversário do Conselho Régio, aqui realizado, sob a presidência de D. João I (23/24 de Junho de ou 23/24 de Julho de 1414)**.
Vasco Gil Mantas, saber, voz, envergadura física. Grande orador, sem se lhe notar verniz oratório. No debate que se seguiu à comunicação, traduziu em algum coloquialismo, iluminou aspectos. Vêm no texto menos apercebidos. Os filhos de D. João I, por exemplo, queriam chamar o Condestável à sua presença. E D. João, nas palavras que Vasco Gil Mantas lhe emprestou: «Nem pensem nisso!...Vocês não têm categoria para chamar o Condestável!»  
Somos empolgados e transportados pelos ares até à zona do estreito de Gibraltar e aos céus de Ceuta, para assistir ao que se passa na época, como se estivéssemos a apreciar  os acontecimentos do Iraque, Síria, Estado Islâmico, a dívida grega (e a nossa), as grandes migrações ou invasões de gente a fugir da guerra, na travessia do Mediterrâneo. Aquelas pessoas, que tiveram papéis de relevo, vemo-las a pensar e agir,  compreendemos o complexo das relações com o mundo que as rodeava e de que estavam bem cientes. Compreendemos - parece que o estamos a viver - o quotidiano, nosso e dos outros. Foi-nos explicado o contexto em que actuou o primeiro governador de Ceuta, D. Pedro de Meneses, ao longo de vinte e dois anos. Estar em Ceuta era estar também, como nós estivemos a vê-lo, levados pela palavra de Vasco Gil Mantas, com os olhos, se não do corpo, do entendimento, atentos sobre o Mar de Alborão, o estreito e o Golfo de Cádis. Vida quotidiana e geoestratégia, menos unilateral ou menos simplista do que aprendemos geralmente nas vulgatas de livros, numa vida de papel; estivemos a ouvi-lo, como coisa de vida vivida. 
Manuela Catarino, apresentou uma bela evocação da vila de Torres Vedras, fazendo-nos ir em passeio, acompanhando o percurso com os visitantes - os principais e os outros - pelas ruas da vila. Na terceira parte deste texto, somos informados de (depois de se pensar que o rei organizava uma frota para atacar o duque de Holanda) alguns preparativos pelo reino, quando se soube da falsa notícia. «Na vila de Torres Vedras a azáfama não seria tão grande quanto a de cidades como Lisboa ou Porto mas terá certamente ocupado os pensamentos e acções dos torrienses. Em particular do seu alcaide-mor Álvaro Leitão e dos homens que este determinou que o deveriam acompanhar ao chamamento do rei.» 
Momentos do texto de Manuela Catarino:
1. Vésperas do Conselho régio
2. Deambulando pela vila...
3. No caminho para Ceuta
Entretanto, li a Crónica..., eu que sou um grande amador delas, tendo-lhes dado, no entanto, pouca assistência. Deixo quatro impressões e uma curiosidade a que cheguei, a partir da observação do Plano da Cidade e Fortificações de Ceuta em África (Plan of the Town and Fortifications of Ceuta in Africa), patente na exposição.
1 - Zurara como escritor
2 - Quando tudo se decide e pode haver resultados funestos
3 - Os homens são iguais, mas não são todos iguais.
