segunda-feira, 27 de abril de 2015

Romaria a Cavalo, em Viana do Alentejo

25 de Abril, último sábado do mês
Estivemos lá, neste dia da chegada dos romeiros a cavalo, desde a manhã. Ficam, aqui, algumas fotografias da Alameda dos Romeiros já com sinais de estar preparada para a recepção das muitas pessoas que ali vão comparecer. Da chegada e desfile dos romeiros, damos testemunho, através das imagens, sem faltar um pequeno vídeo, com parte musical, a cargo da Charanga da S. U. A. (Sociedade União Alcaçovense) e outro, mais breve, em que enquanto se vê o desfile se ouve um canto à Senhora de Aires:
Nossa Senhora de Aires
Que está no seu altar
Todos lá vamos ajoelhar
A cantar, a cantar, vamos rezar.

Senhora, estou contigo
Na tua igreja dos peregrinos

Nossa Senhora de Aires
Que está no seu altar
Todos lá vamos ajoelhar
A cantar, a cantar, vamos rezar.

Senhora, no vosso altar
Os peregrinos vêm rezar

Nossa Senhora de Aires
Que está no seu altar
Todos lá vamos ajoelhar
A rezar, a rezar, vamos cantar.

A espera pelos romeiros fez-se junto ao café-restaurante ROTUNDA, no Largo do Rossio das Hortas (actualmente Largo do 25 de Abril). Quando se torna iminente a chegada dos participantes na romaria, um impulso a não perder a sua apresentação, leva-me à entrada da vila, para o lado dos Bombeiros Voluntários, na direcção das Alcáçovas.
Pensa-se tornar realidade um projecto para utilizar o percurso da romaria, a pé ou de bicicleta..., durante todo o ano.
Trata-se de um projeto que estamos a estudar em conjunto com o professor Carlos Cupeto, docente da Universidade de Évora. O objetivo é “aproveitar” o percurso da Romaria, já existente, e utilizá-lo para ser percorrido a pé ou de bicicleta durante todo o ano, o que já acontece noutros países, com determinados percursos. São cada vez mais aqueles que gostam de caminhadas e são esses que gostaríamos de cativar para conhecer todo o nosso património material e imaterial…
(Da entrevista do presidente da Câmara de Viana a AlentejoHoje.com – ver num dos linques, abaixo)
Centenas de cavalos no desfile. Aqui, apresentamos uma seleccão de imagens e nem a recolha foi exaustiva.
Na hora de deixar Viana, à saída, as imagens de uma casa que se engalanou e do Cine-Teatro.

Sábado, 25
16 h. - Missa vespertina na Igreja Matriz
18 h. - Acolhimento dos Romeiros a Cavalo, no Largo de S. Luís
21 h. - Procissão com as Imagens de N.ª Sr.ª d'Aires e N.ª Sr.ª da Boa Viagem pelas ruas da vila (Zona - Altinho)
Domingo, 26
09 h. 30 min. - Concentração dos Peregrinos e Romeiros no Largo de S. Luís
10 h. - Procissão com as imagens de N.ª Sr.ª d'Aires e N.ª Sr.ª da Boa Viagem para o Santuário
(Acompanhada pela Banda da Sociedade U. Alcaçovense)
11 h. 30 min. - Missa Campal no Santuário, presidida pelo Rev.mº
Sr. Padre António Sílvio Couto
(Tirado, daqui.)
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Sábado, de manhã







De tarde


 A Charanga da S. U. A. aproxima-se do local da sua actuação


 Esperando os romeiros, do lado das Alcáçovas

 Guarda de honra da GNR, a cavalo


 Neste carro, vê-se o Sr. Presidente da Câmara, Bernardino A. Bengalinha Pinto, acenando


 Gente da Associação Equestre de Viana do Alentejo





























Imagem retirada do vídeo



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De saída

Esta casa participou no concurso de janelas, varandas e montras engalanadas
Este ano, o concurso foi alargado a toda a vila




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Entre os dias 22 e 26 de abril centenas de romeiros oriundos de vários pontos do país voltam a cumprir a tradição ao participarem na XV Romaria a Cavalo que liga os concelhos da Moita e Viana do Alentejo.

A chegada a Viana do Alentejo está prevista para dia 25, ao final da tarde. O percurso de cerca de 150 quilómetros, durante 4 dias, é feito pela antiga canada real, mais conhecida por Estrada dos Espanhóis.
A Comissão Organizadora da Romaria a Cavalo que integra as Câmaras da Moita e Viana do Alentejo, Associação dos Romeiros da Tradição Moitense e Associação Equestre de Viana do Alentejo está já a preparar mais uma edição do certame que traz todos os anos centenas de visitantes a Viana do Alentejo.
Para já estão confirmados os patrocínios da Caixa de Crédito Agrícola, Hidrauviana, Diário do Sul, Casa Lanchinha, Vangflor, Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo e ainda a Diocese de Setúbal e a Arquidiocese de Évora.
Recorde-se que a Romaria a Cavalo foi retomada em 2001, após um interregno de mais de 70 anos, recuperando uma tradição em que os lavradores da Moita se deslocavam com os seus animais ao Santuário de N.ª Sr.ª D'Aires para pedir proteção e boas colheitas.
Em 2011 a Romaria a Cavalo foi distinguida com o Prémio Mais Alentejo, na categoria "Mais Tradição" e, em 2013, foi distinguida com uma menção honrosa, na categoria eventos, dos Prémios "Turismo do Alentejo".
(Tirado, daqui.)
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Programa da Romaria a Cavalo 2015
AlentejoHoje.com (Entrevista do presidente da Câmara, esclarecedora da importância e significado deste evento)
Alteração de sinalização rodoviária, por ocasião da 15.ª Romaria a Cavalo
XV Romaria a Cavalo Moita-Viana do Alentejo (vídeo promocional)
A partida da Moita (vídeo)
Associação dos Romeiros da Tradição Moitense
A Romaria no facebook

