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segunda-feira, 6 de julho de 2015

S. Pedro recebe os visitantes no Pavilhão Multiusos

Domingo, 5 de Julho, último dia da Feira de S. Pedro

 04 Jul, 19:16
Devido à iluminação e à fotografia, a estátua ficou um pouco «caiada»
 Quis ver o protótipo em madeira da estátua de São Pedro que está junto à igreja do seu nome, em Torres Vedras, desde o dia 29 de Junho. Lá está ele, na espaçosa área de entrada para um recinto cheio de actividades e mostras relacionadas com este concelho. Confesso que desta vez me fiquei pela entrada, conversando com S. Pedro, nem bem isso, pois apenas cirandei à sua volta, talvez até um pouco impertinente.
— Mas o que é que este pequeno andará a fazer? — terá S. Pedro pensado. Com a sua grande altura e compleição, assim para dar uma correspondência da sua importância e fazê-la compreender pelas pessoas, estava atento a toda a gente que entrasse e não só a mim. Talvez me tenha dirigido algumas palavras em pensamento, além da pergunta que fez a si mesmo ou a quem o quis ouvir (também só em pensamento). Creio que dirigiu; fiz o mesmo com certeza, devo tê-lo cumprimentado, mas tudo muito rápido, não me lembro de nada.
Impertinente, um pouco, sim. Fotografei o senhor de vários lados, como se diz em português — de várias maneiras e feitios. Quis mostrar a maneira como ele foi feito e isso, o processo de construção, diz algo, à partida, da visão que o autor tem de Pedro: homem simples, despojado, a madeira é quase terra. Apesar do que fiz, por curiosidade e para a partilhar, devemos ver a obra como um todo.
Quisera deixar apenas três ou quatro fotografias, mas não fui capaz.
São Pedro segura numa das mãos o Evangelho; na outra, a chave da Igreja, de que foi o primeiro chefe.
*
O seu nome era «Simão Pedro». Pedro, no Evangelho de São Mateus, em grego, «Πέτρος [Petros]», significa «pedra». A palavra grega é tradução de «Kepha», «pedra», em aramaico, a língua falada por Jesus. Cristo quis edificar a Igreja sobre a pedra, em bases sólidas.
Escritos em grego nos séculos I-II d. C., os livros do Novo Testamento só mais tarde foram traduzidos para latim.
Ver (Mt, 16) a situação em que Jesus entrega o primado a Pedro. O versículo com as célebres palavras é o 18 e reza, assim:

 18Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.


5 Jul, 19:08
As restantes fotos são todas de 5 Jul


 Segurando o Evangelho, com a mão esquerda...

 ... e a chave do reino dos céus, com a direita.






