28-3-2013
Ainda a entrevista de José Sócrates, na RTP 1
Proceder, como na mensagem anterior.
http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2013/03/28/jose-gomes-ferreira-e-luis-delgado-analisam-entrevista-de-socrates
sexta-feira, 29 de março de 2013
Lição de Ginástica
28-3-2013
5.ª-feira Santa, manhã
Lição de ginástica
Estas imagens estão no grande átrio interior da Câmara Municipal de Torres Vedras. São figuras de madeira, estátuas, que lembram o boneco articulado de Pinóquio feito pelo Mestre Gepeto. Quem vem do exterior, logo as vê, e causam um belo efeito.Têm qualquer coisa de figuras de teatro, numa lição de ginástica. As fotografias não estão boas.
Voltarei um pouco a este assunto.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Cantigas
Cantigas
Depois
de me levantar, dei comigo a cantar uma cantiga que ouvi, era rapazinho, a uma
senhora nova, solteira, ainda, ou recém-casada. Após algumas tentativas,
consegui acertar com a música. A letra, também foi aparecendo:
Já passei a roupa a ferro,
Já passei o meu vestido;
Amanhã, vou-me casar
E o Manel é o meu marido.
Todos me querem
E eu quero alguém.
Quero o meu amor,
Não quero mais ninguém.
*
E o marido dela era ou veio a ser um Manuel.
Penso que já era.
*
Pesquisando
na internet, encontrei a canção toda e agora a memória aparece intacta.
Já passei a roupa a ferro,
Já passei o meu vestido;
Amanhã, vou-me casar
E o Manel é o meu marido.
Todos me querem
E eu quero alguém.
Quero o meu amor,
Não quero mais ninguém. (2x)
O Manel é meu marido
O Manel é quem me adora
O Manel é quem me leva
Da minha casa para fora
Todos me querem… (2x
Da minha casa para fora
Da minha casa para dentro
O Manel é quem me leva
No dia do casamento
Todos me querem… (2x)
*
Depois, recomeça…
Ver, no
you tube:
http://www.youtube.com/watch?v=xp1VJPv1nEk
http://www.youtube.com/watch?v=xp1VJPv1nEk
sábado, 23 de março de 2013
Passeio à beira-mar
Fomos ver o mar. Na rotunda, junto ao Parque de
Campismo, parámos um pouco para tirar algumas fotografias. Passámos pelo
«pagode» de Dina Pereira, bela habitação no seu espaço envolvente, bem cuidado,
e por outras casas que esta construtora fez, a olhar para o mar.
Santa Rita foi o destino da pequena viagem. Que
bem nos soube ser lavados pelo ar e pela luz, pelo social do encontro com
outras pessoas, desconhecidas, e a sensação de poder infinito que o mar nos
impõe. Ele não impõe. Envolve e adverte.
A avenida que leva a Porto Novo, na foz do rio
Alcabrichel, tem o nome de Jacinto Leandro, anos atrás, presidente da Câmara
Municipal de Torres Vedras. Este espaço foi anteriormente de pista de
aviação, privada, servindo o Hotel Golf Mar.
Regresso, com paragem na arriba da praia do
Mirante.
Vejamos algumas fotografias.
Na rotunda para Santa Cruz, esperam-nos os anzóis
Parque de Campismo
A entrada do Parque
Avenida Dr. Jacinto Leandro
Vai até à ponte sobre o rio Alcabrichel
Bar Portal
À esquerda, quando se vai de Torres para Santa Rita
O Bar Portal
Rotunda, com hotel ao fundo
A mesma rotunda
Do lado de quem vai para o Hotel Golf Mar
A caminho do Hotel Golf Mar
O nosso «Monte de S. Michel»
Hotel Golf Mar
Foz do Alcabrichel
Rio Alcabrichel
Cafés, restaurantes, residenciais
O mesmo
Hotel Golf Mar
Às 18 h e 25 min., em Santa Rita
O céu da Praia do Mirante, às 18 h e 38 minutos
sexta-feira, 22 de março de 2013
Primavera
Tarde de 21 de Março
Começou a Primavera.
É dia para fotografar a igreja de S. Pedro, mais uma vez. As nuvens moviam-se,
do lado de A Brasileira para o lado da Rua Dias Neiva; ora brancas, ora um
tanto escuras, a roubar a luz. E clareiras de azul.
