terça-feira, 11 de novembro de 2014

Estive no Porto

Um pouco antes da hora marcada, já estávamos no patamar de entrada da Câmara, talvez encostados ao parapeito, onde nos podemos apoiar e contemplar o desafogo dos Aliados, com o edifício das Cardosas, ao fundo, e mais para trás e por sobre isto, na linha de fuga a ligar ao horizonte, o alto da sé. Pedro Baptista, que reclamou a presença de Nozes Pires, seu condiscípulo e ambos com actividade saliente no movimento estudantil da Universidade do Porto, aparece e cumprimenta-o cordialmente. Gostei do Pedro Baptista e do seu vigoroso aperto de mão.
Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto,  apresentou o autor e o livro, e o mesmo fizeram José Manuel Lopes Cordeiro (historiador), José Queirós (jornalista) e José Sousa Ribeiro (editor). 
Chegou a vez do homenageado (a presença das pessoas, no seu apreço visível fez da sessão uma homenagem) falar um pouco de si e do seu tempo de moço, até ao 25 de Abril de 1974. Devia dizer falar do livro, mas é a mesma coisa. Entre outras coisas  e factos importantes que referiu, deu a certa altura grande destaque a uma pessoa que quis estivesse presente e indicou e nomeou por extenso -- José Augusto Nozes Pires --, não esquecendo neste momento Pedro Pisco e uma terceira de que não fixei o nome. Recordo a figura deste senhor, Pedro Pisco, que esteve junto de nós nos momentos que precederam a entrada no belo átrio da entrada.
Já li passagens do livro, do capítulo onde se narram os acontecimentos de 1968 na Faculdade de Letras, livros lidos pelo autor e seus confrades do curso de Filosofia, convívio e tertúlias em cafés e outros lugares, as aulas de alguns professores, entre eles Ferreira de Almeida, José Penedos e mais algum. Discussões de dialectas — diria — com Pacheco Pereira, então como hoje, muito bibliófilo; o que vieram a ser alguns deles pela vida fora... Nozes Pires, grande orador, e seriedade.
Enquanto as pessoas que tiveram a cargo a apresentação da obra e o próprio autor evocaram a época, o percurso de Pedro Baptista —, o que de maneira geral se pode agora calmamente ler em 
DA FOZ VELHA A'O GRITO DO POVO
A oposição maoista à ditadura
Memórias, [1948 - 1974]

fui ao mesmo tempo observando, procurando decifrar o que via nesta espécie de museu que é o átrio, com as suas coisas permanentes e temporárias: a escadaria para o primeiro piso, as duas grandes telas que delimitam o salão em que nos encontramos, exibindo a marca PORTO, de maneira diferente, um grande ovo de pedra posto no meio do corredor-salão. É uma abóbada celeste, ovo onde cabem todos os mundos, ou simplesmente uma abóbada; por dentro, uma estrela, luz azul ou um planetário; em órbitas sucessivas, planetas, o que quisermos.

Olhando para o cimo, na parte central da sala, a pintura das armas do Porto, com a sua divisa, mais longa que o habitual, dizendo indirectamente da importância desta cidade.  
ANTIGA MUITO NOBRE
SEMPRE LEAL
E INVICTA CIDADE DO PORTO

Entre as duas torres, está representada Nossa Senhora da Vandoma (padroeira principal). Pendente do escudo, o colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, grau oficial, concedida à cidade do Porto, em 26 de Abril de 1919. Na medalha, lê-se
VALOR . LEALDADE .  E .  MÉRITO
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Houve lugar para troca de impressões com companheiro ocasional, em lugar afastado do epicentro da cerimónia de apresentação do livro. Contou-me que, durante uns bons vinte anos (mais?), o Porto praticamente não tinha vida nocturna; as pessoas não saíam, talvez por receio... Hoje, a partir das onze horas (da noite), começa a «movida». Os Aliados ficam cheios de gente aí nos botecos do lado direito...
Conversa agradável.
Pude comprovar a vida nocturna em vários pontos da cidade.






Estátua do Corregedor Francisco de Almada e Mendonça,
grande urbanista da cidade do Porto








Do átrio, um pequeno corredor conduz a esta janela
Através do vidro, a cidade


É noite nos Aliados
 
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