4 - O papel do Infante D. Henrique
1 - Como escritor, Zurara foi uma surpresa agradável, apesar de já ter lido há muito a Crónica de Guiné (na edição de José de Bragança, Janeiro de 1973). Pode parecer pouco brilhante e atido um tanto prosaicamente ao que observa, o certo é que a aparente ingenuidade com que nos possa dar o viver, os actos, a simplicidade, as coisas sem filtro, me aparece como uma vantagem. Há ali verdade. Terá sido «prejudicado» pela sombra de Fernão Lopes, que soube dar forma literariamente à matéria viva que lhe passou pelas mãos e encanta os que conhecem as suas crónicas, sobretudo a de D. João I. Terá tido, ainda, a prevenção suscitada pelo registo religioso, apontando para o de cruzada, e pelo facto da ligação a D. Henrique, de que poderá ter empolado a acção. Este futuro condicional é só fruto da minha percepção, pouco fundamentada.
2 - Neste ponto, dá-se uma ideia das dificuldades e de como tudo esteve em causa.
Como a frota por azo da tormenta tornou outra vez às Aljaziras, e como ao dobrar o cabo de Almina as galés foram em grande perigo. - Capítulo LIX.
 El-Rei quisera ter logo ali seu conselho, porque toda a outra frota levara a corrente, como já dissemos; mandou outra vez el-Rei ao Infante Dom Henrique que fosse com as galés pelas naus, como antes fizera. [...] E o Infante seguiu sua viagem, e trouxe as naus como lhe fora mandado. -  Do Capítulo LX.
 Como el-lRei teve seu conselho se tornaria outra vez sobre a cidade de Ceuta, e das razões que se no dito conselho passaram. - Capítulo LXII.
 Sobre a qual proposição forom razoadas muitas cousas, e finalmente foi o conselho partido em três partes, a saber, uns disseram que era bem todavia tornar a Ceuta; outros disseram que filhassem Gibraltar; outros que se tornassem para Portugal. - Do capítulo LXII.
 E finalmente nossa tenção é, que vos torneis para Portugal, visto como não podeis nem deveis mais fazer. - Do capítulo LXIII.
 E isto até aqui disseram aqueles derradeiros; mas el-Rei não quis nenhuma cousa responder, antes disse que a determinação daquilo deixava para depois. E mandou logo fazer prestes toda a frota, que se fosse lançar à ponta do Carneiro, a qual cousa foi feita mui ledamente, porque todos imaginavam que i não avia já outra cousa senão tornar para Portugal, tendo pequeno cuidado de quanto trabalho e despesa sobre aquele feito era levado, e como todo juntamente se perderia ao ponto de uma só hora. - Do capítulo LXIII. [Já na ponta do Carneiro, o rei responde, sentado no chão, «e eles todos darredor dele». O rei abrevia e conclui.]  
Porem+ abreviando as circustâncias dos contrários, que se acerca disso poderiam acarretar, declaro que minha vontade é o dia de hoje a Deus prazendo ser sobre a cidade de Ceuta; e de manhã filhar+ terra, e daí em diante prosseguir minha intenção, até que a Deus traga àquele fim que sua mercê for. - Do capítulo LXIII.
[+Porem – por isso, por este motivo; filhar – tomar.]

