quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ericeira, Natal de 2016


Subindo a pé em direcção (a tactear, embora já tivéssemos feito o percurso antes) à igreja matriz, entrámos nela, esperando talvez encontrar a imagem da «Senhora da Berlinda» ou Nossa Senhora da Nazaré, à guarda da confraria do Círio da Prata Grande. Não a encontrámos. Estará talvez ao cuidado de alguma das capelas da freguesia de S. Pedro (Ericeira), que a tem entre si durante um ano, tendo-a recebido em Setembro, p. p., da paróquia de S. Pedro da Cadeira.
O resto da volta foi como se imagine do que se vai ver e ler.

Primeiro veja-se esta página e, depois, a apresentação no YouTube de todos os diapositivos.

Praça da República

Em frente, a Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva. A entrada fez-se pelo  segundo edifício, mais pequeno



20 de Dezembro de 2016

Passeio à Ericeira, de visita à igreja de S. Pedro e percorrendo um pouco esta magnífica povoação: na praça central, o posto de turismo, cafés e esplanada. Numa rua próxima, cada um compra pequena prenda para si mesmo, de pouco preço, mas que muito nos satisfaz. Entramos na Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, edifício de grande beleza e muita história para contar. em sala do rés-do-chão está patente uma exposição sobre o grande fotógrafo Joshua Benoliel (1873-1932). Subimos à Biblioteca Municipal, espaço agradável, bem apetrechado e de onde apreciámos através da vidraça o terraço e o mais que se vê da banda posterior do prédio.
Tomando a direcção da estrada, fomos ver a Deusa do Mar Azul, contemplando o oceano, cabelo ao vento... É obra de Carlos Andrade, em ponto de paragem e miradouro, no limite da freguesia, lindando com a Carvoeira, que nos espera do lado de lá do Lizandro.
Regresso a Torres Vedras, pela estrada marginal. [Nossa descrição no YouTube]




Sobre a Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva:
Áreas de acesso ao público em geral
1. Áreas expositivas
- Galeria de Exposições
2. Biblioteca Municipal (inclui Sala de Audiovisuais, em fase de reestruturação e Sala de Multimédia)
3. Auditório (capacidade: 174 lugares) (Do sítio da C. M. de Mafra, aqui)

«Actualmente, a Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva, é conhecida pela sua biblioteca pública, muito bem apetrechada, com mais de 17000 obras. Neste espaço encontram uma sala de leitura, espaço infantil, sala multimédia com acesso gratuito à Internet e um espaço audio-visual.» (De  ericeiramais, com a devida vénia)



quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Asta-Rose Alcaide


Faleceu no passado 30 de Novembro em Brasília a viúva do grande cantor lírico português Tomás Alcaide. Vale a pena ler o que escreveu Hernâni Matos, que guarda e nos mostra uma foto autografada pela «Dama da Ópera», quando da sua passagem por Estremoz em 12 de Dezembro de 2011. Nesse dia, o município outorgou postumamente a Tomás Alcaide o título de Cidadão Honorário e a Medalha de Ouro da Cidade.
Quando pela primeira vez estive em Estremoz em finais de 1972, havia apenas cinco anos que a presença física de Tomás Alcaide neste mundo nos tinha deixado. Só agora dou conta: tinha acabado de nos deixar.
A imagem de Asta-Rose é da internet, bem como a do bilhete postal endereçado a Hernâni Matos, aqui, um pouco cortado do lado esquerdo, não deixando ler bem o nome «Tomás Alcaide». Ao lado, unida a ele, a assinatura de Asta. No carimbo, com a imagem do tenor, lê-se: CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE TOMAZ ALCAIDE / CTT ESTREMOZ 2001.4.27

Esta imagem vem bem reproduzida e sem corte na primeira hiperligação, abaixo, em «Mais, sobre Tomás Alcaide»
Estas imagens da estátua de Tomás Alcaide são de 23-08-2014
a) Soares Franco, 1987, Junho

