sábado, 19 de novembro de 2016

O Quartel-general de Wellington no Vimeiro

Domingo, 13 de Novembro de 2016
Pelas 15 horas, estava programado o início da última jornada do Ano de Wellington no Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro. Deixo o carro na zona onde estão sediados os edifícios do quartel-general do general Arthur Wellesley, mais tarde duque de Wellington e marquês de Torres Vedras, do hospital de sangue (muito provavelmente?) e a igreja. Vou subindo até ao cimo da colina e, aí chegado, alcanço o Centro de Interpretação, já o Coronel Américo Henriques com a sua veemência contagiante nos dizia da Guerra Peninsular e respectivo contexto. Tempos muito duros. Por mim, lembro muitas vezes a crise ou revolução de 1383-1385, em que nas palavras de Camões n'Os Lusíadas Portugal viveu um «grande aperto». Há semelhanças com os dias de hoje, o que também nos foi apontado.
Para saber mais, pode ver-se as informações contidas nas legendas, abaixo. Há também um pequeno vídeo em que não me canso de ver a parte final, da dança.

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Houve «comunicação do Coronel Américo Henriques sobre “O Povo Português na Guerra Peninsular”, seguida de um passeio evocativo pelo Vimeiro com momentos de animação histórica pelo Grupo de Recriação Histórica do Vimeiro e pelo Grupo “Guerrilha de Montagraço”.»  (Do sítio na internet do Município da Lourinhã)

O coronel Américo Henriques foi veemente. Comunicou entusiasmo a quem o ouvia. As nossas fraquezas também não foram poupadas e assim terá de ser, se se não quiser faltar a um retrato realista. A ida do príncipe regente para o Brasil, o embarque, tesouros abandonados no areal devido à urgência da partida, os milhares que acompanharam D. João... O povo ficou. «Os estados não têm amigos, têm interesses», disse e repetiu o orador na evocação da Guerra Peninsular, dando alguns exemplos. Do que foi dito se concluiu haver semelhanças claras entre a situação portuguesa de há duzentos anos e a vivida actualmente. E nem tudo podemos atribuir aos outros.





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Passeio evocativo

O primeiro passo foi ir ao miradouro. Do outeiro do Vimeiro para o campo de batalha.

Marcha em direcção ao quartel-general, à vista do largo da Igreja.




Rua dos Oficiais. O último edifício à esquerda pertence ao conjunto do quartel-general

Bandeira do Regimento N.º 19



Depois do fracasso dos franceses na tentativa de tomar o outeiro do Vimeiro, Junot mandou atacar na zona da igreja.  Nesta imagem, a Dr.ª Ana Bento explica como foi a reacção popular das pessoas que estavam na igreja juntamente com o padre. Saíram pela porta da igreja inflamados de ira na defesa do seu chão. Num dos painéis cerâmicos da praça do Monumento, entre o Centro de Interpretação e o obelisco, onde não é perceptível a contribuição popular, a legenda:

Antiga Igreja do Vimeiro
21 Agosto 1808
Foi defendida pela brigada Anstruther
do 3.º ataque Francês
                                                                           


Rua 21 de Agosto


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A fúria alegre de hoje, que o pior foi há duzentos anos..., pouco mais. Nestas reconstituições há boa disposição. Pena não ter visto as outras actividades do Ano de Wellington. A brincar também se aprende o nosso passado, quem somos...











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A Dr.ª Ana Bento, do Centro de Interpretação, no uso da palavra



Imagem antiga do quartel-genaral
Seguiu-se projecção de diapositivos, comentados por Ana Maria Martins, apaixonada pela história; já foi presidente da Junta e mantém no facebook um caderno de Apontamentos sobre o Vimeiro e arredores. Aí podemos encontrar fotografias antigas, de pessoas, edifícios, mapas e outros documentos. E ainda um suplemento do jornal Alvorada, «VIMEIRO DOS HERÓIS» (32 páginas): heróis do quotidiano  — autarcas, artesãos, donos de quintas e de algum modo as próprias quintas, párocos, associações culturais e recreativas (Vimeiro e Toledo), estabelecimentos com porta aberta ao público, habitantes já desaparecidos. Dá-se notícia de património histórico em geral. O nosso destaque, entre os artistas, vai para o Sr. Salvador (Salvador Vítor Ferreira da Silva). Pintou cenas da batalha do Vimeiro, sendo dele os painéis cerâmicos da praça do Monumento, o grande «fresco» da batalha no piso inferior do Centro de Interpretação e as placas toponímicas, bem interessantes e algumas delas com a figura de homens e mulheres da terra, com traje personalizado.

Ana Maria Martins, habitante do Vimeiro e profunda conhecedora da história da localidade, vai também falar sobre este edifício histórico, contando pormenores sobre a sua evolução ao longo do tempo. (Do sítio na internet do Município da Lourinhã)
O espaço serviu também de escola primária, sede da junta de freguesia, jardim-de-infância... A dona, Professora Rosa, deu o edifício à igreja, mas desconheço por ora a situação. Muito interessante será conhecer melhor todas as utilizações que foram sendo dadas ao «quartel-general», depois do tempo da batalha até aos nossos dias.