Deparei com o corrimão, necessário para
evitar percalços ao visitante, mas de algum modo obstáculo visual. Melhor seria
as coisas terem ficado como estavam. Os degraus singelos permitiam entrar na
igreja, simplesmente, e faziam com ela uma personalidade única; agora estão
afogados por um quase palanque no seu verniz brilhante, desapossados por uma
geração mais nova de degraus, largos e espaçosos, com uma espécie de
efemeridade adolescente.
Igreja de S. Pedro, com corrimões
Igreja de S. Pedro, com corrimões e pombos
Laranjeiras, a-par-de-S. Pedro
Idem
Deixo aqui uma homenagem sentida às
laranjeiras, à laranjeira, com tudo o que ela é e simboliza na nossa cultura.
Sítio para trepar, madeira, frutos que matam a fome e a sede e lembram o ouro,
na sua riqueza, folhas para fazer chá, e flor branca.
Um historiador árabe chora os laranjais de que se tiveram de separar os
da sua gente, quando vencidos pelos cristãos. E um poeta medieval anónimo
deixou-nos esta formosa prenda:
CANTIGA DE
AMIGO
ANÓNIMO
Meu naranjedo non
ten
fruto, mas agora
ven.
No me le toque
ninguen.
Meu naranjedo frolido,
el fruto non ll'é
vĩindo,
mas agora ven.
Non me le toque
ninguen.
Meu naranjedo
granado,
el fruto non ll'é
chegado,
mas agora ven.
No me le toque
ninguen.
« ... ... ... Colhida na tradição oral por Barbieri, no
séc.XVI ... ... Apesar da sua simplicidade, não é das mais
antigas poesias que andavam na tradição oral, pois a laranjeira só foi
introduzida pelos Árabes na Península no século XI ou XII ... ...
Como se vê nas formas ten, ven, ninguen, em rima, esta
poesia foi originàriamente composta em português.
Tema: a donzela
sente florescer a sua juventude como na Primavera floresce um laranjal.
... ...
...
granado: (do l. granatu-, que tem muito grão,
coberto de grãozinhos) em flor.»
Nota -- A cantiga
e os esclarecimentos foram colhidos em Textos
Portugueses Medievais, de Corrêa de Oliveira e Saavedra Machado. Em 1890, publicava-se em Espanha o Cancionero
Musical de los siglos XV e XVI, transcrito e comentado por Francisco Asenjo Barbieri (1823-1894).
quarta-feira, 20 de março de 2013
Tratado Teológico-Político
Espinosa
O Tratado Teológico-Político
Acabei de ler há dias esta grande obra. Nela, o autor faz uma crítica da Bíblia, conhecedor do hebraico que era (não dominava o grego), e vê aí uma mensagem ou conteúdo que os erros, emendas, contradições, não conseguem apagar. Essa é a verdade, o essencial que não muda: a palavra de Deus, a verdadeira escritura está dentro de nós, na mente. É necessário procurar a excelência da virtude; o amor pelo próximo, a caridade, a vida verdadeira.
O método que segue para interpretar com segurança a Bíblia é o mesmo que segue para interpretar a natureza.
Reflecte sobre a sociedade, o poder soberano, os vários tipos de pessoa, com diferentes mentalidades e capacidades, a plebe e os sábios. As pessoas medem-se pelas suas obras. Importante: as ideias que se tem e a vida que se leva. A maior riqueza é a vida que se leva, segundo valores de razão, fraternidade.
Chego ao fim do livro e penso por momentos que todo o Tratado Teológico-Político que fica para trás é a preparação deste último capítulo, o XX: a defesa da liberdade, no foro íntimo de cada um; reduto que deve ser inacessível. E o Estado democrático é o que mais se aproxima do estado de natureza.
Nota: A edição do T. T.-P, que li e donde foram tirados alguns textos e títulos de capítulos que seguem, é a da INCM.
É, com efeito, evidente, pelo que acabei de expor, que o conhecimento e a fé nessas histórias são extremamente necessários ao vulgo, cuja maneira de ser é incapaz de perceber as coisas clara e distintamente. (P. 186)
O vulgo, por conseguinte, só tem de conhecer as histórias que melhor possam incutir-lhe no ânimo a obediência e a piedade. Mas, o vulgo não é sequer suficientemente apto para ter uma opinião sobre estas matérias, e por isso gosta mais das narrativas e do seu lado insólito e inesperado do que propriamente da doutrina aí contida. Donde, além da leitura das histórias, precisa ainda de pastores ou ministros da Igreja que o ensinem de maneira adequada à suas fracas capacidades. (P. 187)
[As ideias que se tem e a vida que
se leva
As obras, os frutos]
Capítulo XII
Do Verdadeiro Texto da Lei Divina
E por que razão a escritura se designa por sagrada
e se considera a palavra de Deus.
