sábado, 17 de maio de 2014

25 de Abril: Torres Vedras, experiências de liberdade

16 de Maio de 2014
Com uma segunda exposição de carácter documental me deparei, hoje, ao subir ao primeiro andar do edifício dos Paços do Concelho, da Praça do Município, no átrio defronte do auditório onde decorreu o primeiro dia de TURRES VETERAS XVII: encontro internacional de história.
Em

                                25
abril
TORRES VEDRAS
experiências de liberdade


Ezequiel dos Santos dá-nos os «anos de consolidação», na sua perspectiva.
Venerando de Matos escreve, a modo de legenda, um texto para cada painel, que, no seu conjunto, são uma guia dos quadros então vividos.
As fotografias reflectem momentos dos dias

26 de Abril de 1974, nas ruas de Torres Vedras;
26 para 27 de Abril de 1974, na libertação dos presos políticos de Peniche;
1 de Maio de 1974, na primeira comemoração livre;
25 de Abril de 1975, primeiro aniversário;
Diferentes momentos — 1975; e
25 de Abril de 1977, comemoração do 1.º aniversário da promulgação da Constituição de 1976.

No último painel (25 Abr 1977), inclui-se, a fechar, uma nota sobre Ezequiel Santos e a ficha técnica.











     Nota: tenho algum constrangimento em publicar as imagens e os textos, por me sentir demasiado devedor aos autores. O meu agradecimento. Quis completar o ciclo de exposições sobre o 25 de Abril.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Traços de Liberdade


Outra exposição, sobre o 25 de Abril, de teor diferente, pelo carácter de intervenção artística e forte empenho emocional, é  a que está patente em salas dos anteriores Paços do Concelho, na Praça do Município. O acesso faz-se, a partir da sala de estar do rés-do-chão (jornais, revistas, computadores), havendo também porta para a Rua Roque Ferreira Lobo, em espaço que foi padaria do Sr. Anselmo Alves.

Destaco, de Sophia, a poesia escrita numa das paredes:
                                               25 de Abril
Esta é a madrugada que se esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da morte e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

                                                  Sophia de Mello Breyner Andresen 

*








25 de Abril

     Este ano o dia 25 de Abril foi mais uma vez comemorado, pelo significado que tem na vida dos portugueses, de cada um como pessoa e de todos enquanto comunidade. Vivemos com os outros, os sócios, na sociedade,  que é o lugar dos sócios, naturalmente. A esta primeira sociedade, a que costumamos chamar a sociedade civil, mãe de todas as outras que os homens para lugar de encontro vão criando, dificilmente alguém se pode eximir, sem correr o risco de deixar de ser pessoa ou de ficar diminuído nessa qualidade.

     O 25 de Abril foi sentido -- é sua matriz -- como uma libertação. 25 de Abril é liberdade. É Liberdade. Os quarenta anos do 25 de Abril foram este ano sendo lembrados e vividos de maneira especialmente empenhada e emotiva, por parte de muitos, devido à circunstância social e política destes últimos anos.

     Vem isto a propósito da exposição comemorativa ou memorial do 25 de Abril  e do ambiente político e social que se lhe seguiu, de iniciativa da Câmara Municipal, organizada pelo Arquivo e Biblioteca, no espaço multisserviços do edifício-sede. Visitei-a quatro vezes; duas, despreocupadamente; na terceira, mais atentamente e com registo de fotografias. A quarta, foi em casa, ao apreciar atentamente e à vontade a informação oferecida.

     Em 1974, não vivia em Torres Vedras, o que aumentou muito o desejo de conhecer um pouco do que aqui se passou, do ambiente de então, interessado que sou pelas pessoas e coisas da agora também minha terra. Pessoas, coisas, onde incluo monumentos, naturais ou da arte do homem.

     Logo na primeira vez, tive noção da qualidade, da beleza dos textos, mormente daqueles de que se sabia estar por detrás um autor conhecido, sendo a diferença entre a apresentação a cada um dos textos e o próprio texto, pouco discernível a uma vista apressada. Vim a confirmar, agora, que é um trabalho bem feito. Aproveita-se algumas das melhores expressões da vivência de Abril, os textos têm qualidade literária. E foi esta percepção que me fez voltar e dar, aqui, alguma coisa da exposição.

     Nas fotografias, não conheço praticamente ninguém, na multidão. Um amigo, que por acaso lá encontrei, indicou-me uma pessoa muito conhecida, enquanto jovem de cerca de vinte anos. Com  a ajuda, reconheci, mas jamais o conseguiria sozinho. Na terceira vez, conversando com um senhor um pouco mais velho do que eu, contou-me: F. disse-me:

      -- Já viste a exposição sobre o 25 de Abril? 

     -- ...    ...

      -- Vai lá ver, apareces numa fotografia!

