É uma figura que, a mim, suponho que como quase toda a gente, é
simpática. Suponho que o povo gosta de Salgueiro Maia, tem-no como um dos seus.
É um capitão da gente, um capitão nosso. E novo. Uma das minhas mágoas foi —
incompreensivelmente — ter rejeitado umas décimas que o meu pai trouxe, talvez
de Arraiolos, escritas por ele (?), à mão, sobre Salgueiro Maia. Não sei se por
prurido, impulsivo, de duvidar da qualidade, não quis ficar com as décimas.
Além do mais, representavam um carinho do meu pai, sabedor de recolhas, por mim
feitas na zona de Estremoz. E, possivelmente, as décimas até eram boas. A minha
mágoa vem de ter eu o sentimento de que mal olhei para a «coisa»; salvavam-se
sempre o valor documental, o que era muito, e o valor afectivo da prenda, que
era mais. Parece que são coisas que nos «dão».
Ontem, 24, vi na televisão um documentário sobre Salgueiro Maia,
com dados que desconhecia, da sua vida familiar e de militar. A de militar
tornou-se-lhe algo frustrante, tendo inclusivamente sido transferido, a certa
altura, para os Açores, no que foi entendido como um castigo e, daí para a
frente, sente-se uma certa quase marginalização.
Devo dizer que Salgueiro Maia continua a ser Salgueiro Maia.
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