Mostrar mensagens com a etiqueta Herberto Helder. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Herberto Helder. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A BARCA


Abri um livro recente.
Recentemente comprado. Por sorte, está disponível e numa edição barata. De um poeta de que gosto e quero ir percebendo. O gosto é prévio... O livro é O BEBEDOR NOCTURNO – poemas mudados para português, por Herberto Helder. 
Abro ao acaso. Finalmente nas minhas mãos O Bebedor Nocturno de que tantas vezes tenho ouvido falar.

A BARCA




           Lá vem a barca como um nadador de pernas
rígidas, rápida como um falcão que se abate sobre um
peixe-voador.

              Parece também uma pupila que contempla o ar,
as pálpebras cercadas pelas pestanas dos remos.
                        (Abu-L-Hachchach Al-Munsafi)



Recomenda-se para leitura em passeios ao campo e em povoações que dominem as planícies, como do alto do Varatojo, de Monsaraz e… 

«A Barca» vem na secção de POEMAS-ARÁBICO-ANDALUZES.

domingo, 29 de março de 2015

HERBERTO HELDER

Hoje, n'O Eixo do Mal.
Mais interessante, ainda, a partir do minuto 1:16 em que o filho do Poeta diz algumas palavras. Segue pequeno vídeo, com imagens de HH e o poema «Levanto à vista/ o que foi a terra magnífica» dito por Fernando Alves. Do livro Servidões, 2013.
As palavras do filho do Poeta:
— Eu, eu nunca falei do meu pai e isso não vai mudar. Nunca falei em público do meu pai, e não vai mudar... Vou fazer, aqui, um curtíssimo, curtíssimo intervalo.
Não sou, nem vou ser, nem quero ser, o guardião da memória de ninguém. No entanto, vou, faço, não é um pedido!, é um apelo. Não dêem o nome dele a nenhuma rua, a  nenhuma praça, que não façam nenhuma estátua..., que não o incluam no protocolo literário, ou seja, que não façam ao meu pai o que ele nunca quis que lhe fizessem em vida..., não lhe façam, agora.


Levanto à vista
o que foi a terra magnífica
e as estações mais bêbedas
e estou tão leve
porque não tenho nenhum segredo
e tão oculto
porque daqui a nada
já posso dizer tudo.

Daqui a uma pouca ciência
saberei pensar que algum pouco depois
estarei morto
e só de o pensar
já nem respiro
já quase
em nada toco
já só vejo no fundo das mãos
daquilo que fica escrito
que escrevi coisa nenhuma do mundo
até ao esquecimento e movendo-me com as unhas
movo-me nos nomes inúmeros
para dizer que mal nasci
logo me deram por morto.

E não fui tido nem havido
na razão do episódio de um rosto
ter passado por um espelho e ter desaparecido.
Portanto não me venha ninguém falar de nada
sei bastante do que sabem todos
vejo a água a mover-se contra si mesma
tão marítima e acho até que é bonito
cada qual morre de quanto alcança e não alcança
e ninguém compreende
a água quebra os dedos que escreveram até às pontas
e passa, a água fácil
sem retorno
porque nada tem retorno
e tudo é dificílimo
não só o máximo, mas também o mínimo.
(De Servidões, 2013)

terça-feira, 24 de março de 2015

Herberto Helder, 1930-2015

Herberto Helder faleceu, ontem, 2.ª-feira, 23 de Março, em Cascais.
Fui levado a Herberto Helder, por outros mais velhos e sabedores. Gostei muito de Os Passos em Volta. O contacto, que continua pequeno, com a sua poesia confirma o grande valor em que é tido Herberto na comunidade fiel que o tem acompanhado e lido. Continua difícil. Guardo, ainda, para ler de um fôlego, na totalidade, A Morte sem Mestre, na altura, comprado em e-book (experiência a não repetir).
Ao ver, hoje, nas notícias da TV, imagens de Herberto Helder, novo, encontro flagrantes semelhanças entre ele e o filho Daniel Oliveira. Já sabia ser este jornalista, que de vez em quando ouço no «Eixo do Mal», filho do poeta. Que grande herança!
Herberto Helder deixa, também, uma filha, Gisela Oliveira.
Com o intuito de divulgação, aqui fica um artigo saído, hoje, no Público. Morreu o poeta Herberto Helder. Junta-se vídeo.

Cinco poemas de A Morte sem Mestre, ditos pelo autor. Nota-se o sotaque madeirense.
(Editado em 29-03-2015)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Uma poesia do Sr. André

      Foi-me verdadeiramente oferecida, num comentário a mensagem publicada em 22 de Dezembro. Não é para me louvar nele, comentário/poesia, mas  é aqui o seu lugar. É a primeira poesia que conheço do Sr. André e espero conhecer mais.

