domingo, 19 de abril de 2015

Passando pelo Varatojo, em fim de tarde

Sábado, 18
Saímos da rotunda que dá para a Fonte Grada, casal da Broeira e Paul. Avançamos umas centenas de metros, deixando à direita a ÁGUAS DO OESTE, ETAR DE TORRES VEDRAS, nem se dá por ela, com o Varatojo no alto do seu monte, a dominar, airosamente. Mais centenas de metros e, na bifurcação, o pequeno monumento das ALMINHAS. Uma breve exploração pela estreita estrada da esquerda que leva a casas agrícolas, ambiente campestre.
Seguindo, pela direita, passamos vagarosamente pela povoação, à volta do convento a que D. Afonso V fica para sempre ligado. Sem parar, vamos apreciando, a pensar em voltar, toda uma manhã. O grande painel, à beira da estrada, que tantas vezes passamos sem ver, chama-nos. Paramos, de novo; de junto do oratório, com Santo António e o Menino, goza-se a paisagem até Montejunto. O castelo e a igreja de Santa Maria. O castelo, tão importante que nos é, precisa de ver reposto o pano de muralha que lhe falta.
Regresso, pelo mesmo caminho. Se tivéssemos descido, em direcção à várzea de Torres, encontraríamos as outras ALMINHAS, que desse lado aguardam os viandantes.






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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Selecção de ontem

A minha selecção vai para José Diogo Quintela, que já tenho lido. Desta vez achei muito bom. Ia a dizer «perfeito».
Análise da 17.ª Jornada do Campeonato da Empatia
Há 15 dias, fiquei angustiado com o acidente aéreo da Germanwings. Vi os noticiários de todos os canais; andei pela Internet a pesquisar os parâmetros de segurança da cabine do Airbus A320; concordei com o meu vizinho de cima quando, no elevador, me disse que era um horror; cliquei em coraçõezinhos de várias fotografias do Instagram. Ao nível técnico-empático, estive estupendo. Mas estraguei tudo na semana seguinte, ao não dedicar a mesma atenção ao massacre na Universidade de Garissa. Vi só o telejornal da noite e nem sequer me dei ao trabalho de ir ao Google Maps ver onde fica Garissa. Beneficiei os Alpes em detrimento do Quénia.
Sou relapso nesta inconsistência. Já me tinha acontecido o mesmo depois do massacre no Charlie Hebdo. A aflição pelo que aconteceu em Paris não foi a mesma em relação às chibatadas aplicadas a Raif Badawi, o bloguista saudita.
 Felizmente, posso sempre contar com a multidão de apontadores de hipocrisia que, de imediato, assinalam incoerências na intensidade dos compadecimentos.
São os super-heróis da comiseração. Depois das equipas de salvamento à procura de caixas-negras, vêm os guardiões da empatia há procura de ovelhas negras que não dediquem exactamente o mesmo grau de tristeza a todas as tragédias. Pesam o pesar, em pequenas balanças pleonásticas. À velocidade com que denunciam a dualidade de compaixão, é provável que também meçam a olho.
 Pugnam pela equidade na lamentação, opõem-se a hierarquias de transtorno. E exigem que todas as calamidades tenham o mesmo espaço nos jornais, seja uma inundação em Alcântara ou em Manila. Esta semana, voltei a falhar. Enquanto a morte de Manoel de Oliveira me fazia pena, lembrei-me que não lamentei o falecimento de Wu Tianming, o realizador chinês que se finou no ano passado. Eram ambos cineastas venerandos, assisti ao mesmo número de filmes de Wu Tianming e de Oliveira (cerca de zero), estão igualmente cadáveres. O que me faz borrifar na equidistância?
Ainda por cima, sou faccioso não só na resposta a grandes catástrofes e desgraças menores, mas também face a bagatelas sem carga dramática. Por exemplo, há tempos li uma notícia sobre os possíveis nomes para a filha do Príncipe William e, após breve reflexão, concluí que não sei o nome de nenhum dos 25 filhos do Rei Mswati III, da Suazilândia. Aliás, na altura nem sabia que o Rei Mswati III tem 25 filhos. Ou, sequer, que é o Rei da Suazilândia. Aliás, ignorava que a Suazilândia é uma monarquia. Vou ser franco: nem sabia que é um país, julgava que era um parque temático. Tive de me wikinformar para escrever este texto.
 Tenho inveja dos paladinos da equidade, que conseguem racionar a mesma quantidade de lágrimas para uma morte na família, a morte de um vizinho ou a morte de um estranho. Apresentam uma notável regularidade exibicional na comiseração. Devem ter descoberto o segredo para se comoverem o mesmo por todos. Desconfio que seja não se comover por nenhum.
            [Na Revista do Público, 12-4]

