quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Na Foz do Douro


         8 de Novembro
       Já uma vez tinha passado pela Foz. Foi há poucos anos, num autocarro com alunos da Universidade Sénior de Torres Vedras, onde viemos participar no Concurso de Cultura Geral. Atravessada uma das pontes, seguimos pela beira-rio até à Foz do Douro, passando pela Cantareira, terra de Raul Brandão e, por isso, despertando o máximo interesse. Não se parou, metemos pela Avenida da Boavista e parando junto a instalações da Câmara Municipal do Porto, alcandoradas sobre o rio.

       Depois da apresentação do livro de Pedro Baptista, por volta da meia noite, dirigimo-nos ao Hotel da Foz, nome por que é vulgarmente conhecido. Ficam aqui algumas fotos do hotel, para memória. À saída, no pequeno átrio exterior, quisemos registar imagens dos azulejos, que  nos deixaram intrigados. Neste espaço terá havido algum convento? Atrevemo-nos a dar um nome às duas estátuas de prelado, dum e de outro lado da entrada. Bispo, abade, evangelista, quem seria? O traje não parece adequado para S. João Evangelista, mas os anacronismos no vestuário são frequentes, julgo. Na fortaleza, em frente, temos outro S. João (S. João da Foz), mas é o Baptista.

       Como a manhã estava de chuva, dirigimo-nos -- os dois -- ao Passeio Alegre, em cujo quiosque estivemos algum tempo, por mim aproveitado para dar uma volta pelo jardim, mesmo com chuva.

           A visita demorada à Cantareira, a centenas de metros, terá de esperar mais algum tempo.

Uma lembrança

Fotografia tirada do lado do mar, com a devida vénia, do sítio na internet do Hotel Boa-Vista
Na zona central, o hotel, vendo-se a piscina no terraço


Dos dois lados da entrada, provavelmente, estátua de S. João Evangelista
com a águia e o livro (À entrada, do lado direito)


À entrada, do lado esquerdo


Planta Geográfica da Barra do Porto









Perspectiva da entrada da Barra do Porto e Fortaleza que a defende Dedicada ao Ill.mo e Ex.mo Senhor José de Seabra e Silva, Secretario d'Estado de Sua Magestade Fidelissima da Repartição dos Negocios do Reyno                1730

Este azulejo e os seguintes mostram-nos aspectos da vida
 dos frades relacionados com a vida e trabalhos do campo
Teresa os fez, em 1985








Vista do terraço




Forte de S. João Baptista da Foz, mais vulgarmente, S. João da Foz

No pórtico de entrada, lê-se: Câmara Municipal do Porto
Segundo a Sr.ª empregada de mesa do quiosque, o edifício serviu de escola primária

O «quiosque». Chalé Suisso ou Chalé do Carneiro




Jardim do Passeio Alegre

Clube de Minigolfe do Porto, no Passeio Alegre





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http://www.bcdp.org/v2/images/documentos/s.joaoevang.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_Baptista_da_Foz

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Estive no Porto

Um pouco antes da hora marcada, já estávamos no patamar de entrada da Câmara, talvez encostados ao parapeito, onde nos podemos apoiar e contemplar o desafogo dos Aliados, com o edifício das Cardosas, ao fundo, e mais para trás e por sobre isto, na linha de fuga a ligar ao horizonte, o alto da sé. Pedro Baptista, que reclamou a presença de Nozes Pires, seu condiscípulo e ambos com actividade saliente no movimento estudantil da Universidade do Porto, aparece e cumprimenta-o cordialmente. Gostei do Pedro Baptista e do seu vigoroso aperto de mão.
Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto,  apresentou o autor e o livro, e o mesmo fizeram José Manuel Lopes Cordeiro (historiador), José Queirós (jornalista) e José Sousa Ribeiro (editor). 
Chegou a vez do homenageado (a presença das pessoas, no seu apreço visível fez da sessão uma homenagem) falar um pouco de si e do seu tempo de moço, até ao 25 de Abril de 1974. Devia dizer falar do livro, mas é a mesma coisa. Entre outras coisas  e factos importantes que referiu, deu a certa altura grande destaque a uma pessoa que quis estivesse presente e indicou e nomeou por extenso -- José Augusto Nozes Pires --, não esquecendo neste momento Pedro Pisco e uma terceira de que não fixei o nome. Recordo a figura deste senhor, Pedro Pisco, que esteve junto de nós nos momentos que precederam a entrada no belo átrio da entrada.
Já li passagens do livro, do capítulo onde se narram os acontecimentos de 1968 na Faculdade de Letras, livros lidos pelo autor e seus confrades do curso de Filosofia, convívio e tertúlias em cafés e outros lugares, as aulas de alguns professores, entre eles Ferreira de Almeida, José Penedos e mais algum. Discussões de dialectas — diria — com Pacheco Pereira, então como hoje, muito bibliófilo; o que vieram a ser alguns deles pela vida fora... Nozes Pires, grande orador, e seriedade.
Enquanto as pessoas que tiveram a cargo a apresentação da obra e o próprio autor evocaram a época, o percurso de Pedro Baptista —, o que de maneira geral se pode agora calmamente ler em 
DA FOZ VELHA A'O GRITO DO POVO
A oposição maoista à ditadura
Memórias, [1948 - 1974]