Como el-Rei ainda teve conselho acerca do filhar da terra onde seria, e das razões que disse ao Infante Dom Henrique. Capítulo LXIV.
D. João I quer pôr o seu arraial em Almina, o que era contra a opinião de todos, que «lhe disseram que seu cerco não prestaria nenhuma cousa, se ele não empachasse+ aquela parte do sertão». 
+ embaraçasse.

3 - Em grandes multidões, há homens de todo o metal; aqui, considera-se os de pequenos corações e os corajosos e fortes.
Como os da frota traziam por essa mesma guisa+ lume por seus navios, e das tenções que entre si tinham. - Capitulo LXVII.
+ maneira
[A noite é má conselheira?]
E estando aqueles assim deitados, começavam a considerar qual seria o seu fim no outro dia; pois, posto que aí houvesse muitos corajosos e fortes, também estavam outros de pequenos corações; que na grande multidão necessário é que haja de todo metal, os quais toda aquela noite não podiam dormir senão a bocados, e batiam em seu peito tão desvairados pensamentos, que os não queriam deixar livres a um só cuidado. Leia todo o capítulo sobre a noite antes da conquista de Ceuta.

4 - O papel do Infante D. Henrique é saliente. Quer ser o primeiro, quem tem as coisas bem preparadas, assim no Porto, como em Lisboa+. A sua acção dentro de Ceuta.   
+ [D. João dá, agora, a D. Henrique a resposta ao pedido feito por este, ainda em Lisboa] «[...]e porque agora é tempo de vos responder ao que me requerestes, que vos outorgasse que fôsseis em companhia daqueles que primeiramente filhassem terra, porem a mim não praz que vós em isso vades como companheiro, mas como principal capitão». - Do capítulo LXIV.]     
Como a frota partiu para ir sobre a cidade de Ceuta, e das razões que os escudeiros do Infante Dom Henrique houveram com ele. - Capítulo LXV.
 Como o Infante D. Henrique tornou à sua direita e das cousas que ali fez. - Capítulo LXXVIII.
Como o Infante pelejou ali mui grande pedaço e como Fernão Chamorro foi derribado. - Capítulo LXXIX.
Como o Infante ali esteve duas horas entre aqueles muros e das razões que o autor põe acerca de sua fortaleza. Capítulo LXXX.
Como todos pensavam que o Infante era morto, e como nenhum não ousava de passar àquela porta com temor dos mouros, que estavam sobre os muros. - Capítulo LXXXI. Todo o capítulo, em O Infante D. Henrique luta em Ceuta.
***
A curiosidade a que cheguei, a partir da observação do Plano da Cidade e Fortificações de Ceuta em África (Plan of the Town and Fortifications of Ceuta in Africa), patente na exposição. Alguém foi imortalizado numa enseada de Ceuta. Quem foi o  O Desnarigado?
****
Não podendo explorar todo o manancial da exposição, detive-me com especial gosto nas imagens dos artesãos e afins presentes nas secções «as gentes» e «uma vila marcadamente rural.» Encontra aqui o resultado de uma pequena investigação: Die Hausbücher der Nürnberger Zwölfbrüderstiftungen e outras fontes para o conhecimento da vida em tempos idos, com  imagens e informação complementar.
A mostra é uma introdução ao tema da tomada de Ceuta, informada, didáctica, esclarecedora. Vale a pena ver e ler. Representa muito trabalho de uma equipa alargada.

A EXPOSIÇÃO
Torres Vedras no caminho de Ceuta. 600 anos

No corredor de acesso











Assinatura de D. João I (à esquerda); À direita, a de Fernão Lopes.
A assinatura de D. João I, assim a vemos, sem as linhas de gala, em expansão como querendo abraçar o mundo todo, é propriamente a letra jota ou i, de João, ou em modo alatinado, Ioannes. Em Camões, lê-se «Ioane». Mais atrás, em certidões passadas por Fernão Lopes, escreve-se «Dom Joham...». [Na edição d'Os Lusíadas, 1572, canto I, 13.ª oitava, linha 7, está escrito «Ioane»; nalgumas certidões passadas por Fernão Lopes (anos de 1419 a 1433), reproduzidas a páginas LXIII - LXVII da Primeira parte da Cronica delRei dom Joham, por Fernão Lopes, edição do Arquivo Histórico Português, 1915, lê-se «dom Joham»; na mesma crónica, está grafado, a respeito do rei e de outras pessoas homónimas, Joham e Johã (pelo menos, uma vez).
A PARTE PRIMEIRA da crónica, edição do Arquivo Histórico Português, preparada por Anselmo Braamcamp Freire, teve reprodução facsimilada, com prefácio de Luís F. Lindley Cintra, em Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, no ano de 1977. A PARTE SEGUNDA, «escrita por / FERNÃO LOPES / e agora fielmente copiada dos melhores manuscritos / por WILLIAM ENTWISTLE / PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE OXFORD», só veio a ser publicada conjuntamente com a primeira, em 1977, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, após uma longa espera. Nota prévia de Luís F. Lindley Cintra, 1968, e Prolegómenos a uma edição de Fernão Lopes, de William Entwistle, Universidade de Oxford [1934].]





Foral antigo de Torres Vedras (15 de Agosto de 1250)
ANTT, Livro do registo das heranças e padroados da rainha D. Leonor, I437, fl. 23-25,
PT-TT-CR-00I-315
Imagem cedida pelo ANTT.


