domingo, 7 de setembro de 2014

Pelas ruas de Torres Vedras 3

          Rua Miguel Bombarda (antiga Rua de S. Pedro)

Nascido no Rio de Janeiro, em 1851, de pais portugueses. Miguel Bombarda veio para Lisboa, onde frequentou a Escola Médico-Cirúrgica, no Campo de Santana. Foi médico distinto e professor de várias disciplinas na escola em que se formou. Autor de numerosos livros da sua especialidade, a sua acção foi também desenvolvida, através de conferências e de intervenção cívica, mais ou menos directa ou informal, no convívio com as pessoas que com ele tinham contactos. Contemporâneo de outro ilustre médico na especialidade de saúde mental, Júlio de Matos, e do Dr. Sousa Martins. Especializado na área da psiquiatria deixou o seu nome ligado ao Hospital de Rilhafoles, mais tarde renomeado Hospital Miguel Bombarda. As ideias que professava e defendia no campo da filosofia eram de inspiração positivista. Atacava asperamente os jesuítas.
Activo defensor do ideário republicano e lutando para instituir esse regime, veio a morrer, assassinado por um seu ex-doente, de quem lhe tinham dito que estava curado, no dia 3 de Outubro de 1910, véspera da Revolução de Outubro.
Damos, no fim, alguns elementos de consulta, inclusive sobre o Hospital Miguel Bombarda, entretanto desactivado, mas constituindo rico património arquitectónico e histórico-cultural. São muito importantes as modificações que estão previstas para todo o parque de saúde da colina de Santana, com a projectada construção do novo Hospital de Todos os Santos, em Chelas.
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Mataram o dr. Bombarda. Espalha-se na cidade que foram os padres que instigaram o tenente a assassiná-lo. É falso, mas há correrias no Rossio, e o “Portugal” foi apedrejado. Toda a gente acredita num crime planeado, toda a gente se insurge contra o facto brutal, toda a cidade republicana se transforma num vulcão. No Rossio juntaram-se grupos de gente taciturna e desesperada: Mataram-no! Mataram-no!
       (Raul Brandão --  Memórias)

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Rua Miguel Bombarda, vista do lado da igreja de S. Pedro

Idem

Idem

Idem

Idem

Foto Franco

 Idem

A primeira porta, à esquerda dava acesso à International House, actualmente ministrando o seu ensino de inglês junto à Expotorres, Rua S. Gonçalo de Lagos. Mais à frente, a importante casa de Ferragens de Joaquim Marques dos Reis, hoje Casa do Sporting, em Torres Vedras.

A Casa do Sporting 

«Ferragens, louças, vidros, ferramentas», memória de uma grande casa
Estas palavras, numa fachada tão rica, assentam como um brasão

À direita, identificado com uma placa, o edifício onde está a TUNA - 1.º andar
No rés-do-chão, a CASA PRIMAVERA, que encerrou as suas portas





Curioso conjunto, o formado pelo edifício branco, onde esteve até há pouco o JARDIM DE MODAS, e o seguinte -- a CASA DAS CHAVES. À excepção do espaço ocupado pela oficina, todo  o restante é acedível pelo que foi o JARDIM DE MODAS, com três janelas para o Largo do Município. Quase se pode dizer que a casa está dentro da fonte. Sobra uma janela para a oficina, onde trabalham os Srs. João Ventura da Silva, pai, e o filho, João. É uma frontaria de luxo.




O MILA GAIPA, jornal do Centro Histórico de Torres Vedras, n.º 2, Agosto/Setembro de 2014, traz um interessante artigo de Marina Xavier, intitulado CASA DAS CHAVES/ há 30 anos a fazer história na Rua Miguel Bombarda; foto de Luís Firmo.





Aqui, finda a Rua Miguel Bombarda. Para cá, é a Praça do Município, com a respectiva numeração de polícia.

A fachada do fontanário





Referências
Livro de Paulo Araújo, da Caleidoscópio, Miguel Bombarda  -- Médico e Político
http://aparteoutsider.org/?page_id=74
http://www.vidaslusofonas.pt/BOMBARDA.htm
http://www.centenariodarepublica.org/centenario/2010/03/31/miguel-bombarda-como-se-fabricou-um-martir-da-republica/
http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/licenciamento/pedido-de-informacao-previa-das-operacoes-de-loteamento-a-realizar-nos-hospitais-de-sao-jose-de-santa-marta-dos-capuchos-e-miguel-bombarda/hospital-miguel-bombarda
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3579304&page=-1

sábado, 6 de setembro de 2014

Pelas ruas de Torres Vedras 2

Rua Dr. Carlos França (continuação)

