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domingo, 8 de abril de 2018

Aldeia Típica de José Franco


Aldeia típica de José Franco -- Sobreiro
07-04-2018
Hoje, revisita a José Franco, presente no espaço em espírito, que não já em pessoa no compartimento em que modelava as figuras de barro. Oferece-me outra vez um pequeno copo de barro com vinho. Na divisão ao lado, onde agora estou, sinto-o a abrir o postigo e estabelecer contacto visual. Não é controle ou desconfiança, apenas uma saudação de silêncio, um conforto ao visitante.
Deixo só imagens do pátio da aldeia, perto da assinatura de José Silos Franco, assinalando por certo mais uma parte da obra concluída. Imagens também de uma fonte abençoada por Santo António com a Bíblia e o Menino, a convidar-nos a entrar, a beber da água da arte que envolve toda a aldeia. A água da vida...
(Publicado há momentos na minha página do facebook)
  A assinatura de José Franco está no patamar da escada, ao fundo, à direita.








domingo, 13 de outubro de 2013

Fado do Sobreiro


 (Depois da minha arenga, ouçamos o fado do sobreiro. Fica bem, neste domingo.)

* 

      Ao fim de tantos anos, pensei que não havia dúvidas. Quando era pequeno, um chaparro e um sobreiro eram a mesma coisa. Mais tarde, aprendo que um chaparro é um sobreiro novo. Mas não é que um amigo meu, alentejano do miolo do Alentejo,  me diz que um chaparro é uma azinheira!? Isto veio a propósito de uma pergunta minha sobre o fado do sobreiro, que entrou na conversa não sei como.
     -- Como é que o montado chora, ao luar, com saudades do sobreiro, quando em seu lugar já está um  chaparro altaneiro? -- perguntei.
     A resposta pode dá-la o fadista.


Mas, se a morte um dia vem,
Nós deixamos sempre alguém, 
Com saudades, a chorar. 


     O chaparro, altaneiro que seja, ainda não é bem sobreiro. E mesmo se o fosse, podia haver saudade do velho sobreiro.

    
     A dúvida instalou-se. A partir de agora, receio que possa deixar de ter, às vezes, dúvidas e me comece a cercar em qualquer situação a Dúvida.


*


Lá no cimo do montado,
No ponto mais elevado,
Havia um enorme sobreiro.
De todos era a cobiça,
A dar bolota e cortiça,
No montado era o primeiro.
De todos era a cobiça,
A dar bolota e cortiça,
No montado era o primeiro.


Mas um dia, com a tempestade,

Fez ouvir lá na herdade

O ribombar do trovão

E no céu uma faixa risca

Uma enorme faísca

Fez o sobreiro em carvão.

E no céu uma faixa risca

Uma enorme faísca

Fez o sobreiro em carvão.

Passaram-se anos e agora
No mesmo sítio lá mora
Um chaparro altaneiro
E, em noites de luar(e),
Ouve-se o montado a chorar(e),
Com saudades do sobreiro.
E, em noites de luar(e),
Ouve-se o montado a chorar(e),
Com saudades do sobreiro.

E é(i) assim que nasce a vida
Constantemente vivida,
Quase sempre a trabalhar(e).
Mas, se um dia a morte vem,
Nós deixamos sempre alguém,
Com saudades, a chorar(e).
Mas, se um dia a morte vem,
Nós deixamos sempre alguém,
Com saudades, a chorar(e).
                     (Letra de Abílio Morais)

Uma curiosidade agradável, para um natural da terra; a árvore escolhida para a sequenciação do genoma do sobreiro é de Montargil. Ver o artigo
genoma do sobreiro


P. S. Na verdade, depois de uma observação que me foi feita, já depois de publicada esta mensagem, penso que chaparro e sobreiro, para muita gente, é a mesma coisa; isto, no ambiente de Montargil em que fui criado. A palavra «chaparro» tem um sabor mais popular, rústico, até rude. É a designação primeira, do dia-a-dia. Deve ser pré-romana e com raiz mais funda na psique das pessoas do que sobreiro, que nos vem dos romanos. Ora, vejamos o DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO DA LÍNGUA PORTUGUESA, de J. P. Machado:
Chaparro, s. Etimologia ainda não esclarecida, mas este voc. deve relacionar-se com o basco txapar, «roble novo», dimin. de sapar; [...]