fui ao mesmo tempo observando, procurando decifrar o que via nesta espécie de museu que é o átrio, com as suas coisas permanentes e temporárias: a escadaria para o primeiro piso, as duas grandes telas que delimitam o salão em que nos encontramos, exibindo a marca PORTO, de maneira diferente, um grande ovo de pedra posto no meio do corredor-salão. É uma abóbada celeste, ovo onde cabem todos os mundos, ou simplesmente uma abóbada; por dentro, uma estrela, luz azul ou um planetário; em órbitas sucessivas, planetas, o que quisermos.

Olhando para o cimo, na parte central da sala, a pintura das armas do Porto, com a sua divisa, mais longa que o habitual, dizendo indirectamente da importância desta cidade.  
ANTIGA MUITO NOBRE
SEMPRE LEAL
E INVICTA CIDADE DO PORTO

Entre as duas torres, está representada Nossa Senhora da Vandoma (padroeira principal). Pendente do escudo, o colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, grau oficial, concedida à cidade do Porto, em 26 de Abril de 1919. Na medalha, lê-se
VALOR . LEALDADE .  E .  MÉRITO
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Houve lugar para troca de impressões com companheiro ocasional, em lugar afastado do epicentro da cerimónia de apresentação do livro. Contou-me que, durante uns bons vinte anos (mais?), o Porto praticamente não tinha vida nocturna; as pessoas não saíam, talvez por receio... Hoje, a partir das onze horas (da noite), começa a «movida». Os Aliados ficam cheios de gente aí nos botecos do lado direito...
Conversa agradável.
Pude comprovar a vida nocturna em vários pontos da cidade.






Estátua do Corregedor Francisco de Almada e Mendonça,
grande urbanista da cidade do Porto








Do átrio, um pequeno corredor conduz a esta janela
Através do vidro, a cidade


É noite nos Aliados

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       Tem interesse consultar:

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

É o Porto. Ponto final!

7 de Novembro

É o Porto. Ponto Final!
Chegamos ao Porto e deparamos com duas grandes telas, no átrio da Câmara Municipal. A Avenida dos Aliados estava à nossa espera, mas pela primeira vez na vida não foi abordada pela parte de baixo, olhando de frente para o edifício triunfal, na torre que dialoga com os Clérigos e a Sé. Nos Aliados, o triunfo é da beleza, da urbanidade e cidadania, o grande espaço aberto de convívio. O triunfo não é contra ninguém.
       Pois, desta vez, demandámos os Aliados pelo lado da Trindade e pudemos ver a estação do metropolitano. Na Praça da Trindade, a igreja do mesmo nome e a parte posterior  da Câmara Municipal formam um conjunto digno.

Alcançada a fachada principal, fomos ao que aqui nos trouxe, assistir à apresentação do livro de Pedro Baptista, DA FOZ VELHA A'O GRITO DO POVO: a oposição maoista à ditadura: Memórias [1948-1974], com apresentação de Rui Moreira (presidente da Câmara), José Manuel Lopes Cordeiro (historiador), José Queirós (jornalista) e José Sousa Ribeiro (editor). 

Chama logo a atenção o novo logótipo da Câmara Municipal, que é vivido como da cidade e dos portuenses. É da maior simplicidade: Porto. (Porto, ponto.) 