domingo, 26 de abril de 2015

Mural de Évora - 40 anos do 25 de Abril

25 de Abril de 2015
Ao lusco-fusco, deparo-me, à saída de Évora na estrada para Montemor, perto da Ermida de S. Sebastião, com este mural comemorativo dos quarenta anos do 25 de Abril de 1974. A parede do mural fica depois da casa e do chafariz que se vê nas duas primeiras imagens, do mesmo lado. Aqui fica para documento.
É obra assinada por ANFA (?), AGRICULTURA (BÁRBARA+JÚLIO) QUIRINO, Silva Lopes, IID, A. Couvinha, tozébizarro, UM MURRO NO MURO, Santana Bizarro e João Louro (?), Nadilson, Edgar, SEQUEIRA, Maria Eduarda Zanchet B. e Nel Prull (?).

















sábado, 25 de abril de 2015

O Santuário de Nossa Senhora d'Aires

2 de Abril de 2015, Quinta-Feira Santa
Viana do Alentejo
Chegámos mais ou menos à hora do almoço. Almoçámos no café-restaurante Rotunda, no largo do chafariz, com os edifícios da Misericórdia, em frente. O nome do largo: Rossio das Hortas. É dali que parte a Rua António José de Almeida.
Almoço – sopa de feijão com abóbora muganga, meia dose de iscas com batatas cozidas, para os dois; meia dose de filetes de pescada, para os dois; sobremesa (manga) e café. No final, licor de poejo, oferta da casa, bom para limpar – diz o responsável que nos serviu, com simpatia natural. No café, têm pastel de feijão e folar (padinha).
Depois da visita ao castelo, descemos calmamente a Rua Cândido de Oliveira, passámos pela Praça da República e dirigimo-nos ao santuário de Nossa Senhora d'Aires.
No caminho para lá, passamos por duas hortas, à nossa esquerda: a Horta da Mourranzina e a Horta das Caixinhas. A primeira tem um forte muro branco, portão que deixa ver um largo espaço de entrada. Casa grande, boa construção moderna. A horta seguinte, também com habitação, confina com a Alameda dos Romeiros, em volta do santuário. É uma área desafogada de terreno verde, antes de se chegar à horta propriamente dita. Estas duas hortas recebem o nome de tempos mais antigos. Impressiona a retina e o ouvido do visitante a vista da palavra «hortas», lida em vários lugares e ouvida por leitura mental. Deve ser terra de muitos aquíferos. Nesta altura primaveril, a natureza veste-se de verde. É no Alentejo, pois então. apetece dizer: Viana do Alentejo, terra de hortas...
À volta da igreja, no raso do campo, predomina o arroxeado dos lírios silvestres.
A entrada na nave foi muito breve, sem entrar no altar-mor nem ver os ex-votos deste santuário de Nossa Senhora d’Aires, a uns 2000 metros da vila.
Vim a saber, em Montargil (o meu destino do dia), que o Coro da Academia de Amadores de Música cantava
A Senhora d’Aires
De ao pé de Viana
Tem o seu altar
Tem o seu altar
Feito à romana

com arranjo de Fernando Lopes Graça.


Na interpretação do Coro Sinfónico Lisboa Cantat, ouçamos a beleza e como primazia das vozes femininas e a limpidez, precisa, em tom suave, mas audível das vozes masculinas. Perfeita harmonia.
Repetindo as audições:

A Senhora d'Aires
De ao pé de Viana
Tem o seu altar
Feito à romana

A Senhora d'Aires
De ao pé de Viana
Tem o seu altar
Feito à romana

Tem o seu altar
Feito à romana
A Senhora d’Aires
De ao pé de Viana

Tem o seu altar
Feito à romana
A Senhora d’Aires
De ao pé de Viana



Duas vozes femininas



Todos (mal se percebe os baixos)




Duas vozes masculinas




Todos (melhor se percebe os baixos. Na sílaba final do quarto verso, «na», no remate da canção, os baixos afirmam-se um pouco mais).

 O que disse supõe um ouvido um pouco desatento. Sendo «todo ouvidos», percebe-se e isola-se todas as vozes. Todavia, a impressão inicial, talvez por lhes caber a entrada, digo, mas não estou convencido disso, a voz feminina, em geral, e, especialmente, a soprano, parece ser a guia, a que mais nos leva e enleva. Ao cabo de tudo, todos cantam e contam. É a perfeita harmonia.