***

Tomás Alcaide canta:
https://www.youtube.com/watch?v=_TDd9mWrSQ4 (O amor é cego e vê, Bocage, de Leitão de Barros, 1936. Imagens do filme)
https://www.youtube.com/watch?v=8qvPNmdiuRI (Gosto de ti, Bocage,  de Leitão de Barros, 1936. Clicar em «show more»: pequena biografia de Tomás Alcaide)
https://www.youtube.com/watch?v=dEZaqlZtTJY (Mi par d'udire ancor, I pescatori di perle, de Bizet. Aprsentação de diapositivos)
https://www.youtube.com/watch?v=6w7zdg1c-e8 (Mi par d'udire ancor, I pescatori di perle, de Bizet. Apresentação de diapositivos, com imagens de Tomás Alcaide encarnando personagens em várias óperas e recorte de jornal com a biografia do artista)
https://www.youtube.com/watch?v=7av7jSARpw8 (Una furtiva lágrima, L'elixir d'amore, de Gaetano Donizetti. Apresentação de diapositivos)
https://www.youtube.com/watch?v=hGTz5YOKJNs (Com'è gentil, Don Pasquale, de Gaetano Donizetti. Diapositivos)
https://www.youtube.com/watch?v=EYZ6XiPH_4Y (Spirto gentil, La favorita, de Gaetano Donizetti.
https://www.youtube.com/watch?v=bsjbO7CQP24 (Ah! non mi ridestar,  Werther, de Massenet, 1930) 
https://www.youtube.com/watch?v=rIGJq2W94i8 (Ah! Dispar vision, Manon, de Jules Massenet)
https://www.youtube.com/watch?v=lvq-u_O_XPk (Chiudo gli occhi... [sonho] Manon, de Jules Massenet)
https://www.youtube.com/watch?v=xDjnzPPnrME (La donna è mobile, Rigoletto, de Verdi)
 as datas de nascimento e morte de Tomás Alcaide estão erradas. Indica-se algumas das óperas em que Tomás Alcaide actuou, com menção dos locais e datas. «Deu a sua performance de despedida em Portugal, como Almaviva no "Barbeiro"»)
https://www.youtube.com/watch?v=mMLoY89halY (Ah! Non credevi tu, Mignon, de Ambroise Thomas)
https://www.youtube.com/watch?v=45ZsYlbBBIQ (Près de l'Étang,(romanza), de Federico Longas Torres. «Fotos feitas por mim em Oslo e Fredrikstad.»)
(romanza di Fernando, Doña Francisquita [zarzuela], de Amadeus Vives)
https://www.youtube.com/watch?v=meb1Kt_m9v0 (O Lola ch'ai di latti la camisa, Cavalleria rusticana, de Pietro Mascagni)
https://www.youtube.com/watch?v=05pGgS5kX78 (M'appari tutt'amor, Martha, de Friedrich von Flotow. Imagens de Pablo Picasso)

Mais, sobre Tomás Alcaide:
https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.pt/2011/11/tomaz-alcaide-homenageado-em-estremoz.html
http://cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt/11122.html
https://www.infopedia.pt/$tomas-alcaide;jsessinid=3vgRSGcDCP6
https://de.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Alcaide

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Acordo ortográfico: acordar, convencionar, acabar

Viva a ortografia brasileira da língua portuguesa! 
E por aí fora, vou dizendo, por ordem do número de falantes dos respectivos países, seguindo o critério dos milhões... Nesta enumeração, «Viva a ortografia portuguesa da língua portuguesa!» fica no lugar que calhar. Ressalva-se a ambiguidade da repetição da palavra «portuguesa», mas não há volta a dar.

***
«Nós consideramos que o normal é o respeito pelas ortografias nacionais»
(Artur Anselmo, em entrevista a Nuno Pacheco, na revista Ípsilon do Público)

Presidente da Academia das Ciências de Lisboa até finais de 2018, filólogo, professor, autor do recente História do Livro e Filologia (Ed. Guimarães, 2015), Artur Anselmo é, aos 76 anos, impulsionador de um movimento de rejuvenescimento da Academia, onde acabam de ser admitidos, na 1.ª secção da Classe de Letras, Manuel Alegre, Helder Macedo (efectivos), António Lobo Antunes e José Manuel Mendes (correspondentes). No dia 15 de Dezembro, às 15h, o ano académico encerrará com uma conferência do general Ramalho Eanes, intitulada Portugal no Tempo e no Mundo. Para 2017, anuncia-se uma proposta de revisão do acordo ortográfico de 1990 [AO90] sob o prisma da ciência, em detrimento da política. Artur Anselmo explica as razões de tal iniciativa.