     Era a manifestação do 1.º de Maio. Mostrou-me a foto e, depois de saber, vê-se que é a mesma pessoa, já bastante diferente, naturalmente.

*




















































domingo, 11 de maio de 2014

Já recordando Vasco Graça Moura

... nem acordo, nem concordo, nem recordo, nem discordo, nem desacordo...

Melhor é não haver isto. E não se falar disto. Estávamos mais ou menos bem...

Hoje, na p. 37 da Revista do Público, Nuno Pacheco vem lembrar VGM, a propósito de um assunto muito importante. O que ele disse é

                                                              TUDO MENOS
                                                              TEIMOSIAS
                                                              DE UM VELHO


Inauguração do Centro Pastoral

     Torres Vedras, 11 de Maio de 2014, cerca das 16 horas

     Inauguração do Centro Pastoral

     Neste domingo, teve lugar a cerimónia de inauguração do Centro Pastoral, perto da zona verde da Várzea e em frente  do Asilo de S. José. O grande salão estava cheio e as pessoas, de pé, chegavam até ao grande átrio da entrada.

     Antes do início da cerimónia propriamente dita, Eduardo Frutuoso explicou com a brevidade possível, na amenidade e clareza a que nos habituou, o significado litúrgico dos elementos fundamentais do espaço da celebração.

     Apontando a figuração na parte central , ao fundo, inscrita numa faixa escura que desce na perpendicular, diz-nos: Os três homens que se dirigiram a Abraão*, todos de branco, representam povos ou ramos da humanidade; a cor da silhueta sugere a diferença, a mesma cor branca proclama a fundamental igualdade. São figuração da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Na mesa, presente a mesma ideia, nos três pés, em primeiro plano, e nos dois suportes dos candelabros, cada um dividido, longitudinalmente, em três tiras.

     Além deste espaço, existe outro, mais pequeno, em que também se pode celebrar a eucaristia. Os elementos litúrgicos são amovíveis, podendo aqui ter lugar palestras, encontros...

*

     Seguidamente, e concluído este proémio, em cortejo, teve início a celebração. Ao lado de D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, tiveram assento os dois párocos in solidum das paróquias de Torres Vedras, os diáconos, Dr. Pina e Dr. Cruz, e acólitos. À primeira fila do anfiteatro, foi conduzido por alguém nestes primeiros momentos o Sr. Padre Horácio, por muitos anos pároco nesta cidade.

     D. Manuel Clemente agradeceu a presença de todos, começando pelas entidades, nomeadamente os presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal. Não se esqueceu de agradecer o apoio recebido de quem ajudou a erguer este grande empreendimento de carácter sociocaritativo, desde a paroquiana que doou o terreno, a Câmara Municipal, os que projectaram, acompanharam, supervisionaram, até aos operários, que executaram. Referiu, ainda, a arquitectura do lugar em que se encontrava reunida esta assembleia, à sua larga entrada e à forma oval, agradável. 

     A forma oval tem o seu quê de ausência de limite, de princípio, de permanente nascer.

     O patriarca de Lisboa, desenvolveu a ideia da missão pastoral, de guia e ajuda a todos os membros da comunidade. E mesmo das ovelhas que estão fora  do redil, o pastor cuida. As imagens do pastor e suas ovelhas são retiradas de um mundo -- disse -- em que a vida pastoril era muito vulgar, mas continuam a valer nos nossos dias, pelo seu significado. A figura do bom pastor que leva aos ombros a ovelha simboliza a entreajuda, a ajuda aos mais fracos.


     Cá fora, o dia está lindo, cheio de sol. Atravesso toda a Várzea, passando pelo monumento ao bombeiro e pelo memorial dos mortos do concelho de Torres Vedras, na guerra do Ultramar. Os seus nomes estão registados em três faces do pedestal. Na face frontal (a quarta), uma coroa de flores oculta os dizeres lá inscritos, da pena do Dr. Jaime Umbelino.

     Sentei-me numa mesa de café do Centro Histórico, a escrever estas linhas.

*
     * Ver Génesis, 18, 1-15.

*

     Ainda a tempo: depois da minha saída, houve a bênção do Centro Pastoral e descerramento da placa comemorativa.

     Caída a cortina e retirados os elementos litúrgicos, depois de o local de novo disponível, discursaram os Srs. Padre Dionísio, Presidente da Câmara Municipal, Secretário de Estado da Administração Local e D. Manuel.

     Desde o início do projecto ao seu término, previsto inicialmente para 2000, e com algumas atribulações de permeio, passaram 18 anos. A boa obra aí está, concentrando as diversas valências que se encontravam dispersas pela cidade. 

     Seguiu-se visita às instalações, com porto de honra, no fim. Tudo terminou, pelas 19 h e 30 min.
      (Actualizado, às 15 h. de 12-05-2014.)