O Abade de Baçal


Capa do Tomo XII de 
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança
(Até há algum tempo, estava disponível um CD, com esta obra completa)

Chegado a Bragança em 68 (estive na região transmontana, os seis concelhos do Norte, dois meses), logo me falaram do Abade de Baçal. Continuava vivo na memória das pessoas. Andava ali, com elas. Doutra pessoa me falaram, mas não vem agora ao caso, e era o engenheiro Camilo de Mendonça.
Visitámos o Museu Abade de Baçal. Sobre ele sempre se fala um pouco e de como algumas peças foram doadas e quem as doou. Um dos amigos do abade era o Montanha. «O Montanha era rico, o abade de Baçal era pobre.» O Montanha deu ao museu uma papeleira pintada. É em tons de azul por fora e com veios rosa por dentro, a imitar mármore. Avançamos, no primeiro piso, e adiante, do lado da rua, uma pintura de Sarah Afonso; mais à frente, uma colecção de desenhos de Almada Negreiros. A senhora que nos guia é boa cicerone, boa «explicadora», como alguém dela disse (a R. sabe).
(Apontamentos de viagem, Verão de 2007)
Além das
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança ou Repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, bio-bibliográficas, heráldicas, etimológicas, industriais e estatísticas interessantes tanto à história profana como eclesiástica do distrito de Bragança (esta 2.ª edição é de 2000: Câmara Municipal de Bragança/Instituto Português de Museus – Museu do abade de Baçal),
publicou
Moncorvo. Subsídios para a sua história ou notas extrahidas de documentos inéditos, respeitantes a esta importante villa transmontana. Porto: Illustração Transmontana, 1908.
Chaves. Apontamentos arqueológicos. Chaves, 1931.
Vimioso. Notas Monográficas. Coimbra, 1968, Publicação da Junta Distrital de Bragança. Co-autoria de Adrião Martins Amado.
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 Hoje, o Público traz um artigo sobre o abade de Baçal que vale a pena ler. O Nordeste Transmontano não seria o mesmo sem o abade de Baçal.

sábado, 11 de abril de 2015

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sr. Francisco Porfírio

7de Abril
Chico da Bola
Soube, pouco antes da meia-noite, na página do facebook da Cooperativa de Comunicação e Cultura. O Sr. Francisco deixou-nos, despediu-se e o funeral é amanhã, às 11 horas. Acompanhá-lo-ei nesta última estação.
Tinha uma grande consciência dos tempos que vivemos. Era leitor assíduo do jornal diário disponibilizado pelo café, que lia demoradamente. O mundo e o seu desconcerto chegava-lhe, também, nestas páginas. Era um bom observador do que o rodeava e reagia com versos seus. Várias vezes o ouvi, mas não tantas que decorasse a sua peça de antologia, em que não faltava a relação do homem e da mulher. Não foi possível transcrevê-la. É, agora, uma recordação.
Era (e é) uma pessoa por quem tinha afecto, num convívio de estarmos com frequência no mesmo espaço d'A Brasileira, uma sala familiar, nos últimos oito ou nove anos.
Foi um dos elementos do grupo A Pandilha, que com as suas rábulas animava os torreenses. Para a festa do Carnaval, participava, contribuindo com o seu trabalho na feitura das cabeças dos grandes bonecos ou gigantones, com papel de jornal amassado, pasta ou cola e o que fosse preciso.
As fotografias do exterior d'A Brasileira procuram dar o ambiente em que se movia o Sr. Francisco, Chico, para os amigos. Morava na Várzea, perto do que foi muitos anos o café Diamante, actualmente, com outro nome.
São publicados dois trabalhos, com a devida vénia aos seus autores.