British Library, Jehan de Wavrin - Anciennes et nouvelles chroniques d'Angleterre, c. 1470-1480, Royal MS I4 E IV, fl. 284v.  [Transcrição parcial da legenda.]







Desenhado sobre mapa recente, delimita também o actual concelho.
CMTV, Nuno Patrício, 2015. [Transcrição parcial da legenda.]






Selo do concelho de Torres Vedras
Selo pendente, de cera vermelha, pertencente a documento de 1348. Apresenta as armas municipais torrienses e a legenda «S[igillum] Concilii de Turribus Veteribus» (selo do concelho de Torres Vedras).
ANTT, Mosteiro de Alcobaça; documentos régios, m. 3, n.º 22.
Imagem cedida pelo ANTT. 


Torres Vedras, Chafariz dos Canos, séc. XIV-XVI.
Fotografia de Ana Luísa Santos. [Transcrição parcial da legenda.]







Na sala da coluna

Ficha técnica da exposição










[As gentes]





Ordenações Manuelinas (frontispício)
BN, Livro primeiro das ordenações, 2.ª impr.
Lisboa: João Pedro de Cremona, 1514. RES-68-A.




Seitz, correeiro
Stadtbibliothek (Nuremberga), Hausbuch der Mendelschen Zwölfbrüderstiftung, vol. I, c. 1425, Amb. 317.2º, fl. 26v. 


Franz, viticultor
Stadtbibliothek (Nuremberga), Hausbuch der Mendelschen Zwölfbrüderstiftung,
vol. I, c. 1425, Amb. 317. 2º, fl. 35b verso.


Peleja de espada
Biblioteka Jagiellońska (Cracóvia), Gladiatoria fechtbuch, fl. 9v. Alemanha, anónimo, c. 1435, Ms. Germ.


Iluminura do Mestre de Walters
Walters Art Museum (Baltimore),
Livro de Horas de Barbavara, fl. II3v, Milão, c. I440,
W.323.II3V.

Cabeceira de escultura de pescador

Cabeceira de escultura de cavaleiro ou escudeiro

Cabeceira de sepultura de lavrador

Cabeceira de sepultura de sacerdote



[Uma importante comunidade judaica]






Livro dos dous soldos dos bois, fl. 2v.
ANTT, Colegiada de Santa Maria do Castelo de Torres vedras, I38I, PT-TT-CSMTV-27-5 (4).
[Transcrição parcial da legenda.]


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*


 *




 [Uma vila marcadamente rural]



Jörg, estalajadeiro
Stadtbibliothek (Nuremberga), Hausbuch der Mendelschen Zwölfbrüderstiftung, vol. I, I470, Amb. 317, 2.º, fl 88v.

Albrecht, tanoeiro
Stadtbibliothek (Nuremberga), Hausbuch der Mendelschen Zwölfbrüderstiftung,
vol. I, c. I425, Amb. 317, 2.º, fl. 25.

Kloss, padeiro
Stadtbibliothek (Nuremberga), Hausbuch der Mendelschen Zwölfbrüderstiftung, vol. I, I486, Amb. 317, 2.º, fl. 104v.

Vendendo peixes, rãs e caracóis
Rosgartenmuseum Konstanz, Ulrich von Richental - Konzilschronik, c. I464, Hs, I, fl. 25.

Trabalhos agrícolas
British Library, Livre des Profits ruraux, séc. XV, Add. I9720, fl. 305.

Novembro
Musée Condé, Les Très Riches Heures du Duc de Berry. I412-I416, Ms. 65, fl. IIv.


Março
Musée Condé, Les Très Riches heures du duc de Berry, I412-I416, Ms. 65, fl. 3v.

[O espaço urbano]



Aqueducto de Torres Vedras
In Archivo Pittoresco, n.º 49, Lisboa: Castro e Irmão, I865, p. 385.
Imagem cedida pela Hemeroteca Municipal de Lisboa.