sexta-feira, 3 de julho de 2015

Largo de S. Pedro

02-07-2015

A estátua aí está. Esteve coberta uns dias e fiquei na expectativa. Será que vai estar à altura de Pedro? O processo construtivo do autor, já conhecido dos torrienses pelo seu grupo escultórico «Eu sei tudo», à vista de quem cruza o espaço multisserviços da Câmara Municipal, deixou-me pensativo, ao vê-lo aplicado a uma obra desta natureza.
João Castro Silva, ao escolher esta maneira de esculpir, fabricar, modelar, já nos dá o seu envolvimento, a maneira de sentir e pensar, escolher. Há, logo à partida, combate e crítica, uma certa tensão de dentro da fragilidade de tudo. Fortaleza no interior da fraqueza.
Deu-nos um Pedro forte e decidido, contra ventos e marés, curvado para melhor sustentar a adversidade. De frente, e isto é mérito do estatuário, esta postura objectiva desaparece como por encanto e surge-nos um varão cheio de verticalidade e inteireza. Lembro o processo da trama nas fotografias reproduzidas nos jornais mais antigos, com a distribuição dos pontinhos (a trama) ou o caso das centenas de linhas verticais no televisor que nos criam a ilusão óptica da continuidade das manchas de cor. Ou, ainda, a sucessão rápida dos fotogramas no cinema. Não os podendo discernir um a um, pois a nossa vista só consegue reagir à velocidade de um décimo de segundo e antes disso já está impressionada com o fotograma seguinte, o que vemos ou julgamos ver é o movimento sem quebra. O mesmo se passa com as tiras ou pequenas réguas aplicadas por João Castro e Silva.
Da estátua de ao pé de S. Pedro, olhando para quem vem entrando na cidade do lado do Choupal e da Rua Miguel Bombarda, como antigamente S. Gonçalo sentado à beira do seu convento falava com quem passava ao fim do dia, depois do trabalho, da estátua e da sua integração no local falou muito bem o seu criador:
“a composição da figura de São Pedro centra-se na ideia de uma estrutura que resiste às forças adversas da natureza, quase que como uma figura de proa de um barco. Inclinada, em atitude de força contra o vento e preparada para afrontar as intempéries.
Com os pés bem assentes na terra, este São Pedro baseia a sua forma na pirâmide, símbolo da síntese, da ideia e da dimensão espiritual. Em que a base é a multiplicidade, a dispersão e o caos, e o topo o mundo dos princípios e da unidade.
Ao nível da integração no espaço de implantação colocou-se a figura em posição frontal à zona de ventos dominantes da praça, contextualizando forma e conceito. Numa relação próxima com a população optámos por não colocar o santo numa base ou pedestal — utilizamos para esse efeito o plano sobrelevado do jardim de oliveiras do lado direito da igreja — é uma visão mais humanística de um santo que é Pedro, uma pessoa que se vê glorificada pelos atos que realiza enquanto homem”.
(Palavras do autor da estátua, transcritas da edição n.º  3104, 3 de Julho de 2015, do Badaladas, incluídas em texto de Ana Alcântara, com a devida vénia)

Sobre «Eu sei tudo», pode ler-se o que escrevi em Junho de 2013, aqui.
Entretanto, voltámos a ter um placa toponímica no Largo de S. Pedro, como toda a gente dizia. É que a Rua 9 de Abril ia, até há dias, sem interrupção, do «Largo da Havaneza» ao entroncamento em que se junta com a Mousinho de Albuquerque, a Cândido dos Reis e a Dias Neiva. Os números de polícia tinham, naturalmente, sequência.
Para saber mais, consultar o jornal Badaladas, na edição referida, onde se informa do preço dos trabalhos de criação do modelo e de fundição e se registam palavras do presidente da câmara de Torres Vedras, Dr. Carlos Miguel, e de Dom Manuel Clemente, cardeal patriarca de Lisboa. A estátua teve a bênção do prelado, que recebeu das mãos do presidente da edilidade uma réplica em tamanho reduzido.
A cerimónia ocorreu em 29 de Junho, dia de S. Pedro.

26-06-2015

02-07-2015

02-07-2015

 02-07-2015

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Lição de ginástica

As figuras vão sendo arrumadas de maneira diferente, dando a movimentação que uma aula de ginástica oferece. Desta vez, os ginastas estão alinhados, uns atrás dos outros, de frente para quem transpõe a porta do espaço polivalente do edifício da Câmara Municipal. Já os vimos em fileira perpendicular a esta, lado a lado, aguardando quem entra. Estão vestidos de madeira, grandes luvas interrompidas nos pulsos, capuzes ou carapuços, e uma espécie de barril sem fundo e tampa ou se quisermos um saco-cama adaptado. É a túnica.
O autor usa réguas ou tiras justapostas que conformam cada membro e o todo. A túnica dá também uma certa ideia, a memória traz-me à lembrança o caixão. Esta maneira de tratar a madeira transmite fugacidade.
Eu sei tudo. O título é um enigma. Interpela-nos.
*
João Castro Silva apresentou primeiramente estas peças, em 2006, na Galeria do TMG, na Guarda. Em Torres Vedras foram expostas na Galeria Municipal, em 2008, depois de passarem por Beja e Estremoz, em 2007. Temos, agora, uma revisitação. Nos endereços, abaixo, bastante informação, onde se inclui o curriculum vitae do escultor.