Herberto He(lde)rético

Reuniram.
Deliberaram.
Premiaram.
Porém, o poeta não desceu à honraria.
Permanece no seu plano.
Sem desdenhar.
Sério.
Contido.
Indiferente ao elogio.
Assim, não legará o discurso do recompensado
Nem o sorriso convencional
Mascarará sua face
No ritual do “beija-mão” do datável acto.

Tornou-se maldito
porque rejeitou o que não devia ser rejeitado.
Não se sujeitou ao que devia ser agradecido
- porque nada tem que agradecer.
Não recebeu o dinheiro-premial
Porque se recusou a ser consumido.
Continuará como d’antes:
Olhando o mundo,
Construindo imagens,
Esculpindo sons,
Deambulando pelos penumbrosos corredores das palavras
No caminho da luz vislumbrada
Que leva ao cume da montanha.
Que a tua heresia, poeta, não forje seguidores
Que “júris” e ganhadores desculpe.
Que sejas amaldiçoado pelo exemplo que deste;
Pelo acto simples de te afirmares apenas tu.

André da Livraria Lácio
(enviado por Sr. João: http://srjoao.blogspot.pt/)
Obrigado ao Sr. André e obrigado ao Sr. João.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Morte sem Mestre


— ...
— Tínhamos três exemplares, desapareceram logo. Foram encomendados.
— …
— Não volta a haver, de certeza absoluta.
(Na Papelaria-Livraria União, Av. 5 de Outubro, Torres Vedras.)
-     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -    
O livro tem 64 páginas; 22 €.
-     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -           

Repete-se a história de Servidões.
Respeito o autor e as suas decisões. Respeito, também, a minha irritação.
-     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -     -    
— …
— Houve quatro pré-reservas de clientes.
— …
— Ele não faz reedições.
                 (Na Bertrand, Arena Shopping, T. Vedras.)

*
Sinopse
Dado tratar-se de uma edição reduzida, o fornecimento está limitado a duas unidades por cliente e condicionado à existência de stock na data de pagamento da encomenda. «A Morte sem Mestre» é o mais recente livro de poesia de Herberto Helder. Escrito em 2013 e integralmente inédito, «Tudo quanto neste livro possa parecer acidental é de facto intencional» - «[...] peço por isso que um qualquer erro de ortografia ou sentido / seja um grão de sal aberto na boca do bom leitor impuro.», escreve-nos o autor.
Herberto Helder tem por hábito encadernar os seus livros com papel de embrulho castanho, escrevendo por fora com caneta de feltro vermelha o título e o nome do autor. A sobrecapa da presente edição evoca esse hábito, reproduzindo a sua caligrafia. É ainda incluído um CD, com cinco poemas lidos por Herberto.
A Morte sem Mestre de Herberto Helder

quinta-feira, 20 de junho de 2013

SERVIDÕES

Novo livro de Herberto Helder

         Damos aqui algumas primícias do novo livro de Herberto Helder, para ler e ouvir.  

PARA LER

        até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa
(Da internet.)
                                              *
Servidões. E visões e vozes. Mas sem alma, nada há a salvar. E a 
música, a música, quando, como, em que termos...

 e a música, a música, quando, como, em que termos
                                                                   extremos
a ouvirei eu,
e ela me salvará da perda da terra, águas que a percorrem,
tão primeiras para o corpo mergulhado,
magníficas,
desmoronadas,
marítimas,
e que eu desapareça na luz delas -
só música ao mesmo tempo nos instrumentos todos,
curto poema completo,
com o autor cá fora salvo no derradeiro instante
numa poalha luminosa?
(Com a devida vénia ao blogue Servidões. E visões e vozes. Mas sem alma, nada há a salvar. E a música, a música, quando, como, em que termos...

 e a música, a música, quando, como, em que termos
                                                                   extremos
a ouvirei eu,
e ela me salvará da perda da terra, águas que a percorrem,
tão primeiras para o corpo mergulhado,
magníficas,
desmoronadas,
marítimas,
e que eu desapareça na luz delas -
só música ao mesmo tempo nos instrumentos todos,
curto poema completo,
com o autor cá fora salvo no derradeiro instante
numa poalha luminosa?
Servidões, de Herberto Helder, Assírio&Alvim, p. 55.
(Com a devida vénia ao blogue  omeuinstante.blogs.sapo.pt/399277.html)

*
PARA OUVIR 
Sete poemas de Servidões
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=3241601
(Com a devida vénia à TSF.)

