sexta-feira, 29 de junho de 2018

No Porto

15, 16, 17 de Junho, sexta, sábado e domingo
De manhã, descemos a Rua de Camões, casas relativamente baixas, sóbrias no aparato exterior, lembrando muita Lisboa dos anos 50 e 60 (ainda hoje), mesmo em ruas e avenidas importantes. Afirmam a consistência de uma cidade, que porfia em persistir no seu ser, convivendo bem com edifícios de autor, digamos, a Casa da Música, ou ao serviço de grandes empresas... Da consistência e força são exemplo as igrejas, a estação de São Bento, os Aliados, o granito, a muralha-miradouro da Ribeira...
Detemo-nos no mural do Colectivo RUA e BreakOne, olhamos a igreja da Lapa a distância. Alguém nos diz que há concertos na igreja.
De tarde, percorremos a alameda ribeirinha, junto ao Jardim do Passeio Alegre. A casa onde faleceu António Nobre em risco de demolição, uma estátua de Camões, o monumento de homenagem a Ferreira de Castro, o grupo escultórico comemorativo do centenário de Raul Brandão, vamos apreciando... Da rápida visita à Cantareira, levado pelo respeito pela vida e obra de Raul Brandão, deixo imagens que pretendem ser homenagem ao grande escritor, verdadeiro pintor do rio, do céu, das casas, dos campos, da vida dos pescadores, numa gradação subtil das cores que as suas palavras nos fazem ver...
Da Cantareira, entrando pela Rua de São João da Foz, fizemos o percurso até à artéria principal, perto do Passo. A partir daí, fomos até à igreja, descemos junto ao alçado lateral da casa de Raul Brandão e voltámos tomando o caminho inverso, como as imagens documentam. Restava continuar, um último olhar para trás de despedida à Casa dos Pilotos. ainda a Rua do Passeio Alegre, depois, à beira-rio, Rua de Sobreiras, Rua do Ouro, sendo o último ponto desta etapa o cais com a ponte da Arrábida à vista. 
(Veja, depois das fotografias, o soneto 4 de António Nobre no , secção SONETOS.)

15 de Junho, manhã

Ribeira Negra, por Coletivo RUA e BreakOne 
Homenagem à vida dura na Ribeira, homens, mulheres, crianças, animais..., trabalho, tarefas domésticas, tempo livre... Esta Ribeira Negra lembra o painel de azulejos com o mesmo nome, assinado  por Júlio Resende, a receber os visitantes à saída da Ponte de D. Luís e pouco antes do Túnel da Ribeira.

Cruzamento da Rua de Camões com a Rua do Paraíso
Ao fundo, a Igreja de Nossa Senhora da Lapa



15 de Junho, tarde

Avenida do Brasil
«A casa de dois pisos, que há muito estava ao abandono, vai ser demolida e substituída por um novo edifício, que irá integrar o projecto imobiliário Panorama e que inclui, ainda, o prédio contíguo, com características Arte Nova.» (Ver, aqui, artigo do Público on-line, 24-02-2018. Ou aqui.)

Google Maps, captura de imagem de Março, 2015

Cantae-me, n’essa voz omnipotente,
O sol que tomba, aureolando o mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a graça, a formosura, o


                  António Nobre, in «Só»


Avenida do Brasil

Avenida do Brasil
Monumento a Camões, 1980, no IV centenário da sua morte

Rua do Coronel Raul Peres


Fortaleza de São João da Foz
Avenida de Dom Carlos I/Esplanada do Castelo


«A flor da paz», na mão firme de Ferreira de Castro
Homenagem da Associação Internacional dos Amigos de Ferreira de Castro e dos Artistas Luso-Brasileiros, 1988

 A Ferreira de Castro, Sonho duma Humanidade,1988, de José Rodrigues

Este monumento tocou-me e pediria uma descrição/interpretação. Uma observação atenta e os dizeres da placa comemorativa sejam bastantes





Jardim do Passeio Alegre

Avenida D. Carlos I – Jardim do Passeio Alegre
Grupo escultórico em bronze, comemorativo do centenário do nascimento de Raul Brandão
Escultor Henrique Moreira e arquitecto Rogério de Azevedo
http://avintes.net/henrique_moreira.htm (09-05-1890 - 16-02-1979)

Olhando para trás


***

A casa onde nasceu Raul Brandão






Um dos Passos da Foz do Douro





Igreja de São João Baptista da Foz do Douro

São João Baptista


Ecce Agnus Dei (Eis o Cordeiro de Deus), palavras do Baptista, referidas no Evangelho de S. João, 1,29





















































***

Já deixamos para trás a Casa dos Pilotos – Rua do Passeio Alegre
18:27

18:31

Rua do Passeio Alegre





Cais do Ouro
Há lancha com ligação a Afurada, Vila Nova de Gaia
*

4

Ó Virgens que passais, ao sol-poente,
Pelas estradas ermas, a cantar !
Eu quero ouvir uma canção ardente,
Que me transporte ao meu perdido Lar.

Cantai-me, nessa voz omnipotente,
O Sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a Graça, a formosura, o luar !

Cantai ! cantai as límpidas cantigas !
Das ruínas do meu Lar desaterrai
Todas aquelas ilusões antigas

Que eu vi morrer num sonho, como um ai …
Ó suaves e frescas raparigas,
Adormecei-me nessa voz … Cantai !


          Porto, 1886. 
(, edição da Livraria Tavares Martins, Porto, 1979, secção SONETOS, pág. 150.)

1 comentário:

  1. GOSTEI..., de "viajar" por aqui...
    Uma cidade que sempre nos surpreende...!!!
    Continuação de boas férias.
    AG

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