Um ano depois do colóquio Ortografia e Bom Senso, anuncia-se um Dicionário para 2018 e um “aperfeiçoamento” do acordo ortográfico. Isso significa o quê?
Muitos confrades de ciências estão a participar nos trabalhos do Dicionário. Na área da Química, da Biologia, da Botânica, das ciências da Terra, das ciências do Espaço. Isso não aconteceu em 2001, porque o dicionário foi feito em boa parte, sob a direcção do confrade João Malaca Casteleiro, por licenciados, professores de português, jovens, pessoas que não eram especialistas. Daí lacunas terríveis que ocorreram. No outro dia descobri que faltava a palavra “robalo”! Ou “semiótica”! Ou “semiologia”!


E quanto ao chamado acordo ortográfico?
É um problema científico. Por mais que nós possamos negociar com forças políticas, sociais, sindicais, na base está a ciência. Isto é uma Academia das Ciências! No dia em que aceitarmos de olhos fechados situações que ferem a nossa inteligência, o senso comum e a tradição científica, não estamos a cumprir as nossas obrigações.
Vemos que cada vez mais textos oficiais e oficiosos, como por exemplo os dos museus, estão escritos numa ortografia mista, num absoluto caos…
Eu acrescento os boletins camarários e as legendas dos cinemas. O último boletim da Câmara de Viana fala em concessão de uma estrada mas escreve com ç cedilhado. É uma trapalhada. E o corrector não marca erro porque não faz interpretação semântica!
Portugal passou de um acordo com 51 bases, o de 1945, para um acordo com 21 bases, o de 1990, muitas delas decalcadas das anteriores. Como explica isso?
São transcrições abusivas, sem citar a fonte. Desde o primeiro dia que eu senti isso. Isso chama-se plágio, plágio descarado, é crime.
Mas o que pode fazer a Academia, no ponto em que estamos?
Eu vivo numa casa onde há pessoas que pensam de maneira diferente da minha. E o presidente da Academia não é o seu dono e muito menos o ditador da Academia. O presidente tem acima dele o plenário de efectivos. Eu não faço nada de significativo para a vida académica que não leve ao plenário! O que vai ser apresentado é uma proposta no sentido de seguirmos a ordem alfabética de 1945, mas assinalando, em bold(antigamente dizia-se negrito, ou normando) aquilo que foi alterado. Portanto, teremos concepção com o P em bold. A pessoa quer saber como escreve hoje e vai lá.

Mesmo assim, o problema fica por resolver. Porque estamos a arrastar uma situação dúbia para o ensino, onde se misturam as normas devido às grafias duplas e às facultatividades…
Porque o chamado acordo permite essas situações dúbias. Sendo o órgão de consulta do governo em matéria linguística, a Academia foi consultada em 1990 mas não foi consultada quando um ministro resolveu pô-lo em vigor. Como é que saímos disto? Com uma reunião interacadémica. Porque não há outra maneira de fazer as coisas.
Mas o que é que significa aperfeiçoar o acordo, como se diz?
Há coisas que podem não causar grandes problemas. Porque, quer queiramos quer não, há seis anos que isto anda nas escolas, há crianças que desde o primeiro ano seguem as normas do acordo. Agora se numa negociação há pessoas que perdem logo a cabeça, não é possível. Por isso é que, infelizmente, são as ditaduras que conseguem resultados. Em 1945, não esqueçamos, Portugal vivia numa ditadura e o Brasil também…
Em termos concretos, o que é que está a ser feito neste momento na Academia?
Nós vamos agora publicar em Janeiro os Subsídios para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico. Estão prontos, foram feitos por uma equipa dirigida pela Ana Salgado, na última reunião já tiveram um acordo de princípio, agora vão ao plenário de efectivos. É uma contribuição, neste momento a Academia não pode fazer mais do que isto. Temos de agir com prudência, mas sem abandonar o critério científico.
No documento agora divulgado pela Academia diz-se isto: “Qualquer tentativa de uniformização ortográfica nos diversos países que usam a língua portuguesa como oficial é utópica.” Mas essa não é a base em que assenta o acordo, nessa utopia?
Deve dizer que essa formulação levantou aqui muitas objecções. Nós consideramos que o normal é o respeito pelas ortografias nacionais. Os angolanos têm todo o direito de escrever kwanza com K e com W. Como o “center” dos americanos e o “centre” dos ingleses. A época mais pacífica em matéria ortográfica medeia entre 1955 e 2010; em 1955, Café Filho rasga, no Brasil, o acordo assinado por Getúlio Vargas; e em 2010 o senhor ministro meteu na cabeça aplicar uma coisa aprovada vinte anos antes, durante os quais nada se fez nada para melhorar o acordo! Houve o desinteresse mais completo!

