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segunda-feira, 6 de abril de 2015

ÓPERA BANKSTERS - HOMENAGEM A VASCO GRAÇA MOURA

      Domingo de Páscoa, 5 de Abril
      No Teatro-Cine, de Torres Vedras, 16 horas

      Bankster, Banksters, palavra formada, a partir de banker(s) e gangster(s). Foi usada em 1933 pelo juiz Ferdinand Pecora, responsável pela investigação sobre as práticas de Wall Street que conduziram ao crash de 1929 (ver, aqui), embora tivesse aparecido na imprensa dos E. U. A., um ano, um ano e meio antes.
      Foi muito agradável este espectáculo de ópera. Melhor, ainda, seria se, em vez da versão de concerto, tivéssemos assistido à versão integral, como se pôde ver no Teatro Nacional de São Carlos em 2011 (estreia no dia 18 de Março). E gostaria de poder adquirir o libreto, com todas as falas.
      Dito isto, oferecemos abaixo, com a devida vénia, o linque para o pequeno caderno com texto de Afonso Miranda e sinopse da acção.
      As grandes companhias internacionais e a aparente falta de suficiente controlo das suas actividades, a existência de paraísos fiscais, perante a muito provável impotência dos Estados, são situações de todos conhecidas e que a quase todos assustam. Mas, mais... O material e o imaterial, digamos o espiritual, estão juntos, numa ópera sobre a vida moderna e a dimensão trágica de todos os tempos.

Banksters, a ópera de Nuno Côrte-Real (n. 1971), apresenta-nos uma sátira do mundo actual, um mundo esvaziado de valores e referências espuirituais e metafísicas, um mundo cada vez mais dominado pela razão material e instrumental. Nesta época dessacralizada, na qual todos os ideais se parecem dissolver nos imperativos económicos, o homem parece perder o seu espaço cósmico interior. Vivemos anestesiados, na busca urgente da felicidade material, e perdemos de vista o essencial, o sentido do mistério, o olho que olha o invisível. Plena de simbolismo e de ressonâncias metafísicas, mas também de ironia e humor, Banksters põe em confronto dois mundos: o da vida material e o da vida espiritual, o mundano face ao divino.
(Primeiro parágrafo do texto de Afonso Miranda)
      (Ver mais, aqui.)


Cartão-postal, impresso dos dois lados

O mesmo

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Ópera Banksters - Homenagem a Vasco Graça Moura (pág. da C. M. de T. Vedras, na net)

domingo, 11 de maio de 2014

Já recordando Vasco Graça Moura

... nem acordo, nem concordo, nem recordo, nem discordo, nem desacordo...

Melhor é não haver isto. E não se falar disto. Estávamos mais ou menos bem...

Hoje, na p. 37 da Revista do Público, Nuno Pacheco vem lembrar VGM, a propósito de um assunto muito importante. O que ele disse é

                                                              TUDO MENOS
                                                              TEIMOSIAS
                                                              DE UM VELHO


terça-feira, 6 de maio de 2014

Vasco Graça Moura

     Do facebook e de dois blogues retiro um texto, para lembrarmos Vasco Graça Moura, agora que nos deixou, no passado dia 27 de Abril.

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Carta de Vasco Graça Moura ao Ministro Francês da Cultura sobre os tesouros e bens culturais do Iraque

Acabo de ter conhecimento do seu apelo, pedindo que os tesouros e os bens culturais do Iraque, ameaçados no decorrer da ofensiva norte-americana e inglesa, sejam devidamente preservados e restituídos àquele país, que deles é proprietário legítimo. Tendo lido a carta que, a esse respeito, V.Exa endereçou a 24 de Março ao Sr. Director-Geral da UNESCO, só posso regozijar-me pelo bem fundado das suas injunções e associo-me pois a uma iniciativa que aplaudo cordialmente, não apenas na minha qualidade de primeiro vice-presidente da Comissão Cultura, Educação, Juventude, Desporto e Comunicação Social do Parlamento Europeu, mas ainda como cidadão e escritor português.

 Parece-me oportuno recordar-lhe neste ensejo que, na época da execrável dominação militar de uma parte muito grande da Europa por Monsieur Bonaparte, as tropas francesas, sob o comando do general Junot, aquando da sua partida de Portugal em 1808, após a batalha de Vimeiro, levaram consigo numerosas obras de arte e tesouros preciosos, em consequência de uma pilhagem sem escrúpulo e sem freio.

Esses tesouros, que nunca foram devolvidos ao meu país, embora se trate de peças muito importantes para o património cultural português, continuam a fazer parte de colecções, museus e arquivos do Estado francês.  Estou certo, de resto, que o seu colega dos Negócios Estrangeiros, Monsieur de Villepin, que, como historiador, é um ilustre especialista daquela época, poderá dar-lhe abundantes elementos a tal respeito.