(Clique na pauta, para melhor definição.)
Não deixe de ver mais duas versões de A Senhora d'Aires, especialmente o texto e o cante do Grupo Coral Os Almocreves, da Amieira, Portel. De uma religiosidade sincera, límpida, respeito pela natureza (e sentido da vida, da mocidade), como nos tempos de fé. Túlio Espanca, aqui? A evocação da mãe é comovente. Já há a saudade futura da mãe que se vai perder. É pressentida a saudade, pela falta. A Virgem como toma o lugar. As duas mães confundem-se. Estão as duas no céu, estiveram as duas na terra. Continuam na terra, confundem-se.
Sente-se o sagrado da natureza, nesta interpretação. De noite, no Alentejo, vê-se o céu estrelado, com nitidez. Recolhimento da noite. Os pais olham a lua e contam aos filhos a lenda do homem que foi castigado e caminha, carregando um fardo. De dia, o sol. E a mocidade chega e canta, dissipando a tristeza da saudade. É em Setembro. Mês que olha para trás, o Verão, a Primavera que já foi, e para a frente, o Outono já aí, o Inverno que lá vem... E a mocidade traz um céu aberto, a Virgem, até ali metida num deserto, parece um céu aberto.
A rapariga diz: «Vim solteira, vou casada, foi milagre da Santinha.» O rapaz diz: «Vim solteiro, vou casado. Foi milagre da Santinha. Foi milagre da Santinha, foi milagre do Senhor. (E) ó Virgem, Senhora d'Aires, Tão linda..., vai no seu andor.»
O tempo de fé volta nestes minutos que dura o cante. «Cante», para se perceber bem que ali está esta maneira de cantar, na pronúncia, na alma alentejana. Os tempos de hoje talvez não consigam produzir a maravilha do cante alentejano. Resultou de uma vivência, dura sem dúvida, que hoje não existe. Por uns minutos, no entanto, estes homens e mulheres pegam no fogo puro da tradição, vestem-se à antiga, com fatos que foram muito verdade, aprenderam a cantar com medida, ritmo; as palavras são pronunciadas com cuidado e respeito, num esforço de as dizer bem, de as tratar como merecem. As nossas palavras.
          Veja Os Almocreves, VÍDEO E TEXTO,  e a letra e a transcrição musical da versão de A NOSSA SENHORA D'AIRES, de A. Marvão, Vidigueira / Beja, 1920 - 1942.
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Casa da primeira horta

Olhamos à direita, começamos a ver...

... ainda não sabemos o nome da ermida. Dialoga com o santuário de N.ª Sr.ª de Aires


Ermida do Senhor Jesus do Cruzeiro
É dos alvores do reinado de D. João V. «Esteve, até c.ª de 1950, envolvida por muretes do passal e pequena habitação rústica do presbítero, na face do ocidente, a qual desmoronou ulteriormente mas continua terreno do património da paróquia de Viana.» (Túlio Espanca, no Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Évora, I Volume, IX, academia Nacional de Belas Artes, Lisboa,1978.) Valiosos a descrição e mais elementos fornecidos por T. E., na obra referida, p. 456, cols. 1 e 2.  Ver sobre o processo de classificação e mais, o  SIPA; informações e as imagens que documentam o estado actual do monumento em ruinarte, com a devida vénia. ermida emViana do Alentejo

A Alameda dos Romeiros veste-se de lírios roxos
«[...] esteve nos antigos tempos de fé, ensombrada por seis ruas de choupos em linha» (T. E., na obra citada, p. 455, col.1.) 


Santuário de Nossa Senhora d'Aires
Começou a ser construído no ano de 1753, precedendo a demolição, iniciada em 29 de Abril de 1743, do anterior templete quinhentista, por se ter tornado de modestas dimensões para o crescente número de visitantes. Bênção e inauguração solene da igreja, em 15 de Março de 1760, mas as obras só vieram a ficar concluídas em 1804, tendo na segunda sagração, dia 13 de Maio, estado presente o grande arcebispo de Évora, D. Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas.


No adro, em frente do templo, o obelisco da sagração de 1804



Lírio silvestre


Que veio este lírio fazer à igreja? 
A brisa exterior não permitia uma completa imobilidade; foi precisa a serenidade do templo, para tentar melhor fotografia

A nave e o altar-mor


O santuário
Está dentro de baldaquino de talha dourada e tem quatro altares. «Em delicada maquineta envidraçada», a imagem de N.ª Sr.ª de Aires (Piedade) «peça gótica de pedra de ançã, policromada e de características de fins do séc. XV [...] mede de alt. 35 cm». (T. E., na obra citada, p. 453, col.2.) 



Encimando o arco redondo, na abóbada, atributos marianos, na imagem e nas palavras. O da esquerda está praticamente apagado. Na imagem seguinte consegue ver-se parte das letras e perceber-se o círculo do Sol.

 Electa ut sol                  Speculum sine macula           Pulchra ut luna   
                                       Eleita como o Sol                   Espelho sem mácula             Bela como a Lua

(Editado, em 28-04-2015)