segunda-feira, 10 de novembro de 2014

É o Porto. Ponto final!

7 de Novembro

É o Porto. Ponto Final!
Chegamos ao Porto e deparamos com duas grandes telas, no átrio da Câmara Municipal. A Avenida dos Aliados estava à nossa espera, mas pela primeira vez na vida não foi abordada pela parte de baixo, olhando de frente para o edifício triunfal, na torre que dialoga com os Clérigos e a Sé. Nos Aliados, o triunfo é da beleza, da urbanidade e cidadania, o grande espaço aberto de convívio. O triunfo não é contra ninguém.
       Pois, desta vez, demandámos os Aliados pelo lado da Trindade e pudemos ver a estação do metropolitano. Na Praça da Trindade, a igreja do mesmo nome e a parte posterior  da Câmara Municipal formam um conjunto digno.

Alcançada a fachada principal, fomos ao que aqui nos trouxe, assistir à apresentação do livro de Pedro Baptista, DA FOZ VELHA A'O GRITO DO POVO: a oposição maoista à ditadura: Memórias [1948-1974], com apresentação de Rui Moreira (presidente da Câmara), José Manuel Lopes Cordeiro (historiador), José Queirós (jornalista) e José Sousa Ribeiro (editor). 

Chama logo a atenção o novo logótipo da Câmara Municipal, que é vivido como da cidade e dos portuenses. É da maior simplicidade: Porto. (Porto, ponto.) 

O carácter desta cidade, a sua importância cultural, tem sobre mim o efeito de uma conversão imediata em portuense, assim que lhe piso o chão. E quando daqui saio, estou sempre à espera de voltar, na condição de portuense imperfeito.

Estamos no Porto. Vivamos nós e viva o Porto. É isto, também, que sinto ao ver a marca Porto no átrio da Câmara, verdadeiro salão nobre. 


É o Porto. Ponto final.





     O logótipo inspira-se nos azulejos da cidade do Porto (é mais um painel) e está estampado sobre um conjunto de ícones, simbolizando edifícios de vário uso, igrejas, actividades de lazer, a zona ribeirinha. Todo o conceito, e o desenvolvimento que teve, pode ser acompanhado, AQUI. Reconhecido internacionalmente.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Rua dos Celeiros de Santa Maria

Começamos por mostrar imagens da procissão do Senhor dos Passos, no dia 16 de Março do corrente ano. Depois, passamos para estes últimos dias, que andaram à roda das «intervenções artísticas em espaços devolutos», nos espaços Pérola e Ruína (25 Out. a 01 Nov '14), sendo que uma das imagens é de 14 de Abril. A Rua dos Celeiros de Santa Maria nem sempre teve este nome, naturalmente, porque era aqui a judiaria. Dessa história nos fala o texto transcrito, com a devida vénia, no final desta mensagem. Daí, quem quiser, pode partir para ampliar os seus conhecimentos, bebendo em fontes que apazigúem a sua sede de saber.
A rua tem bares e outros estabelecimentos abertos ao público (pelo menos a    OFICINA DUkABELO), bem como a sede dos Escoteiros, Grupo 129. De tudo se pode fazer uma ideia, imaginar. Este pequeno texto é apenas um testemunho de apreço por esta pequena artéria, pequena mas cheia de significado para quem o consiga sentir ou pressentir.




Vê-se, ao fundo, o edifício d'A Pérola de Torres e a entrada da Rua dos Celeiros de Santa Maria
 Foto de 14-04-2014













Rua da Cruz. À direita, a Rua dos Celeiros de Santa Maria

Trecho da Rua da Cruz, visto da Rua dos Celeiros de Santa Maria

Rua dos Celeiros de Santa Maria. Ao fundo, a Rua do Terreirinho

O espaço Ruína

O espaço Pérola, na parte que dá para a Rua dos Celeiros de Santa Maria

*
Na verdade, a primeira referência ao bairro judaico torriense data do reinado de D. Dinis, mais precisamente de 1322, quando, num documento, é mencionado o filho de um tal João Pais da Judiaria. Contudo, num processo ocorrido, em 1407, entre a comuna dos judeus torrienses, por um lado, e as igrejas da vila mais o cabido da sé de Lisboa, por outro, o procurador da primeira alegou que “El Rey dom Afonso que deus de perdom asynara a dita judaria aos Judeus da dita villa que pelos tempos fossem pera morarem em ella e que era Isenta” (subentende-se que das dízimas pessoais a que os eclesiásticos queriam submetê-la). Teria sido, pois, D. Afonso IV a obrigar os judeus da vila a ir morar na judiaria, embora só pouco a pouco os cristãos que ali residiam tivessem sido afastados dela. //
Tratava-se de uma só rua, como acontecia em muitas outras urbes do reino, aquela a que hoje se chama dos Celeiros de Santa Maria, e ficava, então como agora, localizada perto da igreja de S. Pedro, bem no coração comercial da vila. Nela existe um altar dos Passos que marca o lugar onde a tradição diz que havia uma Sinagoga. Na documentação do período medieval que compulsámos, contudo, não encontrámos qualquer referência a tal templo, nem a outros edifícios que sabemos terem existido comummente nos bairros judaicos da época, tais como a escola, a cadeia, o hospital, os banhos públicos, a estalagem, a carniçaria para venda de carne cosher… Como espaços próprios aos seguidores do culto mosaico, para além da judiaria, apenas nos deparámos com o local onde se efectuavam os despejos, o chamado monturo dos judeus, situado por trás do castelo, fora das muralhas.
(Ana Maria Rodrigues, do Centro de História/Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, «Os judeus e a judiaria de Torres Vedras até à expulsão de 1496», in Judiarias, Judeus e Judaísmo, coord. de Carlos Guardado da Silva, Edições Colibri, 2013, p. 151-152. Foram eliminadas as notas.)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Os dizeres nas montras