Onde se demonstra, em suma, que a mesma escritura,
enquanto portadora da palavra de Deus,
chegou até nós intacta
Com
efeito, tanto a razão como as declarações dos profetas e dos apóstolos proclamam
abertamente que o verbo eterno de Deus, o seu pacto e a verdadeira religião
stão inscritos pela mão divina no coração dos homens, isto é, na mente do
homem: é esse o verdadeiro documento de Deus, aquele que ele próprio autenticou
com o seu selo, quer dizer, com a ideia de si, essa como que imagem da sua
divindade.
Capítulo XIII
Onde se mostra que a escritura
só ensina coisas muito simples
e não tem por objectivo senão a obediência;
mesmo da natureza de Deus, ela não ensina
senão aquilo que os homens podem imitar
através de uma certa regra de vida
Capítulo XIV
O que é a fé, quem é que é fiel,
Com
efeito, uma vez que não podemos compreender pela luz natural que a simples
obediência é uma via para a salvação*, e uma vez que a revelação ensina
acontecer assim por uma singular graça de Deus impossível de atingir pela
razão, segue-se que a Escritura veio trazer aos mortais uma enorme consolação.
É que todos podem obedecer e só um número muito reduzido, se o compararmos com
a totalidade do género humano, adquire o hábito da virtude conduzido apenas
pela razão, de tal maneira que, se não tivéssemos o testemunho da Escritura,
seria caso para duvidar da salvação de quase todos.
*Isto
é, só a revelação, e não a razão [nós não sabemos naturalmente] pode ensinar
que é suficiente para a salvação ou beatitude aceitar esses decretos divinos
como regras ou mandamentos, e que não é necessário concebê-los como verdades
eternas, conforme se vê pelas demonstrações apresentadas no capítulo IV.
Capítulo XVII
Onde se mostra que é impossível e desnecessário
alguém transferir todos os seus direitos
para o poder soberano; como era o estado hebraico
enquanto viveu Moisés e como foi depois,
entre a morte deste e o início da eleição dos reis;
até que ponto ele estava numa posição privilegiada
e quais as razões por que desapareceu, enfim,
o estado teocrático e porque é que
só se não houvesse luas intestinas ele poderia subsistir.
Capítulo XVIII
Onde se deduzem,
a partir das instituições hebraicas
e da sua história,
alguns princípios políticos
Capítulo XIX
Onde se demonstra que o direito em matéria religiosa
pertence integralmente às autoridades soberanas
e que o culto externo não deve perturbar
a paz do Estado, se se quer obedecer fielmente a Deus
Capítulo XX
Onde se demonstra que num estado livre
é lícito a cada um pensar o que quiser
e dizer aquilo que pensa
E, todavia, é inegável que tanto se podem cometer crimes de lesa-majestade por actos como palavras, razão por que, se é de facto impossível retirar completamente esta liberdade aos súbditos, também será altamente pernicioso conceder-lha sem quaisquer restrições. (P. 366)
O verdadeiro fim do Estado é, portanto, a liberdade. (P. 367)
A
única coisa, pois, a que o indivíduo renunciou foi ao direito de agir segundo a
sua própria lei, não ao direito de raciocinar e de julgar. Por isso, ninguém
pode, de facto, actuar contra as determinações dos poderes soberanos sem lesar
o direito destes, mas pode pensar, julgar e, por conseguinte, dizer
absolutamente tudo, desde que se limite só a dizer ou a ensinar e defenda o seu
parecer unicamente pela razão, sem fraudes, cólera, ódio ou intenção de
produzir por sua exclusiva iniciativa qualquer alteração ao Estado. (P. 367)
[Etc., etc.]