O carácter desta cidade, a sua importância cultural, tem sobre mim o efeito de uma conversão imediata em portuense, assim que lhe piso o chão. E quando daqui saio, estou sempre à espera de voltar, na condição de portuense imperfeito.

Estamos no Porto. Vivamos nós e viva o Porto. É isto, também, que sinto ao ver a marca Porto no átrio da Câmara, verdadeiro salão nobre. 


É o Porto. Ponto final.





     O logótipo inspira-se nos azulejos da cidade do Porto (é mais um painel) e está estampado sobre um conjunto de ícones, simbolizando edifícios de vário uso, igrejas, actividades de lazer, a zona ribeirinha. Todo o conceito, e o desenvolvimento que teve, pode ser acompanhado, AQUI. Reconhecido internacionalmente.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Rua dos Celeiros de Santa Maria

Começamos por mostrar imagens da procissão do Senhor dos Passos, no dia 16 de Março do corrente ano. Depois, passamos para estes últimos dias, que andaram à roda das «intervenções artísticas em espaços devolutos», nos espaços Pérola e Ruína (25 Out. a 01 Nov '14), sendo que uma das imagens é de 14 de Abril. A Rua dos Celeiros de Santa Maria nem sempre teve este nome, naturalmente, porque era aqui a judiaria. Dessa história nos fala o texto transcrito, com a devida vénia, no final desta mensagem. Daí, quem quiser, pode partir para ampliar os seus conhecimentos, bebendo em fontes que apazigúem a sua sede de saber.
A rua tem bares e outros estabelecimentos abertos ao público (pelo menos a    OFICINA DUkABELO), bem como a sede dos Escoteiros, Grupo 129. De tudo se pode fazer uma ideia, imaginar. Este pequeno texto é apenas um testemunho de apreço por esta pequena artéria, pequena mas cheia de significado para quem o consiga sentir ou pressentir.




Vê-se, ao fundo, o edifício d'A Pérola de Torres e a entrada da Rua dos Celeiros de Santa Maria
 Foto de 14-04-2014













Rua da Cruz. À direita, a Rua dos Celeiros de Santa Maria

Trecho da Rua da Cruz, visto da Rua dos Celeiros de Santa Maria

Rua dos Celeiros de Santa Maria. Ao fundo, a Rua do Terreirinho

O espaço Ruína

O espaço Pérola, na parte que dá para a Rua dos Celeiros de Santa Maria

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Na verdade, a primeira referência ao bairro judaico torriense data do reinado de D. Dinis, mais precisamente de 1322, quando, num documento, é mencionado o filho de um tal João Pais da Judiaria. Contudo, num processo ocorrido, em 1407, entre a comuna dos judeus torrienses, por um lado, e as igrejas da vila mais o cabido da sé de Lisboa, por outro, o procurador da primeira alegou que “El Rey dom Afonso que deus de perdom asynara a dita judaria aos Judeus da dita villa que pelos tempos fossem pera morarem em ella e que era Isenta” (subentende-se que das dízimas pessoais a que os eclesiásticos queriam submetê-la). Teria sido, pois, D. Afonso IV a obrigar os judeus da vila a ir morar na judiaria, embora só pouco a pouco os cristãos que ali residiam tivessem sido afastados dela. //
Tratava-se de uma só rua, como acontecia em muitas outras urbes do reino, aquela a que hoje se chama dos Celeiros de Santa Maria, e ficava, então como agora, localizada perto da igreja de S. Pedro, bem no coração comercial da vila. Nela existe um altar dos Passos que marca o lugar onde a tradição diz que havia uma Sinagoga. Na documentação do período medieval que compulsámos, contudo, não encontrámos qualquer referência a tal templo, nem a outros edifícios que sabemos terem existido comummente nos bairros judaicos da época, tais como a escola, a cadeia, o hospital, os banhos públicos, a estalagem, a carniçaria para venda de carne cosher… Como espaços próprios aos seguidores do culto mosaico, para além da judiaria, apenas nos deparámos com o local onde se efectuavam os despejos, o chamado monturo dos judeus, situado por trás do castelo, fora das muralhas.
(Ana Maria Rodrigues, do Centro de História/Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, «Os judeus e a judiaria de Torres Vedras até à expulsão de 1496», in Judiarias, Judeus e Judaísmo, coord. de Carlos Guardado da Silva, Edições Colibri, 2013, p. 151-152. Foram eliminadas as notas.)