segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

André Rieu na Altice Arena

26 de Novembro de 2019
Natal com André
Ao aproximarmo-nos da Altice Arena, começamos por ver os muitos camiões que transportam a caravana da Orquestra Johann Strauss. Estão (10, 20?) estacionados em espinha, significando a grandeza desta família musical.
O edifício a semelhar um OVNI, «Pavilhão da Utopia» de seu primeiro nome, está cheio. No decorrer do espectáculo, sucedem-se os alegres, grandes, coloridos cenários de cidades, da Grécia, do Kremlin, Zorba, Kalinka, valsa de Strauss. Terras de neve e terras de sol... Para fazer o pleno no coração da assistência, também compareceu uma canção portuguesa, bem cantada na nossa língua... O coro no vestuário leve e no número lembra as nove musas da Grécia antiga.
Cai neve na plateia...
Na escuridão própria dos momentos de maior comunhão e mistério iluminaram-se os telemóveis, como velas...

André, o jovem de 70 anos, dirige e toca no Stradivarius de 1732, dirige-se à multidão, dialoga, puxa por ela, e no final, pedem-lhe um brinde, outro... E ele mesmo oferece mais... e mais e mais...
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Doniij van Doorn
Leia o que sobre esta soprano nos disse em inglês André Rieu; foram praticamente as mesmas palavras.





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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

O Vocabulário Ortográfico segundo um acordo que não devia ter nascido morre e ressuscita 14 dias depois