Este era o lugar habitual do Sr. Francisco Porfírio, que vemos sentado na sua mesa, à nossa direita
(Recorte da fotografia anterior)

Esta janela dá para a Rua de 9 de Abril
Vê-se o Sr. Francisco Porfírio, dentro do café


No painel, lê-se, ao alto, «MESTRE CHICO DA BOLA (Fotos tiradas por Luiz Fortes)» e, como legenda, em baixo; «Disponho destas fotos, para, através do tradicional Café da Brasileira dos pastéis de feijão de Torres Vedras, homenagear e honrar o popular artista que é, o nosso grande amigo Chico da»



Este e os dois quadros seguintes são exemplos de fotografias de edifícios, monumentos, figuras e obras de arte que decoram as paredes d'A Brasileira



Esta e as quatro fotos seguintes documentam o lugar mais vezes ocupado pelo Sr Francisco Porfírio e a vista que dali se tem para o «Largo de S. Pedro»





Este outro lugar também era da predilecção do Sr. Francisco, com vista para a sapataria Celta (Rua 9 de Abril) e para a Rua de Gago Coutinho.


Mais uma «merenda do acordeão»





As pessoas participam na Procissão do Senhor dos Passos do ano passado




Durante o Carnaval do ano passado

segunda-feira, 6 de abril de 2015

ÓPERA BANKSTERS - HOMENAGEM A VASCO GRAÇA MOURA

      Domingo de Páscoa, 5 de Abril
      No Teatro-Cine, de Torres Vedras, 16 horas

      Bankster, Banksters, palavra formada, a partir de banker(s) e gangster(s). Foi usada em 1933 pelo juiz Ferdinand Pecora, responsável pela investigação sobre as práticas de Wall Street que conduziram ao crash de 1929 (ver, aqui), embora tivesse aparecido na imprensa dos E. U. A., um ano, um ano e meio antes.
      Foi muito agradável este espectáculo de ópera. Melhor, ainda, seria se, em vez da versão de concerto, tivéssemos assistido à versão integral, como se pôde ver no Teatro Nacional de São Carlos em 2011 (estreia no dia 18 de Março). E gostaria de poder adquirir o libreto, com todas as falas.
      Dito isto, oferecemos abaixo, com a devida vénia, o linque para o pequeno caderno com texto de Afonso Miranda e sinopse da acção.
      As grandes companhias internacionais e a aparente falta de suficiente controlo das suas actividades, a existência de paraísos fiscais, perante a muito provável impotência dos Estados, são situações de todos conhecidas e que a quase todos assustam. Mas, mais... O material e o imaterial, digamos o espiritual, estão juntos, numa ópera sobre a vida moderna e a dimensão trágica de todos os tempos.

Banksters, a ópera de Nuno Côrte-Real (n. 1971), apresenta-nos uma sátira do mundo actual, um mundo esvaziado de valores e referências espuirituais e metafísicas, um mundo cada vez mais dominado pela razão material e instrumental. Nesta época dessacralizada, na qual todos os ideais se parecem dissolver nos imperativos económicos, o homem parece perder o seu espaço cósmico interior. Vivemos anestesiados, na busca urgente da felicidade material, e perdemos de vista o essencial, o sentido do mistério, o olho que olha o invisível. Plena de simbolismo e de ressonâncias metafísicas, mas também de ironia e humor, Banksters põe em confronto dois mundos: o da vida material e o da vida espiritual, o mundano face ao divino.
(Primeiro parágrafo do texto de Afonso Miranda)
      (Ver mais, aqui.)


Cartão-postal, impresso dos dois lados

O mesmo

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Ópera Banksters - Homenagem a Vasco Graça Moura (pág. da C. M. de T. Vedras, na net)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Pelas ruas de Torres Vedras

1 de Abril, 19:09

     Estabelecimentos: à direita, Maria Cachucha, bar e restaurante de tapas; perto da igreja de S. Tiago, O Pipo, café-restaurante.