Chafariz dos Canos em Torres Vedras
In  Archivo Pittoresco, n.º 47. Lisboa: Castro e Irmão, I865, p. 373.
Imagem cedida pela Hemeroteca Municipal de Lisboa.

Ermida de Nossa Senhora do Amial
BMTV, 1926 (?). PI0237

Igreja de Santa Maria do Castelo
BMTV, 1926 (?), PI0235.

Igreja de S. Tiago
BMTV, 1926, PH0132.

Igreja de S. Pedro
BMTV, [191-?], PI0078





Esta casa e  quimtal he do concelho
1518



Lacobriensis (em português, lacobrigense).
*



*

  Um paço régio em vila de rainhas











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[O conselho régio]








[A data]




Carlos o Temerário, nomeando os oficiais do seu exército, num conselho militar.
British Library, Heeresordnung, 1473. Ms. 36619, fl. 5.

Adaptado de Judite de Freitas - O Estado em Portugal (séculos XII-XVI).Lisboa: Alêtheia, 2012, pp. 27-28 e 163. [Transcrição parcial da legenda.]


[Os participantes]








[O local]




Como el Rey mandou chamar os do seu conselho e como os Infantes tornaram à corte e das cousas que o Infante dom Henrique requereu a seu padre [pai].
ANTT, Gomes Eanes de Zurara - Crónica da tomada da cidade de Cepta..., fl. 23v, c. I450, PT-TT-CRN-I0 (50).
Imagem cedida pelo ANTT.

Gomes Eanes de Zurara (?)
Políptico de S. Vicente de Fora (Pormenor do Painel do Arcebispo),
 Nuno Gonçalves, c. I450-I490, MNAA I364 Pint (0000I.04.07TC)
Imagem cedida pela DGPC/ADF; fotografia de José Pessoa, I99I.

Assinatura de Gomes Eanes de Zurara.
ANTT, Foral da herdade de Alvaris, I462, TT-PT-CC, 2-I-3I (I).
Imagem cedida pelo ANTT.


[A reunião]













Edmundo de Langley discutindo com o rei de Portugal
British Library, Jean de Wavrin - Chronique de France et d'Angleterre (cópia de Jan du Quesne), vol. III, fl. I86. Bruges, c. I479-I480, Royal MS I4 E IV.


Divisa de D. João I

[A Vitrina]






Quase todos estes objectos de barro dos séculos XIV a XVII foram encontrados no poço dos Paços do Concelho. As excepções são a peça n.º 9, com a indicação «Paços do Concelho» e as com os n.os 5 e 14, com origem na Fonte Grada.
*



Objectos variados encontrados em Torres Vedras (Torres Vedras, 3; Poço dos Paços do Concelho, 3; Castelo, 3; Azenha de Santa Cruz,1), Santarém (1) e Ponte de Sor (1)

I-2. Azulejos hispano-árabes
Policromados, de produção sevilhana.
I. Fragmento de azulejo de corda seca, com decoração de laçarias geométricas. Séc XV.
Poço dos Paços do Concelho, MMLT, PCP, 269.
II. Azulejo de aresta, com decoração geométrica simulando as composições alicatadas mudéjares. Séc. XVI.
Torres Vedras, MMLT.

3-4. Medalhões
Pendentes de arreio. Peças para ornamentação e identificação da montada de um cavaleiro nobre. Bronze fundido e cinzelado, com vestígios de esmaltagem e douramento. Baixa Idade Média.
3. Ao centro, figura uma cena intimista inscrita num círculo, rodeado de oito pequenas cartelas circulares, representando anatídeos e bustos humanos.
Ponte de Sor, MMLT 000853.
4. De formato quadrilobado, figura um busto de cavaleiro, com elmo de viseira, rodeado de motivos florais.
Santarém, MMLT 000855.

5-6. Moedas
5. Real branco de D. João I
Cunhada em Portugal, entre 1415 e 1433.
Torres Vedras, MMLT.
6. Cornado de Afonso XI
Cunhada em leão, Espanha, entre 1312 e 1350.
Castelo de Torres Vedras, MMLT, CAS -70.