O edifício do quartel-general na altura em que serviu de jardim-de-infância






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A atividade “O Quartel-General de Wellington no Vimeiro” culmina com um lanche temático no Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro. (Do sítio na internet do Município da Lourinhã)



Quando podiam, os ingleses não se privavam (os graduados?) de nada, como se estivessem na loira Albion, por exemplo, a caçada à raposa. Dona Raposa, aqui representada, com dois cachos de uva pendentes. Uva, vinho.

Vinho, a casta arinto. Wellesley apreciava o seu arinto. Aqui o vemos entre a raposa da caçada e  Napoleão caçado dentro do cofre com as nossas riquezas.


Na mesa se vê alguns despojos do lanche oferecido. A raposa está em maior destaque, a propriamente dita. As outras duas compõem o quadro.











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 WELLINGTON E A GUERRA PENINSULAR
EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA


Espólio «composto por um fundo documental doado ao CIBV por Armindo Curto Fernandes e por uma maquete da Batalha do Vimeiro doada pelo Agrupamento de Escolas D. Lourenço Vicente. Está ainda patente uma coleção de soldados da época, emprestada por João Peixoto.» (Ver o sítio na internet do Município da Lourinhã)



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Já de noite, regressamos ao ponto em que deixámos o carro. Esta talvez seja a foto mais verídica da solidão, da pouca luz em que a igreja se recortava. À direita, ficou demasiado escura.



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A actividade «O Quartel-general de Wellington no Vimeiro» foi a última de várias levadas a cabo por iniciativa do Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro (21 de Agosto de 1808). O Coronel Américo Henriques fez uma comunicação sobre O Povo Português e a Guerra Peninsular, após o que se deu início a um passeio pelas ruas do Vimeiro com uma reconstituição histórica a partir da igreja na direcção do quartel-general, de que foi visitada uma sala. Aí recebemos uma lição de história local, nomeadamente os diferentes usos que foram sendo dados ao edifício, contribuindo para o preservar. É uma importante memória que devemos continuar a acarinhar.
Regressando ao Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro, fomos brindados com uma agradabilíssima dança, até pela sua graça singela, ritmo repetido, marcado pelo tambor. Não me canso de rever o vídeo. No fim, lanche temático no CIBV.
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https://www.facebook.com/AMBV1808/ (Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro)
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2016/06/guine-6374-p16252-agenda-cultural-487.html (Programa da Recriação Histórica - 15 a 17 de Julho de 2016, com referência ao grã-tabanqueiro Eduardo Jorge Ferreira, presidente da mesa da assembleia geral da Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro)

OS 125 ANOS DO GRÉMIO ARTÍSTICO TORREENSE

Ontem, foi o primeiro dia do Encontro de Coros do Concelho de Torres Vedras, comemorando os 125 anos do Grémio Artístico Torreense. Actuaram o grupo coral Gaudeamus, o coro da Associação de Reformados do Concelho de Torres Vedras e a Tuna da AUTITV (Associação para a Universidade da Terceira Idade de Torres Vedras).
Hoje, pelas 21:30, será a vez de subirem ao palco o Coro Juvenil da Cidade de Torres Vedras, o Coro Cant'Arte, Renascer e a Camerata Vocal de Torres Vedras.
Deixo uma imagem de cada um dos três coros de ontem. Digamos apenas uma palavra sobre o poema dito por LEONOR MADEIRA evocando o Grémio e a sua história. O poema já é antigo, mas é sempre actual. A palavra é «magnífico».
Toda a gente cantou os parabéns a você ao menino Grémio, representado pelo seu presidente, Sr. José Elias.

Foi uma noite bem passada.
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 Grupo Coral Gaudeamus

Coro da Associação de Reformados do Concelho de Torres Vedras

Coro da AUTITV - Universidade Sénior de Torres Vedras

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Foi ourives dos 11 aos 15 anos

28 de Outubro, 6.ª-feira

Pela primeira vez entrei no edifício da que foi Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, agora partilhado pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.
O que ali me levou foi o colóquio «Delfim Santos e a Educação», integrado nas Evocações do cinquentenário do falecimento (1966-2016). De Delfim Santos guardo uma memória fugaz em que a sua figura ficou delida. Entre 63 e 66, num concerto na Sé de Lisboa, me é dito: «Ali vem o Delfim Santos…» Sabia quem era; o catedrático do curso de Ciências Pedagógicas, na Faculdade de Letras, prestigiado pela sua inteligência e cultura.
No auditório II numa das últimas filas espero um pouco.
15:30.
A conferência de abertura esteve a cargo de António Nóvoa, com moderação de Filipe Delfim Santos. Isto impressionou-me: filho de Delfim Santos, sendo uma pessoa ainda relativamente jovem. Venho a saber que tinha três anos quando o pai faleceu, com 58 anos.
O facto de Delfim Santos ter sido aluno do ensino técnico e daí ter passado à Universidade sempre me tocou. Não era vulgar, com certeza. Ainda nos anos sessenta e setenta não o era. Filipe Delfim Santos falou de seus pais e avós; o que mais me marcou, a frase: «Foi ourives dos 11 aos 15 anos.» Uma encomenda trabalhada em ouro foi entregue após a morte do pai e diz-lhe o cliente, mais ou menos nestas palavras (cito de memória): «Ainda bem que esta obra foi acabada pelo seu pai; agora, não havia quem fosse capaz de a fazer.» Delfim nada disse. Tinha sido ele a executá-la.
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António Nóvoa, sucessor de Delfim Santos na cadeira de História da Educação, desenvolveu o tema «Delfim Santos e a Educação», explicitando as súmulas que iam sendo projectadas em ecrã, sob os títulos «Obra sobre Educação. Cátedra. | 1950 / Centro de Investigação Pedagógica | 1963; 1 – Universidade; 2 – Pedagogia; 3 – Formação de Professores; 4 – Ensino Profissional; 5 – Criança, Escola, Família.» Antecede estes quadros uma referência feita por Jacinto Prado Coelho ao facto de não lhe ter sido concedida a criação de licenciatura e doutoramento na sua área científica, bem como a orientação de seminário onde formasse discípulos no domínio da investigação. No último quadro, lê-se apenas: «Todos os homens têm igualmente a liberdade de serem desiguais» – ao lado da fotografia de Delfim Santos.
Não podendo continuar por motivo pessoal, fico com pena de não ter assistido à mesa-redonda moderada por Justino Magalhães e integrada por
Áurea Adão
Margarida Borges Ferreira
Joaquim Pintassilgo
[Ver programa na primeira hiperligação, abaixo]
Coube a Manuel Ferreira Patrício a conferência de encerramento, «Amplitude e alcance do conceito de “Formação Humana” no pensamento filosófico-pedagógico de Delfim Santos», com moderação de Luísa Ribeiro Ferreira. Não podendo estar presente, deixo, no entanto, duas imagens gentilmente cedidas pela amiga MM, colhidas no decorrer da sessão. Não posso deixar de sentir alguma identidade em Manuel Ferreira Patrício e Delfim Santos, na atitude de obreiros da construção do Homem, como vem sendo expressa há bastantes anos pelo orador de hoje no conceito de «Formação Humana».
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Da importância de Delfim Santos como professor, homem de cultura, cidadão, se pode fazer uma ideia, consultando as páginas para que remetem os endereços electrónicos, abaixo indicados. É muito rico o quadro evocativo, com exposições, encontros, colóquios…
Filipe Delfim Santos, Leonor Santos, Justino Magalhães
(Da esquerda para a direita de quem vê)









Luísa Ribeiro Ferreira  e Manuel Ferreira Patrício
(Fotografia oferecida pela amiga MM)

Manuel Ferreira Patrício na conferência de encerramento
(Fotografia oferecida pela amiga MM)
Como figura universitária primeira no espaço da Pedagogia, desejava o Professor Delfim Santos que fosse decidida a organização duma licenciatura e dum doutoramento nessa área científica, e a criação dum Instituto de Educação, integrado na Universidade . Nada disto — tão simples e tão óbvio —, conseguiu, como lamentavelmente sabemos. Nos «Traços Biográficos» que escreveu para a 1.ª edição das Obras Completas do filósofo e pedagogo lemos estas palavras doloridas e decerto indignadas de Jacinto do Prado Coelho: «Nem lhe foi dado dirigir, como qualquer dos seus colegas, um seminário onde formasse discípulos no domínio da investigação.» O que a Universidade não fez, fez — como na mesa-redonda se evidenciou —, com as limitações institucionais inevitáveis, a Fundação Calouste Gulbenkian, criando o seu Centro de Investigação Pedagógica, cuja direcção lhe entregou. Só em Maio de 1966, a escassos 4 meses da sua inesperada partida, nos apraz registar uma decisão de reconhecimento da sua dimensão e dignidade académica, com a sua nomeação para director do Instituto Pedagógico Adolfo Coelho, anexo à Faculdade de Letras de Lisboa. Idêntico acto de reconhecimento assumiu a Academia das Ciências de Lisboa, que o elegeu sócio correspondente em 1960 e sócio efectivo em 1963. [Manuel Ferreira Patrício na conferência de encerramento]
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http://www.ie.ulisboa.pt/portal/page?_pageid=406,1909972&_dad=portal&_schema=PORTAL (Colóquio «Delfim Santos e a Educação», integrado nas Evocações do Cinquentenário do Falecimento de Delfim Santos (1966-2016))
http://delfimsantos.org/VIDA.htm (Cronologia delfiniana)