E
não há dúvida que esta maneira de governar é a melhor e a que traz menos
inconvenientes, porquanto é a que mais se ajusta à natureza humana. Com efeito,
num Estado democrático (que é o que mais se aproxima do estado de natureza),
todos, como dissemos, se comprometeram pelo pacto a sujeitar ao que for comummente
decidido os seus actos, mas não os seus juízos e raciocínios; quer dizer, como
é impossível os homens pensarem todos do mesmo modo, acordaram que teria força
de lei a opinião que obtivesse o maior número de votos, reservando-se,
entretanto, a autoridade de a revogar quando reconhecessem que havia outra
melhor. Sendo assim, quanto menos liberdade de opinião se concede aos homens,
mais nos afastamos do estado mais parecido com o de natureza e, por
conseguinte, mais violento é o poder. (Pp. 371-372)
O Tratado Teológico-Político
Acabei de ler há dias esta grande obra. Nela, o autor faz uma crítica da Bíblia, conhecedor do hebraico que era (não dominava o grego), e vê aí uma mensagem ou conteúdo que os erros, emendas, contradições, não conseguem apagar. Essa é a verdade, o essencial que não muda: a palavra de Deus, a verdadeira escritura está dentro de nós, na mente. É necessário procurar a excelência da virtude; o amor pelo próximo, a caridade, a vida verdadeira.
O método que segue para interpretar com segurança a Bíblia é o mesmo que segue para interpretar a natureza.
Reflecte sobre a sociedade, o poder soberano, os vários tipos de pessoa, com diferentes mentalidades e capacidades, a plebe e os sábios. As pessoas medem-se pelas suas obras. Importante: as ideias que se tem e a vida que se leva. A maior riqueza é a vida que se leva, segundo valores de razão, fraternidade.
Chego ao fim do livro e penso por momentos que todo o Tratado Teológico-Político que fica para trás é a preparação deste último capítulo, o XX: a defesa da liberdade, no foro íntimo de cada um; reduto que deve ser inacessível. E o Estado democrático é o que mais se aproxima do estado de natureza.
Nota: A edição do T. T.-P, que li e donde foram tirados alguns textos e títulos de capítulos que seguem, é a da INCM.
ANTOLOGIA
[A plebe, o vulgo, os sábios]
Assim,
se alguém quiser ensinar uma doutrina a toda uma nação, para não dizer a todo o
género humano, e quiser ser entendido por todos e em todos os pormenores, terá
de a demonstrar unicamente pela experiência e adaptar os seus argumentos e as
definições das coisas que vai ensinar à capacidade de compreender própria da
plebe, que constitui a maior parte do género humano, em vez de os encadear e de
apresentar as definições que melhor serviriam para esse efeito. Caso contrário,
condena-se a escrever unicamente para os sábios, quer dizer, não poderá ser
entendido senão por um punhado de homens proporcionalmente reduzido. (P. 185)
É, com efeito, evidente, pelo que acabei de expor, que o conhecimento e a fé nessas histórias são extremamente necessários ao vulgo, cuja maneira de ser é incapaz de perceber as coisas clara e distintamente. (P. 186)
O vulgo, por conseguinte, só tem de conhecer as histórias que melhor possam incutir-lhe no ânimo a obediência e a piedade. Mas, o vulgo não é sequer suficientemente apto para ter uma opinião sobre estas matérias, e por isso gosta mais das narrativas e do seu lado insólito e inesperado do que propriamente da doutrina aí contida. Donde, além da leitura das histórias, precisa ainda de pastores ou ministros da Igreja que o ensinem de maneira adequada à suas fracas capacidades. (P. 187)
As obras, os frutos]
Tão-pouco
está nos meus projectos refutar aqui a opinião dos que admitem que a luz
natural não pode ensinar nada de útil no que respeita à verdadeira salvação.
Quem a si mesmo não reconhece uma réstea de razão também não pode provar com
razão alguma a opinião que sustenta. E se eles se vangloriam de possuir algo de
superior à razão, isso não passa de pura ficção, que é de longe inferior à
razão, como se tem visto pela vida que habitualmente levam. Mas sobre isto, não
é preciso dizer mais nada. Acrescentarei apenas que não se pode conhecer
ninguém a não ser pelas suas obras. Por isso, quem produzir em abundância
frutos como a caridade, a alegria, a paz, a paciência, a benevolência, a
bondade, a fé, a afabilidade, a temperança, aos quais, como diz Paulo, na sua Epístola aos Gálatas, cap. V, 22, a lei
não se opõe, esse, quer se guie só pela razão ou só pela Escritura, é realmente
guiado por Deus e possui a beatitude. E é tudo quanto queria dizer acerca da
lei divina. (P. 188)
Do Verdadeiro Texto da Lei Divina
E por que razão a escritura se designa por sagrada
e se considera a palavra de Deus.