7. Ponta de virote de besta
Ferro. Baixa Idade Média.
Castelo de Torres Vedras, MMLT, CAS 03-4742.
8. Cota de malha
Fragmento de loriga ou lorigão, veste militar protectora, confeccionada com pequenas argolas de ferro entrelaçadas. Baixa Idade Média.
Castelo de Torres vedras, MMLT, 005634.

9. Âmbula de peregrino
Recipiente de chumbo, para transporte de água benta ou óleos sagrados, recordativos de uma peregrinação. Numa das faces apresenta estriais radiais evocativas da vieira, símbolo do peregrino e de Santiago de Compostela. Na face oposta, uma cruz de Caravaca sobre um hexafólio inscrito num círculo. Duas pegas triangulares sugerem as «orelhas» da vieira. Séc. XVI.

Poço dos Paços do Concelho, MMLT, PCP-646.

10. Selo de Chumbo
Apresenta uma figura feminina (verso) e o brasão de uma rainha da casa de Aragão: Santa Issabel, esposa de D.dinis, ou D. Leonor, esposa de D. Duarte, ambas foram donatárias de Torres Vedras e aqui passaram algumas temporadas: D. Isabel entre I300 e I318, e D. Leonor entre I433 e I436, tendo dado à luz, nos paços régios, a infanta D. Leonor, a I8 de Setembro de I434. Séc. XV.
Poço dos Paços do Concelho, MMLT, 25.07.2000, cat. 6.

11. Peso de rede
Barro vermelho, de formato esferóide, com perfuração central para o cordame.
Sécs. XVI-XVII.
Azenha de Santa Cruz, MMLT, AZS-6.

12. Azulejos triangulares
Azulejos monocromáticos, para elaboração de composições enxaquetadas (em xadrez).
Produção de Sevilha, sécs. XVI-XVII.
Torres Vedras, MMLT, 001628 e 001268.
*

[Perspectivas da sala, vista da parede do fundo]






*

[Os preparativos da expedição, a frota e a conquista]



  [Os preparativos da expedição]








[A frota]









Caravela Vera Cruz
Réplica de uma caravela do século XV, navegando no rio Tejo.
Fotografia de Lopo Pizarro, 2006. [Transcrição da legenda, para melhor visibilidade.]



[A conquista de Ceuta]




Las Siete Partidas del Rey Alfonso el Sabio, 
Tomo II. Madrid: Imprenta Real, I807, pp. I0-II. 
*
Afonso X, o Sábio (I22I-I284)
Óleo sobe tela, Joaquín Domínguez Bécquer, 1860.
Ayuntamiento de Sevilla, n.º Io8.
Fotografia de Pepe Morón.

Brasão de Ceuta
ANTT, Gomes Eanes de Zurara - Crónica da tomada da cidade de Cepta, por El Rei Dom Joham o primeiro, frontispício, 1450.
PT-TT-CRN-9 (9).
Imagem cedida pelo ANTT.
Nota | Na manhã de 22 de Agosto de I4I5, a bandeira «de S. Vicente» da cidade de Lisboa, foi hasteada por D. João Vaz de Almada sobre a torre do castelo de Ceuta. O brasão de Ceuta, com as armas de Portugal, é a mais notória marca deixada neste território norte-africano pelos I63 anos de domínio português.

Tomada de Ceita (3.º - A Cerimónia)
Gravura de Charles Legrand. Lisboa:
Litografia de Manuel Luiz, c. I8I4.
ANTT, espólio de António da Rocha Madahil. Gravuras, PT/TT/ARM/02/00I/000002.
Imagem cedida pelo ANTT.






