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segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Abade de Baçal


Capa do Tomo XII de 
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança
(Até há algum tempo, estava disponível um CD, com esta obra completa)

Chegado a Bragança em 68 (estive na região transmontana, os seis concelhos do Norte, dois meses), logo me falaram do Abade de Baçal. Continuava vivo na memória das pessoas. Andava ali, com elas. Doutra pessoa me falaram, mas não vem agora ao caso, e era o engenheiro Camilo de Mendonça.
Visitámos o Museu Abade de Baçal. Sobre ele sempre se fala um pouco e de como algumas peças foram doadas e quem as doou. Um dos amigos do abade era o Montanha. «O Montanha era rico, o abade de Baçal era pobre.» O Montanha deu ao museu uma papeleira pintada. É em tons de azul por fora e com veios rosa por dentro, a imitar mármore. Avançamos, no primeiro piso, e adiante, do lado da rua, uma pintura de Sarah Afonso; mais à frente, uma colecção de desenhos de Almada Negreiros. A senhora que nos guia é boa cicerone, boa «explicadora», como alguém dela disse (a R. sabe).
(Apontamentos de viagem, Verão de 2007)
Além das
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança ou Repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, bio-bibliográficas, heráldicas, etimológicas, industriais e estatísticas interessantes tanto à história profana como eclesiástica do distrito de Bragança (esta 2.ª edição é de 2000: Câmara Municipal de Bragança/Instituto Português de Museus – Museu do abade de Baçal),
publicou
Moncorvo. Subsídios para a sua história ou notas extrahidas de documentos inéditos, respeitantes a esta importante villa transmontana. Porto: Illustração Transmontana, 1908.
Chaves. Apontamentos arqueológicos. Chaves, 1931.
Vimioso. Notas Monográficas. Coimbra, 1968, Publicação da Junta Distrital de Bragança. Co-autoria de Adrião Martins Amado.
*
 Hoje, o Público traz um artigo sobre o abade de Baçal que vale a pena ler. O Nordeste Transmontano não seria o mesmo sem o abade de Baçal.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A Terra e a Gente

     A Terra e a Gente. É uma expressão que me acompanha há muitos anos. Associo-a -- ou nasceu aí mesmo -- a um período que passei em alguns concelhos do distrito de Bragança, incluindo Miranda do Douro. Esta terra é uma das minhas paixões. E havia na Idade Média uma área política-administrativa-militar chamada Terra de Miranda. A Terra e a Gente é o nome que daria a um livro, se fosse capaz de o fazer, que contasse tudo da terra-mãe e suas qualidades e das pessoas em sua luta e nos monumentos que nos foram deixando, da mais variada ordem. Monumento é entendido aqui de maneira muito larga, englobando criações, obras, em suporte material ou imaterial. Se podemos chamar imaterial a algo que temos na memória. Uma conversa havida pode ser um monumento. Uma grande vida é um monumento, mesmo que a pessoa que a viveu não tenha esculpido, pintado, trabalhado a madeira ou a pedra, feito por suas mãos seja que objecto for; mas teve uma ideia, um sonho, prosseguiu, avançou, recuou, chamou a si, converteu, organizou, fundou, defendeu, construiu. Esta vida-monumento anda em algum lugar, mesmo que a sua existência seja só o ter sido. Essa colossal memória, mesmo que não actuada em espírito nenhum, não deixa de ser o ter sido, mesmo sem consciência que a conheça. Tudo o que foi acontecendo no universo em todos os seus «reinos» se vai somando a essa prodigiosa existência sempre em incremento e, assim, o universo em cada instante é infinitamente mais pequeno que o que o antecedeu.
     
     Houve mais Terras; a Terra era uma circunscrição territorial, mas foi a Miranda que me afeiçoei e lá que meditei, fruí a expressão e o que ela encerra. O amor da paisagem, as colinas, as serras, as árvores, a floresta, os campos quase sem coberto vegetal, os rios, as ruas, o amor das pessoas, do que fazem, da história, das histórias, dos animais...

     Aqui marcarão presença: Évora, Montargil e Ponte de Sor, também Lisboa e Torres Vedras, com as aldeias que a rodeiam, entre elas, Sarge, onde habito. E mais povoações e cidades, de cá e lá de fora. Livros, fotografias, postais ilustrados, notícias, coisas do dia-a-dia.