Ver artigo «Reprodução do trevo amarelo pode influenciar culturas agrícolas» (Cristina Pinto (Assessoria de Imprensa - Universidade de Coimbra),aqui.
A Praga Má
O meu amigo Vítor Saramuga conhece o trevo amarelo pelo nome de «praga má». Tem de a eliminar do logradouro de que cuida, junto a casa de habitação. Destrói os relvados -- diz ele. Não nutre pelo trevo, pela praga má, o mesmo afecto que eu.
No final da haste, três cabecinhas onde como se cola cada uma das folhas do trevo
Foto tirada em 18-2-2014
Muito popular é o trevo. O trevo tem três folhas no final de cada haste, onde apontam três cabecinhas, a cada uma como se colando a sua folha, em forma de coração. Não há espaço para planarem, recebendo os raios solares na perpendicular do meio-dia. O trevo de quatro folhas é a excepção e, por ser raro, é festejado por quem o colhe. Eu, se fosse trevo, gostava de ser trevo de três folhas. O três deve ser mais perfeito que o quatro. A este parece não faltar nada, na sua simetria. O três, na sua aparente imperfeição, tem de buscar algo, é dinâmico. Mas, não digo que se estiver perante um de quatro folhas não dê a nota máxima também a este.
As pétalas da flor do trevo são cinco. Foi o que pudemos ver. A regra é: trevo de três folhas e flores de cinco pétalas; os números três e cinco, matematicamente ou quase.
[Extractos da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, págs. 745 (col. 2), 746 (cols. 1 e 2) e 747 (col. 1)].
Penso que quando se fala no trevo de quatro folhas, sinal de sorte, se quer significar o trevo da espécie designada acima trevo amarelo. No mesmo artigo da GEPB, são referidas mais dezasseis espécies de trevo. Quem se quiser aventurar na linguagem técnica da botânica, encontrará uma dificuldade e especialização igual ou maior que a que nos é oferecida pelas histórias da arte. O trevo de quatro folhas aqui descrito há-de ser uma realidade diferente da do trevo amarelo, sendo as folhas sempre em número de quatro, julgo eu. Tem interesse o artigo e o vídeo de Eduardo Dias, da Universidade dos Açores. (N. B. --É compensador clicar nas imagens e voltar a ver tudo como um álbum, em ecrã inteiro.)
Neste passeio de domingo, se for preciso um título e uma figura central, será Convento Velho de Penafirme ou Nas Ruínas do Convento Velho de Penafirme, mas tudo o resto conta e em qualquer coisa está o mundo todo. Como é graciosa a Fonte Grada, a sua igreja alvíssima, de barras azuis, com um rosto perfeitamente impoluto, apetece dizer imaculado. À beira, dois cafés, de boa apresentação exterior, um deles, de intervenção artística ligeira, leve, agradável -- e colorida, o azul, claro. Como alentejano, sinto-me em casa.
Dois registos de azulejos fotografei, dedicados a N.ª Senhora da Nazaré e a Santo António, que não é aqui reproduzido, mas se pode ver na casa amarela, da 2.ª imagem, à esquerda. Estes registos das nossas terras, de carácter sagrado ou profano, de iniciativa privada ou pública, são um contributo identitário forte, em que as pessoas, as comunidades locais e nacional se dão a conhecer.
Nas Palhagueiras, o monumento aos serradores, que, antes da electrificação das aldeias e vilas por esse Portugal fora, eram quem «desfazia» os pinhais, cortando a árvore na base, a machado, podando ramos e dividindo o tronco em toros, com um serrote puxado por dois homens, e depois, com o toro em cima da burra, faziam as diversas peças que iriam parar aos bancos dos carpinteiros e a madeiramentos de telhados: forro, solho, moldura, ripa, barrote, viga...
Continuamos. Dois ou três moinhos, vinha, parcelas de terreno com flores amarelas, gerando espontaneamente um tapete na natureza. Quis parar, mas não me atrevi a incomodar a chefe de viatura.
E eis-nos chegados às ruínas do convento. Ainda conservam vida, não a que já não têm, mas a que o conjunto subsistente nos faz chegar pelo que vemos e sonhamos, pela memória e a guarida oferecida a quem o visita. Neste dia estava habitado. E, andando eu a reconhecer as imediações, de que destaco uma grande exploração agrícola em estufa, da estrada para Porto Novo até à Póvoa (de Penafirme), dunas deliciosas para os rapazes das motas -- passaram lá alguns -- e a vegetação característica..., avanço em direcção ao monumento e preparo-me para tomar uma vista. Tive de fazer sinal com o braço e numa espécie de grito, pedi para se desviarem para poder fotografar. Havia dois habitadores!
Há uma cerca de rede metálica, com entrada franca do lado da estrada, como pude descobrir. Os habitadores, quais guardião ou superior e a respectiva acompanhante, eram dois jovens, facilmente reconhecíveis como pessoas com interesses culturais e de agradável presença. Ela desenhava as «pedras», certamente um estudo, no seu caminho universitário; as «pedras que falam», furtando o título a um livro de Campos Júnior. Breves palavras trocámos, cordiais, e delas guardo saudade, saudade já destes amigos que não conhecerão estas linhas.
Na Praia Azul. Possivelmente, a Praia Azul é a minha preferida. Nem perante mim o quero reconhecer, porque as outras também são muito boas; muitas pessoas as acharão melhores. Nesta praia, olhámos o mar. Estava enérgico, mas não estava mau. O mar é sempre um bálsamo.
Fonte Grada
Dom Fuas Roupinho e N.ª S.ª da Nazaré
Rotunda das Palhagueiras. Os serradores
A flor amarela (trevo)
Ruínas do convento
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A modesta cruz, aqui colocada por alguém com fé,
atesta que o convento conserva vida.