SERVIDÕES, novo livro de Herberto Helder

Li há semanas que o novo livro de Herberto Helder ficaria (quase) logo esgotado, pois havia alfarrabistas a açambarcá-lo, para mais tarde o vender a preço muito superior ao de agora, que já é um bocadinho caro. Fico a pensar que esta obra não fica esgotada, é apreendida, tirada da circulação.
Na Livrododia dizem-me que está esgotado, mas creio que ainda se pode obter na internet.
A primeira vez que contactei com Herberto Helder foi num passeio a Monsaraz, em 1967 ou 68, em que um de nós leu o texto em prosa «O Coelacanto», de Os Passos em Volta. Foi o Manel quem leu, diga-se, já então grande admirador do poeta, à entrada da povoação, com a planície e o Guadiana em baixo e sol e calor.
«Um poeta está sentado na Holanda.» É como um padrão, uma bandeira, uma toada encantatória. Nem Ulisses resistiria a esta sereia. Fica o universo transmudado e nós, presos. Continua: «Pensa na tradição. Diz para si: eu sou alimentado pelos séculos, vivo afogado na história de outros homens. E a sua alma é atravessada pelo sopro primordial. Mas tem a alma perdida: é um inocente que maneja o fogo dos infernos.» ...   ... Devo parar.

Confesso que me é difícil esta poesia, mas fico sabendo perante quem estou.
*
A MÁQUINA DE EMARANHAR PAISAGENS,
em OU O POEMA CONTÍNUO.
E chamou Deus à luz Dia: e às trevas chamou noite; e fez-se a tarde, e fez-se a manhã, dia primeiro.
... e fez a separação entre as águas que estavam debaixo do firmamento e as águas que estavam por cima do firmamento. (Génesis).
… e eis que havia um grande terramoto: e o sol tornou-se negro como um saco de silício: e a lua tornou-se como sangue.
E as estrelas do céu caíram na terra, como quando a figueira lança os seus figos verdes, abalada de um grande vento:
E o céu retirou-se como um livro que se enrola: e todos os montes e ilhas se moveram dos seus lugares.
E vi os mortos, pequenos e grandes, ... e foram abertos os livros. (Apocalipse).
Irmãos Humanos que depois de nós vivereis, não nos guardeis ódio em vossos corações.(François Villon).
Ah, como custa falar desta selvagem floresta tão áspera e inextricável, cuja simples lembrança basta para despertar o terror.
Denso granizo, águas negras e neves caíam do espaço tenebroso.(Dante).
Maravilha fatal da nossa idade.(Camões).

Rasgou os limbos a antiga luz das fábulas, luz terrível que os homens e as mulheres beijavam cegamente e a que ficavam presos pela boca, arrastados, violentamente brancos -- mortos. E essa colina subia e girava, puxando pelos lábios os seres deslumbrados e aniquilados. E dentro desta luz e desta morte, os sons amadureciam. Em baixo, vermelhas, estalavam as cúpulas.(Autor).

       E as estrelas do céu caíram na terra, como quando a figueira lança os seus figos verdes, abalada de um grande vento. E eis que havia um grande terramoto, e o sol tornou-se negro como um saco de cilício e a lua tornou-se como sangue. E fez-se a separação entre as águas que estavam debaixo do firmamento e as águas que estavm por cima do firmamento. E o céu retirou-se como um livro que se enrola e todos os montes e ilhas se moveram dos seus lugares. Denso granizo, águas negras e neves caíam do espaço tenebroso. Rasgou os limbos a antiga luz das fábulas, luz terível que os homens e as mulheres beijavam cegamente e a que ficavam presos pela boca, arrastados, violentamente brancos -- mortos. E essa colina subia e girava, puxando pelos lábios os seres deslumbrados e aniquilados. E dentro desta luz e desta morte, os sons amadureciam. Em baixo, vermelhas, estalavam as cúpulas. E vi os mortos, pequenos e grandes, e foram abertos os livros. Ah, como custa falar desta selvagem floresta tão áspera e inextricável -- maravilha fatal da nossa idade --, cuja simples lembrança basta para despertar o terror. Irmãos Humanos que depois de nós vivereis não nos guardeis ódio em vossos corações.

       ...   E chamou Deus à luz Dia: e às trevas chamou Noite; e fez-se a tarde, e fez-se a manhã, dia primeiro...