De repente, a gente começa a ver uns dizeres nas montras. É no Centro Histórico que estas coisas acontecem. É um falar a quem está, a quem passa. É um valor... Depois, saem de cena. A fileira de «barbatanas» no Largo de S. Pedro, ali postas para disciplinar o trânsito, foram muito questionadas. Esse eco ainda soa na montra d'A Brasileira (e vê-se as «barbatanas de tubarão» no reflexo do vidro). Foi esta a primeira frase que vi. Também foi a primeira a desaparecer. Saiu de cena. A da loja da Rua Roque Ferreira Lobo foi retirada há um dia ou dois. 

De outras que me parece ter visto, n'«O Gordo»*, na Rua Miguel Bombarda?, na Gráfica**, na Rua das tias?***, não registei imagem e quando lá voltei a passar, nem sinal, do que houve ou do que nunca chegou a haver. Já não sei.

Foi pedido aos comerciantes que escolhessem uma frase para a sua montra. Possivelmente, uma pergunta, interrogação, anseio. Há sempre uma interrogação.

A luta entre o antigo e o moderno é tremenda nos edifícios. Uns resistem, outros estão vencidos, mesmo mortos. Apesar de tudo, apesar da pressão da nova maneira de viver e das necessidades sociais daí resultantes, o centro histórico continua muito interessante e valioso.

A luta é grande.
___________________
* Cervejaria e restaurante «O Gordo», na Rua Gago Coutinho.
** Rua 9 de Abril.
*** Rua José Eduardo César.


Os dizeres:

O QUE SIGNIFICA ESTAS PINTAS NEGRAS NO NOSSO LARGO?

O QUE É QUE VAMOS FAZER PARA O CENTRO HISTÓRICO NÃO MORRER?

ONDE ESTÁ A VIDA DO NOSSO LARGO?

JÁ VISTE AS MONTRAS HOJE?

OH! O QUE É FEITO DO CENTRO HISTÓRICO?

COMO FAZER PARA O CENTRO HISTÓRICO VOLTAR A SER NOSSO?****

O QUE É PRECISO PARA O CORAÇÃO DA CIDADE BATER MAIS FORTE?

HÁ CIDADES MAIS (+) 
HÁ CIDADES MENOS (-)
HÁ CIDADES MAIS OU MENOS (+/-)
E TORRES VEDRAS ???
É MAIS (+)? ... OU MENOS (-)?

O CENTRO HISTÓRICO É A ALMA DO NEGÓCIO?

ONDE É QUE ESTÃO AS PESSOAS?

ESTAMOS FARTOS DE TANTAS MUDANÇAS. 
VIVA A TRADIÇÃO,
SIM OU NÃO?
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**** Com quatro «comentários»:
Deixaremos de pensar, que ele é dos políticos!
Para que ele volte a ser nosso não podemos pensar que ele é dos outros...
Utilizá-lo a 00%  [O primeiro zero está meio apagado.] 
Voltar 50 anos para trás

No Largo de S. Pedro








 Montra na Rua Gago Coutinho





Rua Paiva de Andrada




Rua Paiva de Andrada, mais acima





Rua Serpa Pinto

Loja «Escolhido a dedo»


Nesta montra lê-se o reflexo do dizer da montra anterior



As cidades mais e menos da Luisinha




Aproximamo-nos da Xamativa

Em frente, continuação da Serpa Pinto, até à Praça do Município





 Para trás fica a Xamativa, vista da Praça do Município

Rua Roque Ferreira Lobo. Á direita, no n.º 1, nova pergunta

Rua Roque Ferreira Lobo



Edifício da Residencial S. Pedro
À esquerda, a Rua Mousinho de Albuquerque; em frente a Rua Dias Neiva

Aqui começa a Rua Dias Neiva


       Nota: Acrescentada uma frase da montra da Gerlinhos, Largo de S. Pedro, e as fotografias correspondentes, tiradas em 9-12-2014.