Onde se demonstra, em suma, que a mesma escritura,
enquanto portadora da palavra de Deus,
chegou até nós intacta
Capítulo XIII
Onde se mostra que a escritura
só ensina coisas muito simples
e não tem por objectivo senão a obediência;
mesmo da natureza de Deus, ela não ensina
senão aquilo que os homens podem imitar
através de uma certa regra de vida
Capítulo XIV
O que é a fé, quem é que é fiel,
quais os fundamentos da fé
e como se distingue da filosofia
está ao serviço da razão, nem a razão da teologia,
e se apresenta o motivo por que estamos persuadidos
da autoridade da sagrada escritura
e como se distingue da filosofia
Capítulo XV
Onde se demonstra que nem a
teologiaestá ao serviço da razão, nem a razão da teologia,
e se apresenta o motivo por que estamos persuadidos
da autoridade da sagrada escritura
Capítulo XVI
Dos fundamentos do Estado,
do direito natural e civil de
cada indivíduo
e do direito dos soberanos
Onde se mostra que é impossível e desnecessário
alguém transferir todos os seus direitos
para o poder soberano; como era o estado hebraico
enquanto viveu Moisés e como foi depois,
entre a morte deste e o início da eleição dos reis;
até que ponto ele estava numa posição privilegiada
e quais as razões por que desapareceu, enfim,
o estado teocrático e porque é que
só se não houvesse luas intestinas ele poderia subsistir.
Onde se deduzem,
a partir das instituições hebraicas
e da sua história,
alguns princípios políticos
Onde se demonstra que o direito em matéria religiosa
pertence integralmente às autoridades soberanas
e que o culto externo não deve perturbar
a paz do Estado, se se quer obedecer fielmente a Deus
Onde se demonstra que num estado livre
é lícito a cada um pensar o que quiser
e dizer aquilo que pensa
[Os
três primeiros períodos rezam assim:]
Se fosse tão fácil mandar nos ânimos como é mandar nas línguas, não havia nenhum governo que não estivesse em segurança ou que recorresse à violência, uma vez que todos os súbditos viveriam de acordo com o desígnio dos governantes e só em função das suas prescrições é que ajuizariam do que era bom ou mau, verdadeiro ou falso, justo ou iníquo. Mas isto, como já observámos no início do capítulo XVII, não é possível. A vontade de um homem não pode estar completamente sujeita a jurisdição alheia, porquanto ninguém pode transferir para outrem, nem ser coagido a tanto, o seu direito natural ou a sua faculdade de raciocinar livremente e ajuizar sobre qualquer coisa. (Pág. 385)
[A paragem, aqui, é arbitrária. Deve continuar a ler-se até à página seguinte e, mesmo, até «é este, conforme anunciei no início do capítulo XVI, o meu objectivo principal», já na página 367.]
Se fosse tão fácil mandar nos ânimos como é mandar nas línguas, não havia nenhum governo que não estivesse em segurança ou que recorresse à violência, uma vez que todos os súbditos viveriam de acordo com o desígnio dos governantes e só em função das suas prescrições é que ajuizariam do que era bom ou mau, verdadeiro ou falso, justo ou iníquo. Mas isto, como já observámos no início do capítulo XVII, não é possível. A vontade de um homem não pode estar completamente sujeita a jurisdição alheia, porquanto ninguém pode transferir para outrem, nem ser coagido a tanto, o seu direito natural ou a sua faculdade de raciocinar livremente e ajuizar sobre qualquer coisa. (Pág. 385)
[A paragem, aqui, é arbitrária. Deve continuar a ler-se até à página seguinte e, mesmo, até «é este, conforme anunciei no início do capítulo XVI, o meu objectivo principal», já na página 367.]
E, todavia, é inegável que tanto se podem cometer crimes de lesa-majestade por actos como palavras, razão por que, se é de facto impossível retirar completamente esta liberdade aos súbditos, também será altamente pernicioso conceder-lha sem quaisquer restrições. (P. 366)
O verdadeiro fim do Estado é, portanto, a liberdade. (P. 367)
Espinosa. O selo de espinosa
Espinosa
Caute
O selo de Espinosa

Spinoza colocaba este sello lacrado en toda su correspondencia. Las siglas B D S valen por Baruch de Spinoza. Vemos una rosa y la palabra latina "Caute" (cuidadosamente, con cautela), que supuestamente era el lema de Spinoza, aunque fue siempre violado por él. Primero al hacerse expulsar por sus correligionarios judíos, y luego al tomar y expresar posiciones revolucionarias ante la religión y la política, a pesar de no contar con aliados poderosos que lo protegieran.