Vista da Rua Dr. Carlos França, a partir da Rua Paiva de Andrada

Rua Paiva de Andrada

Fotografia tirada de junto ao cruzamento com a Rua António Batalha Reis

Idem

Idem

Idem

Depois do cruzamento com a Rua Batalha Reis

Foto tirada junto ao cruzamento com a Rua Brigadeiro Neves Costa

O mesmo

Mais adiante, cruzamento com a Rua Álvaro Galrão

O mesmo

O mesmo

O mesmo

Cruzamento com a Rua Álvaro Galrão

Rua Álvaro Galrão, para o lado da encosta do Varatojo

Continua a Rua Dr. Carlos França


Aproximamo-nos da Rua Teresa de Jesus Pereira; antes da curva, o edifício hoje desactivado do  edifício onde funcionou O Mundo da Criança, com jardim-de-infância e 1.º ciclo do ensino básico.

Perspectiva inversa; aproximamo-nos d'O Mundo da Criança, que fica agora à esquerda


Aqui era O Mundo da Criança, hoje, a funcionar junto à localidade do Barro, com novas e amplas instalações, educando crianças do pré-escolar, primeiro e segundo ciclos do ensino básico.

Vista da rua, com o prédio onde esteve instalado O Mundo da Criança, à nossa esquerda.

Depois d'O Mundo da Criança, virando à direita, vemos já a Rua Teresa de Jesus Pereira

A Rua Dr. Carlos França, vista da Rua Teresa de Jesus Pereira

À esquerda, quintal do que já foi O Mundo da Criança

Árvore e muro do pátio d'O Mundo da Criança

Hoje, há feira rural

     Logo de manhã, põe-se tudo a jeito. Preparam-se as bancas. Um grupo de quatro ou cinco músicos, com acordeão, passa em frente à Brasileira, pára uns momentos, trocam-se palavras, segue para o Mercado Municipal. Sons alegres no ar.
      São perto de nove horas.   







terça-feira, 2 de setembro de 2014

Tarde de Folclore na Feira do Mato, Turcifal

31 de Agosto
Não exagero muito, se disser que estava roído de saudades do Turcifal. Aproveitei a viagem da carreira (Torres Vedras-Lisboa) e fui mirando tudo à volta, cavalos brancos à torreira na Quinta do Calvel, à esquerda. O Carvalhal... e os caminhos directos, a pé -- há dois --, para se ir em linha recta ao Turcifal, ladeando vinhas. Fui, algumas vezes, pelo que parte junto ao campo da bola.
Às 16 h. e 15 min., apeio-me e encho os olhos pela largueza de rua que a estrada faz, ali, com a igreja de Santa Maria Madalena e as tendas umas a seguir às outras, variadas, coloridas, uma festa. É a Feira do Mato. Em frente, o café Lampião. Outra fila de tendas, à esquerda, até ao largo da escola primária, da residência paroquial e algumas residências esplêndidas, entre elas a denominada O Deserto, que associo logo à cartuxa de Burgos, personagem, podemos dizer, do romance homónimo de Manuel Ribeiro, escritor muito reconhecido nos anos vinte do século passado e hoje quase esquecido.
Não tive a preocupação de tudo registar, queria também fruir. Isso talvez explique um certo desequilíbrio nos vídeos, que não dão o mesmo espaço aos três ranchos. Beneficiados ficaram não sei como os açorianos, talvez inconscientemente, por estarem lá tão longe no meio do mar. No meio do mar também estamos, os continentais, mas eles estão mais. Compensei este desequilíbrio, com o slideshow, na medida do possível, e acrescentando duas fotos, a iniciar, do grupo organizador e convidante: o Rancho Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares da Mugideira.
No fim, deixa-se algumas palavras sobre cada um dos vídeos e letras ou o que conseguimos decifrar pela audição. Uma das canções encantou. A da chamarita. Por várias razões; até, pela própria palavra, levada, ela e a dança e música, a várias partes do mundo pelos emigrantes açorianos.
Actuou primeiro o rancho da Mugideira, seguido pelo da Ribeira de Fráguas (Albergaria-a-Velha) e o Grupo Folclórico Doce Esperança de Santa Cruz (Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores).



Slideshow

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Os vídeos, de 1 a 9

1
Rancho da Mugideira
Quem anda no meio é uma linda flor/Agora, é que é certo arranjar seu amor/Já cá vai fechada no meu coração/O meu coração não é pedra dura/È como a laranja, quando está madura/Não é pedra dura, o meu coração./Ora, adeus, adeus, adeus, que me vou./Não chores, amor, que eu ainda aqui estou.

2
Rancho de Ribeira de Fráguas
Não se chega a cantar nada.
3
Rancho de Ribeira de Fráguas 
Ouçam bem a minha voz./O vira, que eu hoje canto, já o cantou meus avós./O vira, que eu hoje canto./Este vira valseado, já meu avô o dançava na eira da minha avó,/Quando havia desfolhada,/Na eira da minha avó.
Há repetição de versos e intermezzos de música.