       Ah, como custa falar desta selvagem floresta tão áspera e inextricável, cuja simples lembrança basta para despertar o terror.
       E vi os mortos, como quando a figueira lança os seus figos verdes, entre as águas que estavam debaixo do firmamento, águas negras, e a lua como sangue, denso granizo e neves do espaço tenebroso. E as estrelas do céu e as águas que estavam por cima do firmamento caíram na terra, e eis que havia um grande terramoto, e rasgou os limbos a antiga luz das fábulas, e foram abertos os livros. E dentro desta luz e desta morte, os sons amadureciam. Os homens e as mulheres caíam cegamente pela boca, e o sol tornou-se negro como um livro que se enrola, e todos os pequenos e grandes montes e ilhas se moveram dos seus lugares. Abalada de um grande vento, a luz terrível subia e girava, puxando violentamente os mortos brancos que ficavam presos pelos deslumbrados e arrastados lábios ao céu que se tornou como um saco de cilício. E os seres aniquilados beijavam essa colina, e em baixo o céu retirou-se, e fez-se a separação, e estalavam as cúpulas vermelhas.
       Maravilha fatal da nossa idade.

       ...   E chamou Deus à luz Dia; e às trevas chamou Noite; e fez-se a tarde, e fez-se a manhã, dia primeiro...

       Irmãos Humanos que depois de nós vivereis, não nos guardeis ódio em vossos corações.
       Na maravilha desta luz inextricável, vi os homens e as mulheres que estalavam como estrelas, como figos deslumbrados. E o sol negro e a lua de sangue caíram no vento, nas águas, na terra, caíam da selvagem figueira por cima do firmamento que subia e girava como um livro terrível, uma colina que se enrola. E eis que se rasgou um grande terramoto de águas verdes no céu de silício violentamente baixo. E os seres moveram-se dos seus lugares pelo granizo tenebroso, puxando as cúpulas, os sons, os mortos abertos. E havia águas negras na luz abalada, na áspera floresta dos limbos, e as ilhas vermelhas e os montes arrastados amadureciam no terror da nossa idade. No espaço das fábulas os mortos, cegamente presos, estavam aniquilados pelos lábios e beijavam a grande luz, a grande morte. E fez-se a separação entre a boca e os livros. E quando as águas e as neves estavam dentro do céu, de cuja antiga lembrança custa falar, eu vi os mortos brancos despertar debaixo do céu fatal, e ficavam pequenos e grandes. E estavam todos mortos. Denso granizo, águas negras e neves caíam do espaço tenebroso.

       ...E chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite; e fez-se a tarde, e fez-se a manhã, dia primeiro...

       ...   presos pela boca violentamente brancos os mortos amadureciam
e
       dentro desta luz ficavam as mulheres puxando as fábulas vermelhas
e
       a terrível colina subia pelos sons deslumbrados
e
       os limbos estalavam
e
       a luz rasgou cegamente os seres aniquilados
e
       cúpulas beijavam os lábios arratados na luz
e
       a morte antiga girava em baixo com homens...

       ... E chamou Deus à luz Dia; e às trevas chamou Noite; e fez-se a tarde, e fez-se a manhã, dia primeiro...

       ... luz selvagem... e terramoto que se enrola de estrelas... e água abalada... inextricável... o sol num saco de vento... e a lua debaixo das ilhas que se moveram... e livros em silício dentro dos mortos verdes... e coração dos figos abertos... maravilha nos grandes lugares por cima... e montes como dentro das águas negras... espaço... separação... e mulheres vermelhas com cúpulas... a antiga colina do firmamento... e homens violentamente... sons cegamente... e seres arrastados do céu da boca para... luz selvagem...

       ... E chamou Deus à luz Dia; e às trevas chamou Noite; e fez-se a tarde, e fez-se a manhã, dia primeiro...

                                                                                                                                 1963.
       
*
O coelacanto






                                                                                                                            (De Os Passos em Volta)
*

«como se atira o dardo com o corpo todo,
com a eternidade em não mais que nada,
e depois a abolição do tempo,
e então o que respira no corpo passa à vara,
e o que respira na vara passa depois à ponta,
tu não, tu já respiraste tudo pelo dardo fora,
mudo e cego e surdo,
e és um só ponto do alvo onde respiras todo,
e tudo respira nesse ponto,
em ti, veia da terra, oh
sangue sensível»   (De Servidões)

*

       Ver, abaixo, na última hiperligação, «São claras as crianças, como candeias sem vento,[...]»,  Elegia Múltipla VI, de A Colher na Boca, em OU O POEMA CONTÍNUO, pp. 69-71. Depois, voltar à primeira hiperligação.
http://www.escreveretriste.com/2013/06/servidoes-herberto-helder/
http://www.publico.pt/cultura/noticia/herberto-helder-publica-servidoes-1595214
http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=3242636
http://thoughloversbelostloveshallnot.blogspot.com/2013/05/servidoes-de-herberto-helder.html#more