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sábado, 25 de outubro de 2014

     Pó. Qualquer porção mínima quase infinitesimal de terra que poisa, que voa, em bandos de partículas que se confundem com o ar.
           A origem deste topónimo deve estar ligada a uma situação da vida do dia-a-dia dos tempos antigos. Ninguém já o saberá... Que seria? Foi o pó, companheiro certo no Verão. Nasce, então, da terra, como do sol, a sombra.      
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Armas da freguesia do  Pó
Bandeira da freguesia do Pó

Tarde de 20 de Outubro, 2.ª-feira. Vamos ao Bombarral. Eu e um familiar, em deslocação de trabalho. De improviso, nem estava a contar, mas...
Passamos além do Bombarral, depois, perto do Carvalhal, seguindo-se a Roliça, terra cujo nome sucessivas gerações em Portugal inteiro pronunciaram e  fixaram para sempre, desde os bancos da escola primária. Batalhas da Roliça e do Vimeiro, entre as tropas anglo-lusas e os invasores franceses (1808).
Uns dois ou três quilómetros depois da Roliça, pouco antes do Pó, uma imagem da Virgem, oferecida pela Mesa da Misericórdia de R. M., dá as boas vindas aos caminhantes. 
Depois de esperar um bocado por quem nos havia de atender -- não foi mau, fez-nos habituar ao tempo mais lento de aqui, zona ainda muito dedicada à agricultura. Campos e campos de pomares. É terra de pera rocha. A vinha vê-se menos, nestas bandas do concelho do Bombarral --, ei-lo que chega, vindo das Caldas da Rainha.

Pouco vimos do lugar. Enquanto esperávamos, tirei algumas fotografias. E tratado o assunto que ali nos levou, deixamos o escritório onde fomos recebidos, vamos pelo pátio largo e já na rua, tomamos o caminho de regresso. Para trás, fica um povo laborioso. É a imagem que se tem. Basta olhar para aqueles campos... Confirma-o a inscrição que se lê na fachada da igreja.

ESTA CAPELLA É PROPRIEDADE

DO POVO DO PÓ. FOI CONSTRUÍDA POR

INICIATIVA DO EX.MO SNR MANOEL MARQUES,

DO DITO LOGAR, DANDO PARA ESTA OBRA TODO O TERRENO

EM QUE SE ACHA CONSTRUIDA, ASSIM COMO, UM IMPORTANTE

DONATIVO PECUNIARIO, SENDO O RESTO DA CONSTRUCÇÃO
FEITO A EXPENSAS DO DITO POVO DO PÓ   3   DO -10-1903

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Um pouco de história
Fernão do Pó, navegador do século XV. Dele recebeu o nome a ilha Fernando Pó (actualmente, Bioko, na Guiné Equatorial), tendo também «baptizado» o Rio dos Camarões (hoje Wouri), de onde procede o nome do Estado dos Camarões, na costa ocidental africana.
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PÓ. Lug. da freg. da Roliça, conc. do Bombarral. Pertenceu ao termo de Óbidos e assenta numa região muito fértil no ponto de vista agrícola e notável pela sua riqueza arqueológica, não só quanto ao povoamento pré-histórico, mas também quanto aos Romanos. Perto ficam as grutas da Columbeira (v.), onde têm sido descobertas várias peças notáveis. Foi senhor do Pó o célebre Fernão do Pó (v.), que deu o nome à ilha tropical hoje em poder da Espanha. [...]
(Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 22, p. 171 col. 2)

PÓ (Fernão do). Fidalgo português e navegador que foi senhor do lugar de Pó, hoje da freg. da Roliça, conc. do Bombarral, e outrora termo de Óbidos, e floresceu no séc. XV. O seu nome ficou celebrizado pela descoberta, que em 1472 fez da ilha adjacente à costa ocidental de África a que deu o nome de Formosa e outros, pouco depois, crismaram com o nome e apelido do descobridor, chamando-lhe ilha de Fernão do Pó (v.). Fernão do Pó era fidalgo da casa de el-rei e fez a descoberta ao mando de Fernão Gomes, pois este, arrendatário da navegação, a tais empresas estava obtrigado por contrato, ele ou seus mandatários. [...]
(Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 22, p. 173, col. 2)
Ver, também, aqui, e sobre as batalhas da Roliça e do Vimeiro.
Nota: As armas e a bandeira da freguesia do Pó são retiradas, com a devida vénia, do sítio da C. M. do Bombarral.