4
Rancho de Ribeira de Fráguas
... o verde-gaio é verde./É verde, como o dinheiro./O verde-gaio é verde,/É verde, como o dinheiro./... ... .../Ó verde-gaio, toma lá, dá cá./Ó verde-gaio, toma lá, dá cá./... ... .../
5
Grupo Folclórico Doce Esperança, Santa Cruz, Santa Cruz, Praia da Vitória, ilha Terceira
O apresentador dá algumas informações, de carácter histórico.

6
O mesmo grupo
São prestadas mais informações sobre o mesmo grupo folclórico; actualmente, é «constituído por quarenta e quatro elementos, com idades compreendidas entre os quatro e os sessenta (setenta?) e três anos. Destes, vinte e oito elementos são dançarinos, oito são do instrumental e sete, nas vozes». Música regional terceirense, trajes de diversas épocas históricas da ilha Terceira, quase todos de fabrico artesanal; utensílios relativos à agro-pecuária, ao amanho artesanal da terra e ao ciclo da lã. Historial das actividades do rancho, até ao presente. Participa nas tradicionais festas do Espírito Santo, em Angra do Heroísmo, as Sanjoaninas, e nas diversas edições do Festival Internacional de Folclore da ilha Terceira, organizado pelo COFIT — Comité Organizador de Festivais Internacionais, bem como nas festas do concelho da Praia da Vitória, em desfiles etnográficos e demais manifestações de carácter cultural. Também participa no Dia da Comunidade ou Dia do Apreço, do Destacamento norte-americano da Base das Lajes. Em 2012, juntou-se à comunidade portuguesa dos estados Unidos da América, na Califórnia, para participar nas maiores festas religiosas de Nossa Senhora dos Milagres, na cidade de Gustine. Neste mesmo ano, fez a sua primeira gravação VHS.

7
O mesmo grupo

O cravo e a rosa.
O cravo tem vinte folhas/O cravo tem vinte folhas/Ai, a rosa tem vinte e uma/Ai, a rosa tem vinte e uma/Anda o cravo à demanda/Anda o cravo à demanda/ /Ai, por a rosa ter mais uma/Ai, por a rosa ter mais uma/O cravo pediu à rosa/O cravo pediu à rosa/Ai, um beijo a toda a pressa/Ai, um beijo a toda a pressa/A rosa lhe respondeu/A rosa lhe respondeu/Ai, ó cravo, queres conversa/Ai, ó cravo, queres conversa/Rosa, que estás na roseira,/Rosa, que estás na roseira/Ai, deixa-te estar, que estás bem/Ai, deixa-te estar, que estás bem/Por cima, ninguém te chega/Por cima, ninguém te chega/Por baixo, não vai ninguém/Por baixo, não vai ninguém/O anel, que tu me deste/O anel, que tu me deste/Ai, era de vidro e quebrou-se/Ai, era de vidro e quebrou-se/O amor que tu me tinhas/O amor, que tu me tinhas/Ai, era pouco e acabou-se/Ai, era pouco e acabou-se.

O apresentador: «Vamos, seguidamente, cantar outra moda terceirense, que é a moda do samacaio.»
8
O mesmo grupo
Agradece ao público que os está a ver e ouvir, Quem sabe, um dia voltarão... Canta-se a Chamarita.
Chamarita, chamarita, chamarita da Terceira/Chamarita, chamarita, chamarita da Terceira/Nunca viram a chamarita, bailada desta maneira/Nunca viram a chamarita, bailada desta maneira/Muitas coisas são precisas, para se a chamarita bailar/Muitas coisas são precisas, para se a chamarita bailar/… … … … /… … … … /Chamarita, chamarita, chamarita bailadeira/Chamarita, chamarita, chamarita bailadeira/… … … … … /… … … … / Vamos bailá-la, com gosto, ó meninas da Terceira/Vamos bailá-la, com gosto, ó meninas da Terceira/A chamarita bailante… … … … … … /A chamarita bailante … … … … … … …. /… … … … .. … … … …/… … … … … … … …/
Linda a voz feminina, vibrante, cheia de alma.
«Muito obrigado, mais uma vez. Espero que um dia nos possamos ver, novamente. E vamos, então, sair, com outa moda da Chamarita, mas uma Chamarita velha. Nos Açores, existem várias modas da Chamarita; estas são típicas da Terceira. E vamos, então, seguir com a Chamarita velha. Muito obrigado. … Deus hajam.»

9
O mesmo grupo
Desfile de despedida.
 
                                                               *

Chama-rita s. f. Música popular nos Açores e no Rio Grande do Sul.
(É assim que a palavra vem no «Dicionário de Morais». Formada de chama+Rita).


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Informação sobre os vários grupos folclóricos