Colocar enigmas en sellos y/o escudos era una costumbre muy medieval. Se han sugerido varias interpretaciones para el sello de Spinoza. Según una de ellas, el hecho de que la rosa tenga espinas hace que sea "spinosa." Combinando esto con el ¿adverbio? Caute, el enigma podría interpretarse como Cavete Spinosam, o "Cúidense de Espinoza," o "Cuidado, esto es de Spinoza," dando a entender que el contenido de las cartas era peligroso de leer. Como se sabe, a Spinoza lo perseguían los católicos, los judíos y todos los fundamentalistas de su época. Deliberadamente se quedó solo ante todas las jaurías.
Otra interpretación es que Spinoza recomendaba mantener su filosofía sub rosa o sub silentio para evitar una inútil exposición al odio, la controversia y la persecución.
Ambas interpretaciones tienen sentido y me parece que no se contradicen.
(Epistolario de Spinoza, Colihue, Buenos Aires, 2007).
Caute
O selo de Espinosa
Tem
interesse a divisa de Espinosa, na relação com a sua vida e obra. Selava as
cartas com o anel. Um anel mostra o gosto do seu dono e este revela a atitude,
o cuidado que precisava de ter na sociedade e que punha na elaboração dos seus
pensamentos. B D S — Baruch de Spinoza; Caute — Cautela ou Tem cuidado.
O que de
melhor encontrei na rede é o texto, a seguir:
MARTES, 27 DE JULIO DE 2010

Spinoza colocaba este sello lacrado en toda su correspondencia. Las siglas B D S valen por Baruch de Spinoza. Vemos una rosa y la palabra latina "Caute" (cuidadosamente, con cautela), que supuestamente era el lema de Spinoza, aunque fue siempre violado por él. Primero al hacerse expulsar por sus correligionarios judíos, y luego al tomar y expresar posiciones revolucionarias ante la religión y la política, a pesar de no contar con aliados poderosos que lo protegieran.
Colocar enigmas en sellos y/o escudos era una costumbre muy medieval. Se han sugerido varias interpretaciones para el sello de Spinoza. Según una de ellas, el hecho de que la rosa tenga espinas hace que sea "spinosa." Combinando esto con el ¿adverbio? Caute, el enigma podría interpretarse como Cavete Spinosam, o "Cúidense de Espinoza," o "Cuidado, esto es de Spinoza," dando a entender que el contenido de las cartas era peligroso de leer. Como se sabe, a Spinoza lo perseguían los católicos, los judíos y todos los fundamentalistas de su época. Deliberadamente se quedó solo ante todas las jaurías.
Otra interpretación es que Spinoza recomendaba mantener su filosofía sub rosa o sub silentio para evitar una inútil exposición al odio, la controversia y la persecución.
Ambas interpretaciones tienen sentido y me parece que no se contradicen.
(Epistolario de Spinoza, Colihue, Buenos Aires, 2007).
segunda-feira, 18 de março de 2013
Espinosa.Os quatro retratos
Os quatro retratos de Espinosa
Há
quatro retratos de Espinosa, um, uma gravação apensa a Opera Posthuma; um segundo, em Wolfenbüttel; um terceiro, no início
da edição de Schaarschmidt do Korte
Verhandeling, a partir de uma miniatura antigamente na posse da falecida
rainha da Holanda; e, finalmente, um, na posse do Hon. Mayer Sulzberger. Do último pode seguir-se o rasto até à posse do cardeal de Rohan, a quem se
diz ter sido dado por judeus seus rendeiros*. Está assinado «W. V., 1672» (ou
1673), o que corresponderia às iniciais do pintor W. Vaillant, que nesse ano vivia
em Amsterdão; Vaillant pintou o retrato do eleitor Karl Ludwig, que, no ano
seguinte, convidou Espinosa para Heidelberg. Este retrato tem claramente feições
judaicas, concordando assim com a miniatura da rainha da Holanda, enquanto o
retrato de Wolfenbüttel é inteiramente desprovido de traços judaicos. Colerus
declara que Espinosa era de marcado tipo judaico, o que confirmaria a
autenticidade da pintura de Vaillant, embora esta tenha, infelizmente, sido
«restaurada». Até agora não foi patente ao público, mas foi dada em facsimile
como frontispício deste volume de The
Jewish Encyclopedia.