Parafraseio assim a sua carta ao Sr. Director-Geral da UNESCO para afirmar que "os tesouros culturais de Portugal, em toda a sua diversidade e riqueza, devem ser devolvidos aos Portugueses".   E tenha portanto a honra de convidá-lo, Senhor Ministro, a declarar que o Governo francês está pronto a tratar dessa devolução. Sugiro que, pela via diplomática, seja constituída uma comissão mista franco-portuguesa, incumbida de estabelecer a lista desses roubos de guerra e de organizar a sua rápida devolução pela França a Portugal.

Hoje mesmo, transmito o conteúdo desta carta ao Senhor Martins da Cruz, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo Português. Além disso, permito-me sublinhar que tal decisão não deixaria de ter um efeito muito importante junto das autoridades e instituições inglesas que, como sabe, continuam a ignorar o pedido, inteiramente legítimo e de há muito feito pela Grécia, no sentido de obter a restituição dos 253 mármores do Parténon de que Lord Elgin se apoderou em 1802 e que mais tarde revendeu ao Museu Britânico.

Outras restituições de tesouros pilhados por exércitos de outros países em circunstâncias idênticas poderiam em seguida ter lugar, se a França tratasse de dar o exemplo. É por isso que estou certo de que V. Exa. não deixará de agir com grande rapidez, a fim de mostrar a outros povos, e nomeadamente à opinião pública da União Europeia, que a França junta o acto à palavra, não admitindo excepções culturais numa matéria em que estão em jogo a preservação da diversidade cultural e o respeito de direitos culturais fundamentais e imprescritíveis de qualquer país.

Tomarei a liberdade de dar conhecimento desta carta a todos os meus colegas do Parlamento Europeu, ao Senhor Director-geral da UNESCO e à imprensa portuguesa.

Peço-lhe creia, Senhor Ministro, na minha elevada consideração.

Bruxelas, 26 de Março de 2003.
Vasco Graça Moura

domingo, 4 de maio de 2014

A escolha de hoje, 3 de Maio,

... é Vasco Graça Moura.

     Devo ter apenas um livro dele -- Testamento de VGM --, para além de estarem à minha disposição a tradução de As Rimas de Petrarca, da Divina Comédia, de Dante, da Berenice de Racine, representada no Teatro Nacional, em 2005, e de 50 Sonetos de Shakespeare. E, ainda, Acordo Ortográfico: a perspectiva do desastre. Além disto, tenho acompanhado com atenção os sinais da sua actividade, desde um já longínquo programa na televisão sobre poesia, ao seu papel na Comissão dos Descobrimentos, na Revista Oceanos, na IN/CM, no CCB, e à intervenção veiculada através da televisão e dos jornais. Desolador, para quem consultar a lista de obras de Vasco Graça Moura disponibilizada em www.wook.pt, por exemplo.

     Escolho o artigo publicado na página 46 do Público, da autoria de José Pacheco Pereira (que já em 28 de Abril p. p., no abrupto, deixou algumas recordações do convívio com VGM, dos tempos de Estrasburgo). É o primeiro da lista, abaixo. O que segue resulta de uma pequena pesquisa, que foi além do que se apresenta, mas não vale a pena referir mais nada, embora de valor. 

     Já é altura. É tempo de nos abismarmos na obra de Vasco Graça Moura. Dois ou três livros...

*

     -- Quem foi o último escritor ou poeta a deixá-lo abismado?
     -- Depois de Dante e Petrarca, acho que o Wordsworth de "The Prelude" me deixará sempre abismado.
      (Da entrevista ao Expresso, por Valdemar Cruz, em 26 de Maio de 2012.)

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     O Expresso  desta semana publica, sobre VGM, na secção In Memoriam artigo de José Cutileiro e na revista ATUAL, texto de Pedro Mexia (pág. 3) e de Clara Ferreira Alves (12 a 14). Este tem como título O FÍSICO PRODIGIOSO, o que o põe a par de Jorge de Sena.

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http://www.publico.pt/cultura/noticia/o-vasco-perto-do-fim-1634383?page=-1
http://www.publico.pt/cultura/noticia/elegia-para-vasco-graca-moura-1634297?page=-1
http://www.rtp.pt/icmblogs/rtp/comunidades/?k=VASCO-GRACA-MOURA-1942-2014--Eduardo-Pitta.rtp&post=47437
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=733483&tm=4&layout=121&visual=49
http://expresso.sapo.pt/vasco-graca-moura-o-escritor-que-nao-acreditava-na-inspiracao=f867400