Uma decisão mais clara, hoje, tem de passar pelo poder político?
Tem de passar. A Academia vai fazer uma sugestão e depois vai aguardar ser chamada para participar em reuniões. Isto se o poder político estiver interessado em fazê-lo. Eu tenho a maior confiança no actual Presidente da República, mas não haver ninguém no governo que diga ‘talvez possamos melhorar isto’, faz-me uma aflição tremenda.
Têm recebido, da parte de associações, reacções adversas ao acordo?
Esse problema preocupa-me muito. Pela correspondência que recebo, tenho a sensação de que a Sociedade Portuguesa de Autores, o Pen Clube, a Associação Portuguesa de Escritores, todos estes representantes da escrita em Portugal estão a reagir. E contam-se pelos dedos os escritores que aceitam o chamado acordo ortográfico.
Voltando à proposta da Academia: ao mexer no texto do acordo, ao alterá-lo, não se está de certa maneira a acabar com ele? Porque é um acordo internacional…
O que pode acontecer é que, a dada altura, as divergências sejam tão grandes que já não faça sentido nenhum voltar à ideia de um acordo. Por isso é que preferíamos a expressão “convenção”, porque uma convenção a todo o momento pode ser alterada.
Mas isso significava deitar este acordo fora.
Claro. Mas aí tinham de entrar os juristas. E o poder político também não está a dar nenhuma importância aos juristas, porque já houve vários, e alguns eminentes, que se pronunciaram e ficou tudo na mesma.
Privilegia-se, neste caso, ainda a política?
Sim, e aí é que está o mal. Porque neste campo a política é incompetente. E por isso deve ter cuidado, não deve meter o nariz onde não é chamada. E aqui não é chamada. Em 1945, até à parte em que entrou o poder político, houve o cuidado de só envolver nisto cientistas da língua. Aqui as coisas não começaram mal, o pior foi depois. Ora quando o senhor ministro da Cultura, que eu muito respeito como poeta, é interrogado sobre o acordo e diz ‘o meu editor é que trata’, isto, francamente, não pode ser.
(Nuno Pacheco, Ípsilon, 12 Dez 2016, com a devida vénia)
__________________________________________________________

sábado, 10 de dezembro de 2016

Sarge – Carraceiros, outra vez

– Tu vais por ali, eu vou por aqui!... – parece dizer uma delas à outra, quando se apartam a voar em direcções opostas.
Hoje, 9 de Dezembro, o tractor voltou e vi-o a lavrar. Depois de concluir o trabalho onde o tinha começado, atravessou a estrada para o lado da Aldeia Nova e desta parte continuou a tarefa. É deste lado que estão quase todas as garças, como vamos ver.
Encontrei umas fotos de 2011, estão fraquinhas, mas pode ver-se como estava o terreno, onde as tádegas aparentemente dominavam. Aqui. Veja, ainda, um exemplar de tádega colhido nesta mesma propriedade.
 9-12-2016, 13:07










 Tu vais por ali, eu vou por aqui!...




quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Sarge - Carraceiros

            07-12-2016
Vi o que nunca aqui tinha visto. A terra lavrada ou revolvida, ontem ao fim da tarde ou já entrada a noite, sem que me tivesse dado conta. Boa parte da extensão dos dois lados da estrada, entre a Quinta do Sol e a estrada para a Ordasqueira, onde as ervas cresciam e sobretudo as tádegas, foi visitada pelo tractor. Os carraceiros sentiram-se convidados e compareceram prontamente. Foi para mim uma agradável surpresa a presença destas aves, que me habituei a ver mais longe do mar na albufeira de Montargil e nos rios Sor e Sorraia. Pequenas gaivotas pareciam elas.
Imagens de um exemplar de tádega, colhido no terreno onde hoje as garças-boieiras ou carraceiros poisaram maioritariamente, pode ver-se, aqui.





