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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Um PÁTEO no Beco da Espinhosa

Évora, 2 de Maio, 3.ª-feira
Subindo a Rua da Selaria (actual 5 de Outubro), em demanda de livraria nova (para mim, que quase só tinha olhos para a Nazareth), ali desde Julho de 2013!..., o que me deve ter fascinado ainda mais – estou certo disso... – foi a descoberta de um beco que afinal não o é ou não o é bem. O fascínio da porta aberta para um mundo novo. As coisas pequenas também podem ser grandes. Neste caso, o pequeno pode ser pequeno, mas é um mundo novo que se abre. 
Este beco sempre teve a sugestão do mistério. Não deve ser verdade, não é verdade, mas sempre associei a Espinhosa a Espinosa, a mãe do filósofo nascido na Holanda, mas todo português por pai e mãe, Bento de Espinosa.
Em tempo, a passagem para o pátio (um terraço em nível superior) fazia-se por toda a largura do arco. Agora, por uma porta. Sempre a vi fechada. Nem lembro sequer porta nenhuma, embora sempre lá deva ter estado. O beco que tenho transportado comigo é um beco. Diz o responsável do restaurante  já lá iremos  – que no Verão (parece começar em Maio?!) tem estado aberta...
Avancemos até ao portal e apreciemos a decoração do tímpano. Bonito, acolhedor.






O olhar volta-se para trás. É tudo lindo. 





Pátio (do latim pactus através do occitano pàtu) é uma zona aberta situada no interior de um edifício. Numa casa, o pátio pode ser utilizado como lugar de recreio, oferecendo segurança e conservando a intimidade.
Pode estar rodeado completamente por elementos edificados, ou ser murado e separado de pátios vizinhos ou da rua. De qualquer modo é sempre uma zona descoberta. (wikipédia)







Transposto o portal, podemos alcançar a esplanada, tomando a direita, subindo esta escada de pedra. 

Vamos subir pela calçada.
As refeições são tomadas no pátio, à sombra dos chapéus. Numa próxima visita, já convidei a família, vamos «habitar» o pátio. Devagar...


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Fonte de Letras, em Évora


2 de Maio de 2017
Em Évora, uma Fonte de Letras, para matar a sede de ler.
Foi uma visita de ir e vir. De passagem pelo Nazareth, Nazareth & Filho do meu tempo de estudante, ainda com o velho Sr. Nazareth no final dos anos 50, ia a subir a escada para o andar de cima, sempre o andar nobre, direi mesmo o salão nobre da casa. Subíamos os degraus acompanhados por fotografias a preto e branco de escritores portugueses, ao alto e à esquerda. Oliveira Martins, Jaime Cortesão, outros grandes escritores... Fotografias de grande dignidade, não passavam de moda.
O balcão de atendimento era à esquerda, do lado da Praça do Geraldo, mas não ocupava todo esse lado. Os livros eram bem escolhidos e cobriam os vários campos da cultura. De romancistas, poetas portugueses viam-se os livros em prateleiras facilmente identificáveis. Torga, Régio, a história, a arte. Évora e o Alentejo estavam bem representados. Foi lá que comprei os três volumes de Estudos Eborenses, de Gabriel Pereira, edições Nazareth, era lá que estava a colecção dos cadernos de História e Arte Eborense. O boletim cultural A Cidade de Évora, publicado desde 1942 e dirigido durante muitos anos por Túlio Espanca. Do mesmo autor, os Cadernos de História e Arte Eborense: escreveu trinta e dois, desde 1944.
Pois, estando vedado o primeiro andar, visito a livraria, no espaço que continua o da entrada e já foi o seu nos anos 50. Em toda a loja nos seus dois espaços se é atendido por gente nova e dedicada, mas a diferença de qualidade impressiona quem conheceu o antes. O livro está ali como num centro comercial, com pouca espessura de tempo. Só há presente. Não há tempo, apetece dizer. Só a superfície dele...
Procurava uma obra com a Memória Descritiva do Assalto, Entrada e Saque da Cidade de Évora, que reproduz a NARRAÇÃO escrita pelo Arcebispo Cenáculo sobre os acontecimentos de 1808, as violências e humilhações de Loison e o seu próprio papel naquela dificílima situação. Refiro-me a um livro relativamente recente, em que a Memória é acompanhada por estudo de uma investigadora, cujo nome também não consigo recuperar. Não se encontra rasto da obra. A livraria está pobre de coisas do Alentejo. Onde está Celestino David, onde está Florbela, onde está algo mais, para quem queira aprofundar um pouco?!... 
Ficou lá, no entanto, um livro-álbum de fotografias sobre Évora, o Alentejo, belíssimo, com uma primeira parte a cores e outra a preto e branco. 15 €. Para quem gosta de fotografia, é quase desolador tanta qualidade, porque queremos seguir o exemplo... A adquirir em próxima visita.
A Nazareth terá perdido a primazia indiscutível no seu ramo, e senti uma certa decepção. Alguém me diz que há outra livraria na Rua 5 de Outubro. Vamos à antiga Rua da Selaria e no n.º 51 ao lado do restaurante PÁTEO no Beco da Espinhosa, a Fonte de Letras, com a sua «bandeira» a um canto da empena e um menu com gastronomia de inspiração literária. Entramos e encontramos resposta à nossa sede de qualidade. Faltará muita coisa, mas há consistência.


 










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Sobre a Nazareth, a Fonte de Letras e Évora sob o jugo francês, em 1808: