terça-feira, 4 de novembro de 2014

Os dizeres nas montras

De repente, a gente começa a ver uns dizeres nas montras. É no Centro Histórico que estas coisas acontecem. É um falar a quem está, a quem passa. É um valor... Depois, saem de cena. A fileira de «barbatanas» no Largo de S. Pedro, ali postas para disciplinar o trânsito, foram muito questionadas. Esse eco ainda soa na montra d'A Brasileira (e vê-se as «barbatanas de tubarão» no reflexo do vidro). Foi esta a primeira frase que vi. Também foi a primeira a desaparecer. Saiu de cena. A da loja da Rua Roque Ferreira Lobo foi retirada há um dia ou dois. 

De outras que me parece ter visto, n'«O Gordo»*, na Rua Miguel Bombarda?, na Gráfica**, na Rua das tias?***, não registei imagem e quando lá voltei a passar, nem sinal, do que houve ou do que nunca chegou a haver. Já não sei.

Foi pedido aos comerciantes que escolhessem uma frase para a sua montra. Possivelmente, uma pergunta, interrogação, anseio. Há sempre uma interrogação.

A luta entre o antigo e o moderno é tremenda nos edifícios. Uns resistem, outros estão vencidos, mesmo mortos. Apesar de tudo, apesar da pressão da nova maneira de viver e das necessidades sociais daí resultantes, o centro histórico continua muito interessante e valioso.

A luta é grande.
___________________
* Cervejaria e restaurante «O Gordo», na Rua Gago Coutinho.
** Rua 9 de Abril.
*** Rua José Eduardo César.


Os dizeres:

O QUE SIGNIFICA ESTAS PINTAS NEGRAS NO NOSSO LARGO?

O QUE É QUE VAMOS FAZER PARA O CENTRO HISTÓRICO NÃO MORRER?

ONDE ESTÁ A VIDA DO NOSSO LARGO?

JÁ VISTE AS MONTRAS HOJE?

OH! O QUE É FEITO DO CENTRO HISTÓRICO?

COMO FAZER PARA O CENTRO HISTÓRICO VOLTAR A SER NOSSO?****

O QUE É PRECISO PARA O CORAÇÃO DA CIDADE BATER MAIS FORTE?

HÁ CIDADES MAIS (+) 
HÁ CIDADES MENOS (-)
HÁ CIDADES MAIS OU MENOS (+/-)
E TORRES VEDRAS ???
É MAIS (+)? ... OU MENOS (-)?

O CENTRO HISTÓRICO É A ALMA DO NEGÓCIO?

ONDE É QUE ESTÃO AS PESSOAS?

ESTAMOS FARTOS DE TANTAS MUDANÇAS. 
VIVA A TRADIÇÃO,
SIM OU NÃO?
_____________________
**** Com quatro «comentários»:
Deixaremos de pensar, que ele é dos políticos!
Para que ele volte a ser nosso não podemos pensar que ele é dos outros...
Utilizá-lo a 00%  [O primeiro zero está meio apagado.] 
Voltar 50 anos para trás

No Largo de S. Pedro








 Montra na Rua Gago Coutinho





Rua Paiva de Andrada




Rua Paiva de Andrada, mais acima





Rua Serpa Pinto

Loja «Escolhido a dedo»


Nesta montra lê-se o reflexo do dizer da montra anterior



As cidades mais e menos da Luisinha




Aproximamo-nos da Xamativa

Em frente, continuação da Serpa Pinto, até à Praça do Município





 Para trás fica a Xamativa, vista da Praça do Município

Rua Roque Ferreira Lobo. Á direita, no n.º 1, nova pergunta

Rua Roque Ferreira Lobo



Edifício da Residencial S. Pedro
À esquerda, a Rua Mousinho de Albuquerque; em frente a Rua Dias Neiva

Aqui começa a Rua Dias Neiva


       Nota: Acrescentada uma frase da montra da Gerlinhos, Largo de S. Pedro, e as fotografias correspondentes, tiradas em 9-12-2014.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Intervenções artísticas em espaços devolutos