*Seria melhor traduzir por «arrematadores das rendas».
Consultar a página da rede, de onde foi retirada esta informação, notando que o ano de referência é 1906. Ver sob a secção Works, 2.º parágrafo:
*Seria melhor traduzir por «arrematadores das rendas».
Consultar a página da rede, de onde foi retirada esta informação, notando que o ano de referência é 1906. Ver sob a secção Works, 2.º parágrafo:
http://www.jewishencyclopedia.com/articles/13964-spinoza-baruch-benedict-de-spinoza
A pesquisa das imagens guiou-se pelo texto acima e são apresentadas por essa ordem.
A pesquisa das imagens guiou-se pelo texto acima e são apresentadas por essa ordem.
Retrato gravado, em Opera Posthuma
Tradução da legenda, em versão livre:
BENTO DE ESPINOSA
A quem a
natureza, Deus, a
quem a ordem das coisas é conhecida.
Nesta atitude, Espinosa era digno
de ser visto.
Reproduziram a face do homem, mas
pintar a mente
Não puderam as hábeis mãos de
Zêuxis.
Ela está vigorosa nos escritos:
ali versa coisas sublimes:
Tu que o desejas conhecer, sejas
quem fores, lê os escritos.
Pintur anónima, cerca de 1665
Hezog August Bibliothek, Wolfenbüttel
Espinosa, na edição de Schaarschmidt do Korte Verhandeling...
O Espinosa, de Wallerant Vaillant
http://caute.ru/spinoza/gala.htm
domingo, 17 de março de 2013
O Problema Espinosa
O Problema Espinosa
Há umas semanas, acabei de ler, indicado por um amigo, O Problema Espinosa. De
Espinosa, já tinha lido a Ética e
quase todas as Cartas. No
livro de Irvin Yalom, a vida e o pensamento de Espinosa são-nos apresentados de
maneira clara e confesso que me foi proveitoso. O romance apresenta-nos,
alternadamente, capítulos sobre Espinosa e Alfred Rosenberg, anti-semita a
cuja evolução assistimos, desde os dezasseis anos até chegar a alto dirigente
do Partido Nazi e editor-chefe do seu jornal, o Völkischer Beobachter. Como é possível tal pessoa interessar-se por
Espinosa? A ligação é feita através de Goethe, autor admirado por Rosenberg. O
Director Epstein obriga-o a apresentar um trabalho, «tem de ler os capítulos
números catorze e dezasseis da autobiografia de Goethe, e tem de transcrever
cada frase que ele escreveu acerca de Benedito Espinosa». No capítulo trinta
assistimos a uma sessão de terapia com o amigo de infância, Friedrich Pfister,
em que se volta a Goethe e a Espinosa. Rosenberg sentia-se atormentado por
Hitler. Friedrich: «Tenho a certeza que ele teria dito que você está sujeito a
paixões que são provocadas por ideias inadequadas, em vez de o serem pelas
ideias que fluem de uma verdadeira procura para tentar entender a natureza da
realidade.» […] «Alfred, o senhor está a retirar conclusões muito rapidamente.
[…]»
«— O senhor está sempre a defender os judeus.
—Ele não é um representante dos judeus. Ele abraça a razão
pura. Os judeus expulsaram-no.»
O problema Espinosa chega ao fim. A sessão é interrompida
por Rudolf Hess. Vão os dois até à sala onde Hitler se encontra à espera.
Rosenberg é como reabsorvido por Hitler, que lhe concede o Prémio Nacional
Alemão. Diz-se recuperado. O amigo de infância deixa de existir.
«Alfred caminhou num passo apressado até ao seu quarto e
começou rapidamente a fazer as malas. Alguns minutos mais tarde, Friedrich
bateu à porta do quarto.
— Vai-se embora, Alfred?
— Sim, vou-me embora.
— O que aconteceu?
— O que aconteceu é que eu já não preciso dos seus
serviços, Herr Oberleutnant Pfister.
Regresse imediatamente às suas funções, em Berlim.»
Chega a parecer tratar-se de dois romances justapostos. Prefiro
o romance-espinosa. Podia ler-se, independentemente do outro.
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