Septa [Ceuta]
In George Braun e Franz Hogenberg - Civitates orbis terrarum, I.
Colónia: 4.ª ed., I582 [I572], est. 56.
No quadro há legendas latinas: a porta por onde os portugueses entraram está assinalada com uma cruz. Os dizeres correspondentes são Per hanc portam ingressi sunt primum Lusitani hoc oppidum (Por esta porta os Lusitanos entraram pela primeira vez nesta fortaleza). Além destas palavras e um pouco acima, da esquerda para a direita, assinala-se a posição de S. Catarina, S. Iacobi, Templũ Sumũ e Castrum (Santa Catarina, Santiago, Sé, Castelo).

Reconstituição do castelo e das muralhas merínidas de Al-Mansura, nos arrabaldes de Ceuta, (vista de poente).
Desenho de C. Navio.
Imagem cedida por Fernando Villada.

Conquista de Ceuta (os portugueses investem a cidade)
Litogravura colorida, de José Bastos.
BN, Lisboa. Litografia da Companhia Nacional Editora, c. I900, e-29I-a
Imagem cedida pela Biblioteca Nacional..

Plan of the town and fortifications of Ceuta in Africa surveyed...
ICGC, F. Wheatley, D. Wright e W. Faden, I820-I829, RM. I42990.
Imagem cedida pelo Institu Cartogràfic i Geològic de Catalunya.


 * 

[Cronologia]









No início de I4I3, D. João I recebeu o capitão Afonso Furtado e o prior da Ordem do Hospital no paço de Sintra, regressados de uma viagem de espionaçom a Ceuta, simulada de embaixada à Sicília.
Para melhor transmitir ao rei as informações estratégicas recolhidas, o prior D. Frei Álvaro Gonçalves Camelo traçou uma maqueta de Ceuta feita «com duas carregas de areia, e um novelo de fita, e meio alqueire de favas, e uma escudela».


***
Informação complementar
Eelementos de uma cultura dinástica e visual: os sinais heráldicos e emblemáticos do rei D. Duarte  -Interessante, sobre os emblemas ou divisas. Na parte inferior da página, pode clicar para descarregar ou apenas abrir o pdf de 55 páginas. 

Notas
*TURRES VETERAS XVII: ENCONTRO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA/Ceuta e a expansão portuguesa/16 e 17 de Maio de 2014, coordenação de Carlos Guardado da Silva
A CONQUISTA DE CEUTA: Conselho Régio de Torres Vedras; Coordenação de Carlos Guardado da Silva. Edições Colibri, Câmara Municipal de Torres Vedras e Instituto de Estudos Regionais e do Municipalismo Alexandre Herculano, Maio de 2015.
** «Nom foy ajmda fallado a nehuũ dos do meu comsselho, e tenho determinado pera o sam Joham a Deos prazemdo fazer ajumtamento de comsselhos em Torres Vedras, homde emtemdo propoer este feito e determinar o termo çerto em que com a graça de Deos ajamos de partir.» [D. João I responde aos filhos D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique. Zurara, na Crónica..., cap. XXIV, p. 75 da edição comemorativa do quinto centenário da Tomada de Ceuta, publicada por ordem da Academia das Ciências de Lisboa, por Francisco Maria Esteves Pereira, impressa em Coimbra – Imprensa da Universidade –, 1915; «E o dia em que sse esto ouue de começar, era huũa quimta feyra, na quall elRey e seus filhos ouuiram huũa missa de Samto Spritu offiçiada com gramde sollempnidade [...]» [Zurara, na Crónica..., cap. XXV, p. 78, da edição citada.]
Manuela Catarino refere Zurara, que escreveu «pelo S. João», e Humberto Baquero Moreno, que, baseado n'Os Itinerários de El-Rei Dom João I (1384-1433), Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1.ª ed., 1988, p. 141 e notas respectivas, mostra estar o rei em Lisboa em 22 de Junho, e em Sintra a 21 de Julho. Na Cronologia inserta em A Conquista de Ceuta..., pág. 11, segue-se a lição dos Itinerários...
O assunto vem, enfim, explicado claramente no painel da exposição que versa o conselho régio, na parte a data.

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