Do outro lado da estrada, a intervenção foi menor e a afluência de garças, também.
***

domingo, 4 de dezembro de 2016

Obidos, Vila Natal

Sábado, 3 Dez. 2016
Faz sempre bem ir a Óbidos. até um equívoco serve de convite. Vamos ver o Principezinho na cerca do Castelo. Uma tarde bem passada pode ter um motivo gratuito ou o único de estarmos juntos. Sem bilhete a pagar. O caso foi que no aposento de madeira designado ESPLANADA estivemos algum tempo sem nada que fazer, gozando só o estar sem nada fazer, coisa em que os italianos nos terão provavelmente precedido. Pelo menos, é deles a expressão em que o conceito se consagrou entre as nações. Dolce far niente, olhando pelo «vidro» como o das tendas de campismo para o palco onde se iria representar O PRINCIPEZINHO, de Saint-Exupéry.
Não foi bem assim. Acabámos por assistir a uma série de momentos teatrais, a uma «rapsódia» de temas. Deixamos de mostrar um deles, dança das «arábias» em que a dançarina era um títere. Muito bonito, para gáudio das crianças de todas as idades que ali estavam. Fique aqui para amostra um jogo malabar com bolas, ao som da música. É sempre o mesmo, mas não deixem de ver até ao fim. Lembrai-vos do Bolero, de Ravel, que também parece ser sempre o mesmo..., salvo as devidas distâncias. Quando a focagem se esfumar em neblina, esperai um pouco, enquanto a música continua. De O PRINCIPEZINHO, só o palco que lhe deve o nome.
Pagámos bilhete e ficámos a ganhar.
A dupla de actores está de parabéns.

A tarde estava de chuva. Passada a porta de entrada principal, estamos num espaço de passagem — a capela de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Óbidos, com um varandim forrado de azulejos —, com saída por outra porta, à direita da parede fronteira. Curiosa capela, atravessada como uma rua, conserva a sua espiritualidade nos níveis mais elevados, com a imagem da Virgem, os azulejos em branco e azul e o tecto pintado. Passada ela, estamos dentro das muralhas. Aqui começa a velha Óbidos. Primeira fotografia: a Rua Direita e a outra que lhe corre paralela, a «casa da música», à esquerda, o monumento camoniano...
Já no recinto do castelo, entramos no pavilhão em madeira da «Rua das Prendas» e no piso superior tomamos qualquer coisa, aguardando que chegue a hora do espectáculo. Donde estamos, vemos o Palco Principezinho, onde irá ocorrer o espectáculo para crianças de todas idades. Ainda há tempo de apreciar as actividades para todos os gostos no largo e declivoso recinto: comes e bebes (hambúrgueres, pão com chouriço, ginja em copo de chocolate, castanhas assadas), carrossel infantil, canto da biblioteca..., com um bibliotecário especial — velho, o manto e o carapuço vermelhos, as abas brancas, da mesma cor da barba.
Entramos no espaço do palco. Várias situações mais ou menos circenses nos esperam. O agrado é geral e as palmas aparecem.
Da peça baseada n'O PRINCIPEZINHO que esperávamos ver por um equívoco de nome, nada feito. Restou o cartaz no palco com a imagem do livro  o planeta —, onde estava sentado o Principezinho, que aqui em Óbidos, no ano de 2016, foi o inspirador da actuação dos dois artistas. Bom trabalho!
Deixamos Óbidos, contentes, descendo a rua que desce da igreja de Santiago, bem comprida, devagar, num dia de chuva...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Parque Linear Ribeirinho Estuário do Tejo

27-11-2016, Domingo
Na Póvoa de Santa Iria, com o «Tejo a pé»
Ainda antes de toda a  gente chegar, tirei algumas fotografias sem encarar de frente o mouchão grande da Lezíria, por causa do sol.
Às 9:45, iniciámos a caminhada junto à Praia dos Pescadores, na direcção norte. 
Foi uma primeira aproximação a esta que já foi zona de avieiros. Corvos grandes, de corpo esguio, voam perto da margem em vigorosas braçadas. Conversou-se bastante, pequenos grupos faziam-se e desfaziam-se..., sem perder de vista o que nos rodeava.
De regresso, deixando Alverca para Arruda dos Vinhos, os nossos olhos contemplam por momentos a larga faixa densamente coberta por espécies vegetais, o rio, o mouchão grande... Um olhar para trás, sem ficar transformado em estátua. De sal, bastou o que tive nas mãos, pequena ponta de salicórnia, sal verde, como alguns lhe chamam.
Há que voltar, sem horário.