Domingo, 2 de Novembro
Ao passar pela Rua dos Celeiros de Santa Maria, no dia 25 de Outubro, manhã de sábado, estava a regalar-me com tudo o que há nela. E estive a apreciar o movimento, por volta das dez horas. As casas, o Passo, as tabuletas dos estabelecimentos, tudo. Arte e vida. História, ruínas. Numa porta já em estado precário, a manusear com cuidado, abriu-se uma nesga para o interior. Um homem novo, bem jovem ainda, ensaiava nela preparativos. Mais tarde no dia, ia ser franqueada ao público para a intervenção artística que ali iria ter lugar, mas, agora, havia que fechá-la. Um grupo de escoteiros dava uma animação especial, tranquila, junto à sede do Grupo 129.
À tarde, visitei A Pérola de Torres. O que vi e senti guardo para mim, não tendo registo de imagens nem apontamento. Como, entretanto, o tempo passa muito rápido ou deixamos que passe, acabou tudo hoje e já não é possível nova visita. A oferta cultural, entendida de maneira lata, em Torres é muito variada e abundante, para não termos a pretensão de saltitar de uma actividade para outra... E diga-se que esta mesma iniciativa a que nos estamos referindo é muito plural no que mostra. Uma área não muito grande tem vidas e vidas, irradia mensagens, somos interpelados a adaptarmo-nos a cada novo mundo por que vamos passando, numa mesma sala ou em toda a casa.
Ficou o que ficou. Foi agradável.
Detive-me mais num dos sectores da exposição; apreciei as fotografias de Eduardo Catarino e fui à procura do autor, por causa de uma. Conversámos sobre ela e pedi-lhe pormenores técnicos. Foi proveitoso, tendo Eduardo Catarino sido de uma amável disponibilidade.
No sábado seguinte, ontem, foi a vez de entrar na ruína, sem ir prevenido de programa. Uma tertúlia, lá no fundo, ia tertuliando, mas era quase inexistente. Estava meia «escondida». Tirei algumas fotografias medíocres, enquanto ia vendo o exposto, à fraca luz. A ruína é estirada, esguia. Acabei sentado numa cadeira, ouvindo algumas palavras ao (não consegui reconhecer na semiobscuridade) arquitecto José Adrião. Estava no fim.
Sem desfeita, o melhor ainda estava para vir. Com dois amigos, estive no Boca Roxa, saímos, conversámos... e fomos andando pelas ruas velhas, mas cheias de gente ainda, que um de nós foi apresentando numa opulência de saber, de vivência, pessoas, casas... «Aqui era a oficina do...    ... que tinha um cavalo muito bonito...    ... que... E eu pedia-lhe, às vezes...    ...» Um festim.
Subimos a Travessa do Quebra-Costas e entrámos no Quebra-Costas Bar. Foi um dia sem jantar em casa. E a culpa, no fundo, é das intervenções artísticas em espaços devolutos.

Um dos anúncios da pág. 4 (toda a eles destinada) do jornal Alta Estremadura, n.º 83, 10-04-1935, publicado em Torres Vedras. Esta mercearia deve ter antecedido no mesmo espaço A Pérola de Torres. !?

 Ao fundo, à direita, a Pérola de Torres
Foto de 14-04-2014

 Foto de 14-04-2014

Foto de 14-04-2014

Foto tirada no dia 25-10-2014, às 9:56

No mesmo dia

 A ruína.
Esta fotografia e as seguintes, menos as três últimas, foram tiradas em 01-11-2014



 Podemos ler a mensagem que transparece no verso desta folha, na imagem seguinte







 De saída

Pintura na parede d'A Pérola de Torres

Foto tirada em 02-11-2014

 Foto tirada em 02-11-2014


       Ver, com a devida vénia a JMD, a reportagem sobre esta iniciativa da Associação Estufa — Plataforma Cultural, incluindo fotografias dos dois pólos: o espaço Pérola e a ruína. AQUIO mesmo agradecimento a VA, pela reportagem fotográfica, publicada nas VEDROGRAFIAS, logo na tarde do primeiro dia.
Associada a esta, a mensagem sobre a Rua dos Celeiros de Santa Maria.