Transcrevo, com a devida vénia, um artigo do Público. 
A grande falácia do acordo é que não devia haver acordo nenhum… Não havia necessidade... O Congresso brasileiro não aprovou o Acordo de 1945... Durante muito tempo, não entendi e julguei mal a reforma ortográfica de 1911, por unilateral, em relação ao Brasil. Hoje, a minha compreensão é outra. Afinal, em 1911 Portugal esteve certo; a rejeição em 1945, da parte do Brasil, também... Certos, só na medida em que a língua que se fala dos dois lados do Atlântico pelos dois povos, sendo ainda a mesma, não é a mesma e está em lenta, constante evolução. Como tal, não vale a pena querer enclausurar uma delas (o que parece ser o caso) ou as duas numa lógica sufocante complexamente simplificadora. A mutabilidade das línguas está fora de questão, mas não urge acelerá-la. E reformas ortográficas certas não há, pois subsistem formas aceitas como  excepção à regra, por consagradas pelo uso. Nas decisões, o convencional está presente...
O VOC ressuscitou ao fim de 14 dias de silêncio, sem comentários. Nuno Pacheco diz que não os haverá, para que os haja, pois «eles» gostam de contrariar. Ver o P. S.
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O vocabulário oficial do Acordo Ortográfico está morto há dias e ninguém deu por nada!
Depois da anunciada penúria do IILP, agora foi o VOC. Quem tentava lá entrar, recebia uma resposta em inglês: “Congratulations!” Catorze dias depois, reagindo a este texto, ressuscitaram-no.
23 de Janeiro de 2020, 7:30 actualizada às 12:21
Sinto-me honrado. Nunca me deram os parabéns tantas vezes e em tão pouco tempo. Por algum texto? Por fazer anos? Nada disso. A história é mais bizarra. Começa numa mania que mantenho com regularidade: consultar o chamado Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (dito VOC) do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), de nome pomposo e misérrimas vestes, para ver se algo mudou ou para confirmar o monumental absurdo de tal “empresa”. Devo ser, aliás, um dos raríssimos visitantes daquela inutilidade, criada na sequência do enorme embuste que foi o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90).
Mas no dia 13, ao clicar no VOC, deram-me os parabéns. E em inglês: “Congratulations!” Como naquelas mensagens que nos dizem, matreiramente, que ganhámos qualquer coisa para depois nos levarem à certa. Pensei que era um erro e insisti: parabéns outra vez. Não podia ser. Tentei mais tarde e a coisa repetiu-se. Nesse dia e nos seguintes. Até ontem. Esteve assim durante semana e meia e ninguém deu por nada. Nenhuma explicação, nenhum pedido de desculpas (género “estamos a remodelar o VOC, voltaremos em breve”). Silêncio total.
Só a mensagem ali continuava a repetir-se, impassível. Soube, entretanto, que já no dia 9 alguém tentara entrar no VOC e tivera a mesma resposta. Primeiro, um “Congratulations!” em letras grandes. Depois isto: “You’ve successfully started the Nginx Proxy Manager. If you’re seeing this site then you’re trying to access a host that isn’t set up yet. Log in to the Admin panel to get started.” Pois. Trocando em miúdos: isto não está configurado; ou o lugar onde esta coisa estava alojada fechou-lhe as portas. Pelos vistos, o cheque “extraordinário” de 200 mil euros enviado por Portugal chegou tarde… Adeus!
Quem não chegou a conhecer o defunto, ainda pode espreitar uma “foto” esquecida algures no infinito espaço virtual. Basta carregar em iilp.cplp.org/voc/ e lá aparece a Página Inicial do dito VOC, mas sem nenhum préstimo, pois apesar de ainda ter algumas ligações activas, nenhuma delas vai dar ao vocabulário. Lá estão, à esquerda, as nove bandeirinhas, mas de nada vale tentar clicar nelas. Antigamente, lia-se: “Selecione [sic] a versão do VOC a usar”. Isto significava carregar numa das oito bandeirinhas correspondentes aos países da CPLP ou então numa outra, a nona, que era uma espécie de saco-de-gatos com todas as variantes lá dentro. Quando funcionava, clicava-se em três bandeiras e não dava nada: Angola, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe (os dois primeiros países não ratificaram o AO90; e São Tomé ratificou-o, em condições mais que duvidosas, mas não tem vocabulário que se veja). As restantes conduziam a cinco vocabulários com nomes diferentes: Vocabulário Ortográfico Cabo-Verdiano da Língua Portuguesa, Vocabulário Ortográfico Moçambicano da Língua Portuguesa, Vocabulário Ortográfico de Timor-Leste, todos eles incorporando o nome dos respectivos países, e os dois restantes sem identificação nacional: Vocabulário Ortográfico do Português (o de Portugal) e Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (o do Brasil). Para quem prometia um Vocabulário Ortográfico Comum, esta multiplicação é patética.
Quanto ao defunto, e depois de várias buscas, eis que surge em linha uma luz: um “Concurso Internacional de Design de Projetos do IILP”, pretendendo dar “a oportunidade a um talento do design de criar duas marcas para dois projetos” [sic], sendo um deles o VOC. Ora aqui está: o vocabulário vai ser remodelado, e ainda que péssimo vai ter nova cara. Puro engano: o anúncio é de 2013 e diz isto [sic]: “O projeto VOC – Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, visa implementar em uma plataforma digital o vocabulário oficial da Língua Portuguesa, constituído de forma inovadora pela soma dos diversos Vocabulários Ortográficos Nacionais (VON), dos países da CPLP. A partir dos Vocabulários Nacionais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, o Vocabulário Comum da Língua Portuguesa, pela primeira vez, incluirá numa grande base de dados lexicais de gestão comum, o vocabulário de todos os países escrito na nova ortografia, com inúmeras utilidades, o que abrirá uma fase nova para a língua portuguesa.” Vírgulas fora do sítio e o “esquecimento” da Guiné-Bissau são mesmo do texto, aqui em transcrição literal.
É duvidoso que algum “talento do design” tenha arriscado nome e tempo em tal façanha, pois o resultado, tanto gráfico como utilitário, sempre foi miserável. A “fase nova” para a língua portuguesa também está à vista e não se recomenda. O que vão fazer, então, as baixíssimas “altas instâncias”? Passar mais cheques? Ou aceitar de vez o funeral, levando por arrasto no féretro o IILP (que sem VOC deixa de ter qualquer justificação) e o Acordo Ortográfico de má memória, que desuniu em vez de unir o amplo espaço da Língua Portuguesa? Decidam depressa, que o cadáver começa a entrar em decomposição e urge o respectivo enterro. E desactivem lá o “congratulations” – ao menos ali, dêem-nos os parabéns em português!
P.S.: – Anotem esta data: ao 14.º dia de silêncio, o VOC ressuscitou do seu estado publicamente cadavérico: precisamente às 12 horas e 4 minutos de 23 de Janeiro de 2020, quatro horas e 34 minutos após a publicação desta crónica. Percebe-se: no estado declarado de penúria em que se encontra, o IILP não devia ter dinheiro para o funeral. Só que o morto ressuscitou tal qual fenecera – ou seja, mau. Podiam ter aproveitado os 14 dias para melhorar alguma coisinha. Mas isso dá muito trabalho. Fácil é repor o que não presta. E de preferência sem comentários, porque não há nem haverá (escrevo isto para que haja, já que eles são muito mais rápidos a contrariar os outros), em todo o sítio do IILP, uma explicação, mais do que devida, para esta falha anormal e aberrante. Enquanto isso, entretêm-se a fingir que propagam a língua portuguesa aos quatro ventos no Universo. Pobres de nós... 
https://www.publico.pt/2020/01/23/culturaipsilon/opiniao/vocabulario-oficial-acordo-ortografico-morto-ha-dias-ninguem-deu-nada-1901129

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Entre Montalvo e o Rasquete na marginal de Montargil

28Out2019
Albufeira seca, uma ponte ou pontão de que tinha perdido completamente a memória..., regresso ao antigo pelo rebanho de ovelhas..., o monte da herdade de Montalvo a parecer aguarela...
Chovia.
(Do facebook)


Ponte do Rasquete




 A ponte do Rasquete velha, substituída, bem como o anterior traçado da E N 2, na sequência da construção da barragem de Montargil, inaugurada em 1958. Quando a albufeira está cheia, só se vê a crista dos arcos






Já se vê o pontão



Vista para o lado da estrada nacional. À direita se vê túnel para passagem das águas

Pedras do piso da estrada, junto ao pontão...


A outra banda
Agora, menos acessível, desde que a albufeira cobriu as hortas, o arrozal da Tojeirinha..., a ponte de madeira, bem perto da vila...

Do lado de cá, zona de Montalvo; em frente, terras de Montargil e Aldeia Velha, por onde corre a ribeira de Santa Margarida. Aflui à ribeira de Sor um pouco mais para jusante (é o vale da Sagolga, dizemos, os de Montargil)

Montalvo

Montalvo


É a parte superior da imagem que lembra uma aguarela, uma pintura de Turner...


De regresso ao ponto de partida, entre Vale de Vilão e Rasquete. Vislumbra-se o pontão, que serviu no anterior traçado da E N 2

Continua a ver-se o pontão, entre duas ramadas da árvore, à direita

Há ligação destas águas por túnel, para a albufeira, como foi indicado atrás e se percebe também na imagem antecedente

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

A estrada militar de Arenes - Torres Vedras

 21Out2019
Mesmo à nossa porta, pequenas grandes coisas a que normalmente parecemos não ligar. Estará neste caso a estrada militar a que acedemos pela Rua de Júlio Vieira, com princípio na Rua de Manuel de Arriaga. É uma das muitas obras do plano de defesa na luta contra as invasões francesas conhecido por Linhas de Torres. Agora cortada por duas largas estradas, distantes entre si uns quinhentos metros (A8 e acesso à mesma), ligava a vila de Torres à Ordasqueira pelo meio da suave cumeada, quase a direito. Está ainda na memória de muita gente. Em breve troca de palavras com um morador, senti que muito tinha a dizer, a vida derramada por estas terras. Disse eu: — A estrada militar ia até à Ordasqueira. — O senhor, notei-lhe alegria: — Ia até Matacães! — E eu: — Até ao mundo... — pois de Matacães se vai ao mundo. Afinal, de toda a parte...
Este troço até à estrada larga está em bastante pior estado de quando há bastantes anos ali passei, em visita de formação de professores orientada pelo professor Venerando. Encontrava-se com facilidade pequenos fósseis (de amonites?), de conchas, pelo menos, sinal de estas terras terem sido há milhões de anos fundo marinho. Tentei descobrir em visita rápida o corte de terreno feito quando das obras do acesso à A8, com pegadas de dinossáurio, quase debruçado sobre o vale dos Cucos, e não atinei com ele. Durante muito tempo fui olhando para lá, da zona do mercado municipal, do Choupal, à vista de todos... Com o tempo vim a saber que as supostas pegadas de dinossáurio não existem..., como se pode ver mais adiante (1). A maior parte das imagens que aqui mostro são do dia 21 p. p., algumas obtidas ao crepúsculo... Voltei lá...
***
Deixo um texto que escrevi primeiro e mais alguma informação nas legendas das fotografias...
A estrada militar, ligando a zona de Arenes à Ordasqueira, fazia parte do plano de defesa do território contra as Invasões Francesas, que ficou conhecido por Linhas de Torres. Está, agora, cortada em dois pontos, pela A 8, bem perto do Sarge, e pelo acesso à mesma perto dos Cucos, para quem vem dos lados de Dois Portos, Runa, Ribaldeira... Do ponto em que nos encontrávamos mal se via, à direita, o vale dos Cucos, de tal maneira era alta e espessa a vegetação de carrascos à beira do «abismo». Um passo adiante em falso não é nada aconselhável... Para lá do acesso à A8, uma língua de terra de cerca de 500 metros interpõe-se entre nós e a auto-estrada.
Quem quiser visitar os dois fortes que a estrada militar servia poderá ir pelo Sarge, ladeando a Quinta do Sossego, ou pela Ordasqueira, subindo a Rua do Forte. O da Ordasqueira, mais perto desta localidade, precisa de ser liberto da vegetação que lhe enche os fossos. Do outro, Forte Novo da Ordasqueira (ou do Sarge), resta o moinho, pois (quase) todos os sinais da sua existência foram em determinada altura sacrificados à exploração agrícola, pelo proprietário... 

 Aqui começa a estrada na Rua de Júlio Vieira

Início da parte não urbana da estrada militar; 
Olhando para trás


Folhas de Outono, com Arenes em fundo; 
Na linha do horizonte, o castelo e o forte de S. Vicente

À esquerda, parte da zona comercial da várzea de Arenes e mais atrás o Arena Shopping;
Por trás destas árvores, o vale dos Cucos  na E N n.º 9. Ao fundo, a «pedreira do Batista»

Depois da rotunda, o acesso à A8 segue em frente, para Lisboa ou Leiria 

 Encosta do acesso à A8. Um pouco mais à direita, a estrada continuava até à Ordasqueira; 
Para os lados de Runa/Vila Franca e Carvoeira/Alenquer

Vê-se o viaduto da A8;
Do lado de lá, as termas dos Cucos


Inclui-se, aqui, o texto e as fotografias, supra; um pequeno vídeo propriamente dito, a partir do minuto 1:35
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(1) Pesquisa rápida sobre a inexistência de pegadas de dinossáurios na encosta sobranceira ao vale dos Cucos (Há nas referências, abaixo, passeios muito interessantes)