Convite para a inauguração do espaço


Carimbo do café Guarda-Rios
__________________________________________________________________
http://www.cm-vfxira.pt/pages/338 (O Parque Urbano da Póvoa de Santa Iria e o Parque Linear Ribeirinho Estuário do Tejo)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Cortar ou não cortar, à vontade do freguês

Não quero chatear, mas esta é só mais uma!...
______________________________________________________________________________________

"Para os mais desatentos, a forma "interrutor" (sic) passou mesmo a ser uma variante de "interruptor". E exclusiva de Portugal.
Além de constar no Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), elaborado pelo ILTEC, figura agora também no "Vocabulário Ortográfico Comum" (VOC).
Aparentemente, o ILTEC, numa interpretação muito própria das "pronúncias cultas da língua" explanadas no "Acordo Ortográfico" de 1990, encontrou espécimes raros que omitem aquele "p" na pronúncia.
Perante tamanha anomalia linguística, não será de admirar que os incautos (e não só) andem a cortar consoantes a torto e a direito na escrita, na convicção de que aplicam a moderna ortografia.
Mas a culpa não é do AO90, pois não, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa?
Imagem daqui: http://bit.ly/2fGehPh
Subscreva a iniciativa de referendo: http://bit.ly/2cPDNDL [Com a devida vénia a «cidadãos contra AO 90»]

sábado, 19 de novembro de 2016

O Quartel-general de Wellington no Vimeiro

Domingo, 13 de Novembro de 2016
Pelas 15 horas, estava programado o início da última jornada do Ano de Wellington no Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro. Deixo o carro na zona onde estão sediados os edifícios do quartel-general do general Arthur Wellesley, mais tarde duque de Wellington e marquês de Torres Vedras, do hospital de sangue (muito provavelmente?) e a igreja. Vou subindo até ao cimo da colina e, aí chegado, alcanço o Centro de Interpretação, já o Coronel Américo Henriques com a sua veemência contagiante nos dizia da Guerra Peninsular e respectivo contexto. Tempos muito duros. Por mim, lembro muitas vezes a crise ou revolução de 1383-1385, em que nas palavras de Camões n'Os Lusíadas Portugal viveu um «grande aperto». Há semelhanças com os dias de hoje, o que também nos foi apontado.
Para saber mais, pode ver-se as informações contidas nas legendas, abaixo. Há também um pequeno vídeo em que não me canso de ver a parte final, da dança.

 *




Houve «comunicação do Coronel Américo Henriques sobre “O Povo Português na Guerra Peninsular”, seguida de um passeio evocativo pelo Vimeiro com momentos de animação histórica pelo Grupo de Recriação Histórica do Vimeiro e pelo Grupo “Guerrilha de Montagraço”.»  (Do sítio na internet do Município da Lourinhã)

O coronel Américo Henriques foi veemente. Comunicou entusiasmo a quem o ouvia. As nossas fraquezas também não foram poupadas e assim terá de ser, se se não quiser faltar a um retrato realista. A ida do príncipe regente para o Brasil, o embarque, tesouros abandonados no areal devido à urgência da partida, os milhares que acompanharam D. João... O povo ficou. «Os estados não têm amigos, têm interesses», disse e repetiu o orador na evocação da Guerra Peninsular, dando alguns exemplos. Do que foi dito se concluiu haver semelhanças claras entre a situação portuguesa de há duzentos anos e a vivida actualmente. E nem tudo podemos atribuir aos outros.





 *
Passeio evocativo

O primeiro passo foi ir ao miradouro. Do outeiro do Vimeiro para o campo de batalha.

Marcha em direcção ao quartel-general, à vista do largo da Igreja.




Rua dos Oficiais. O último edifício à esquerda pertence ao conjunto do quartel-general

Bandeira do Regimento N.º 19



Depois do fracasso dos franceses na tentativa de tomar o outeiro do Vimeiro, Junot mandou atacar na zona da igreja.  Nesta imagem, a Dr.ª Ana Bento explica como foi a reacção popular das pessoas que estavam na igreja juntamente com o padre. Saíram pela porta da igreja inflamados de ira na defesa do seu chão. Num dos painéis cerâmicos da praça do Monumento, entre o Centro de Interpretação e o obelisco, onde não é perceptível a contribuição popular, a legenda:

Antiga Igreja do Vimeiro
21 Agosto 1808
Foi defendida pela brigada Anstruther
do 3.º ataque Francês
                                                                           


Rua 21 de Agosto


*



A fúria alegre de hoje, que o pior foi há duzentos anos..., pouco mais. Nestas reconstituições há boa disposição. Pena não ter visto as outras actividades do Ano de Wellington. A brincar também se aprende o nosso passado, quem somos...











*

A Dr.ª Ana Bento, do Centro de Interpretação, no uso da palavra



Imagem antiga do quartel-genaral
Seguiu-se projecção de diapositivos, comentados por Ana Maria Martins, apaixonada pela história; já foi presidente da Junta e mantém no facebook um caderno de Apontamentos sobre o Vimeiro e arredores. Aí podemos encontrar fotografias antigas, de pessoas, edifícios, mapas e outros documentos. E ainda um suplemento do jornal Alvorada, «VIMEIRO DOS HERÓIS» (32 páginas): heróis do quotidiano  — autarcas, artesãos, donos de quintas e de algum modo as próprias quintas, párocos, associações culturais e recreativas (Vimeiro e Toledo), estabelecimentos com porta aberta ao público, habitantes já desaparecidos. Dá-se notícia de património histórico em geral. O nosso destaque, entre os artistas, vai para o Sr. Salvador (Salvador Vítor Ferreira da Silva). Pintou cenas da batalha do Vimeiro, sendo dele os painéis cerâmicos da praça do Monumento, o grande «fresco» da batalha no piso inferior do Centro de Interpretação e as placas toponímicas, bem interessantes e algumas delas com a figura de homens e mulheres da terra, com traje personalizado.

Ana Maria Martins, habitante do Vimeiro e profunda conhecedora da história da localidade, vai também falar sobre este edifício histórico, contando pormenores sobre a sua evolução ao longo do tempo. (Do sítio na internet do Município da Lourinhã)
O espaço serviu também de escola primária, sede da junta de freguesia, jardim-de-infância... A dona, Professora Rosa, deu o edifício à igreja, mas desconheço por ora a situação. Muito interessante será conhecer melhor todas as utilizações que foram sendo dadas ao «quartel-general», depois do tempo da batalha até aos nossos dias.



O edifício do quartel-general na altura em que serviu de jardim-de-infância






*



A atividade “O Quartel-General de Wellington no Vimeiro” culmina com um lanche temático no Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro. (Do sítio na internet do Município da Lourinhã)



Quando podiam, os ingleses não se privavam (os graduados?) de nada, como se estivessem na loira Albion, por exemplo, a caçada à raposa. Dona Raposa, aqui representada, com dois cachos de uva pendentes. Uva, vinho.

Vinho, a casta arinto. Wellesley apreciava o seu arinto. Aqui o vemos entre a raposa da caçada e  Napoleão caçado dentro do cofre com as nossas riquezas.


Na mesa se vê alguns despojos do lanche oferecido. A raposa está em maior destaque, a propriamente dita. As outras duas compõem o quadro.











 *
 WELLINGTON E A GUERRA PENINSULAR
EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA


Espólio «composto por um fundo documental doado ao CIBV por Armindo Curto Fernandes e por uma maquete da Batalha do Vimeiro doada pelo Agrupamento de Escolas D. Lourenço Vicente. Está ainda patente uma coleção de soldados da época, emprestada por João Peixoto.» (Ver o sítio na internet do Município da Lourinhã)



 *

Já de noite, regressamos ao ponto em que deixámos o carro. Esta talvez seja a foto mais verídica da solidão, da pouca luz em que a igreja se recortava. À direita, ficou demasiado escura.



***


A actividade «O Quartel-general de Wellington no Vimeiro» foi a última de várias levadas a cabo por iniciativa do Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro (21 de Agosto de 1808). O Coronel Américo Henriques fez uma comunicação sobre O Povo Português e a Guerra Peninsular, após o que se deu início a um passeio pelas ruas do Vimeiro com uma reconstituição histórica a partir da igreja na direcção do quartel-general, de que foi visitada uma sala. Aí recebemos uma lição de história local, nomeadamente os diferentes usos que foram sendo dados ao edifício, contribuindo para o preservar. É uma importante memória que devemos continuar a acarinhar.
Regressando ao Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro, fomos brindados com uma agradabilíssima dança, até pela sua graça singela, ritmo repetido, marcado pelo tambor. Não me canso de rever o vídeo. No fim, lanche temático no CIBV.
***
https://www.facebook.com/AMBV1808/ (Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro)
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2016/06/guine-6374-p16252-agenda-cultural-487.html (Programa da Recriação Histórica - 15 a 17 de Julho de 2016, com referência ao grã-tabanqueiro Eduardo Jorge Ferreira, presidente da mesa da assembleia geral da Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro)