sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Évora, recentemente - Nossa Senhora de Machede

25-12-2014
Íamos para ir ao Pompeu, passe a redundância, ao fim da tarde. O Pompeu estava fechado. A gerência deve ser outra de há quarenta anos. Há quarenta anos, o senhor também já não se devia chamar Pompeu. Adiante. Certo é que houve um dia um Pompeu, que deu o nome ao agradável restaurante-cafezinho, a poucos quilómetros de Évora, no caminho de Redondo. Já vai ficando distante, mas não é preciso recuar até Roma, ao adversário de César na guerra civil; para os que conheceram o Pompeu (restaurante), com ou sem Pompeu (o senhor Pompeu), o Pompeu será sempre o Pompeu.
Íamos para ir ao Pompeu, estava fechado. Continuamos… «Vamos a N. Sr.ª de Machede!» E assim foi. Na altura própria, vira-se à direita, o condutor leva-nos calmamente, fartura de campo à volta, a uma destas freguesias aonde só vai quem quer ou precisa de lá ir. Não é terra de passagem. Ali, está-se ali. N. Sr.ª de Machede tem um motivo que atrai algumas pessoas, ao menos, uma vez; a especialização no fabrico de capotes. Quem quiser capote feito por medida, desloque-se a esta aldeia do concelho de Évora.
Se for íntimo de Évora, certamente encontrará alguém conhecido em Machede (N. Sr.ª). Ao fundo da Rua Eng.º Sebastião José Perdigão, entramos e ficamos algum tempo no café da esquerda. Há outro, na faceira oposta da rua e, ainda, um terceiro na Rua 25 de Abril. É só contornar pela esquerda o largo da Casa do Povo e avançar alguns metros.
Ao passar, à direita, vamos lendo: Travessa dos Banhas, Travessa do Lavadouro, Travessa Catarina Eufémia.
A artéria principal, possa embora ter vários nomes, leva-nos até à igreja, daí ao Largo da Casa do Povo. Depois de alguma pesquisa, vim a conhecer nomes atribuídos a ruas e largos, que, no seu conjunto, sem esquecer D. Gertrudes d’Almeida Marghiochi, lembrada em monumento, são uma amostra da sensibilidade social, política, humana da gente de Machede (N. Sr.ª) nas últimas décadas:

Rua de Évora, Rua da Tenda, Rua Soldado Joaquim Luís, Rua Engenheiro Sebastião José Perdigão, Largo da Casa do Povo, Travessa dos Banhas e Travessa do Lavadouro, Largo Doutor Bento de Jesus Caraça, Rua 5 de Outubro, Rua 1.º de Maio, Rua do Depósito, Travessa da Cooperativa, Rua da República, Travessa do Rosário, Rua Luís de Camões, Rua da Fábrica das Peles, Travessa das Figueiras, Travessa 31 de Janeiro, Travessa da Igreja, Travessa do Morgado, Rua Barbosa du Bocage, Travessa 2 de Abril, Travessa do Sargaço, Travessa das Pedras, Beco do Saraiva, Travessa das Ladeiras, Travessa do Olímpio, Rua Empresário Joaquim Pedras Maximino, Rua Manuel Josefo, Travessa das Parreiras, Rua Norton de Matos, Rua Zeca Afonso, Rua José Joaquim Isidro Tanganho, Travessa Francisco Furtado, Travessa dos Amores, Travessa Catarina Eufémia, Travessa do Peixe.

Simplificando: a estrada municipal n.º 526, a certa altura, transmuta-se em Rua de Évora, que entra pela povoação até à igreja de Santa Maria de Machede, no Largo Doutor Bento de Jesus Caraça. A via continua, com o nome do Eng. Sebastião José Perdigão, até ao Largo da Casa do Povo. Daqui derivam, à esquerda, a Rua 25 de Abril; à direita, a Rua Soldado Joaquim Luís.

*
A D. Gertrudes d'Almeida Margiochi e ao Engenheiro Sebastião José Perdigão
Machede presta homenagem, com monumento,  no Largo de Bento de Jesus Caraça e no Largo da Casa do Povo, respectivamente

1. Gertrudes d'Almeida Margiochi
Comecemos por ler a inscrição no mármore da placa afixada no monumento que foi erigido à sua memória: 
A D. GERTRUDES
D'ALMEIDA MARGHIOCHI
____

 MACHEDE,
RECONHECIDA PELA OBTENÇÃO
DAS COURELAS,

DEDICA ESTE MONUMENTO.

Para conhecer um pouco desta senhora, ver, aqui, algo da sua ligação familiar. Quanto ao processo de «obtenção das courelas», podemos aprender nas páginas disponibilizadas desta edição do Ministério da Agricultura / Junta de Colonização Interna, 1938: PARCELAMENTO DAS HERDADES DO MONTINHO E GRAMACHA, particularmente as páginas 7 e 8, sobre «um caso de divisão e subsequente arrendamento das glebas», que é justamente o caso de Machede.

2. Sebastião José Perdigão
Grande proprietário rural, teve lugar na administração do Grémio da Lavoura, como se pode ver em estudo na Revista Análise Social* Algumas reflexões sobre a liquidação dos grémios da lavoura do Alentejo e Algarve e respectivas federações, p. 539 e 541; pertencia à élite dirigente. A sua importância social foi-me primeiro revelada, através do que li, há uns anos, sobre a Missão Internacional de Arte, que levou a Évora durante quarenta dias artistas nacionais e estrangeiros. Deviam ir conhecendo a realidade alentejana e foram organizadas visitas e convívios, para os ajudar nesse objectivo. Os trabalhos, entretanto realizados e inspirados na experiência alentejana, foram expostos no MUSEU REGIONAL DE ÉVORA. Houve polémica, escândalo ou pessoas escandalizadas, «Escândalo no Museu?...»**, titulava o «dom QUIXOTE» — SUPLEMENTO LITERÁRIO DO «JORNAL DE ÉVORA». O articulista (artigo não assinado) informava das duas apreciações em confronto: arte mais ou menos compreendida, mais ou menos convencional e uns mamarrachos inacessíveis ao gosto de muita gente, arte dita moderna, abstracta. Apresentava, a seguir, as três perguntas de um inquérito e as respostas que lhe foram dadas por: Eng.º Júlio dos Reis Pereira, P.e Alves Gomes, Túlio Espanca, Dr. Vergílio Ferreira e Dr Alberto Miranda. Vergílio Ferreira teve uma polémica famosa, substancial, servida pelo seu génio literário, com Carlos da Maia (pseudónimo), este nas páginas de A Defesa, e o autor de Aparição, no Jornal de Évora.
Fique para outra ocasião a Missão Internacional de Arte, promovida por Júlio Resende e organizada pelo Grupo Pró-Évora. Teve grande eco nos vários jornais da cidade. Aqui, queremos apenas referir a pessoa do Engenheiro Perdigão (e o filho) e Machede, o seu povo e cantadores, na relação com o importante evento.
O Eng. Sebastião Perdigão pertenceu ao grupo organizador da Missão Internacional de Arte (Dr. António Bartolomeu Gromicho, Arq. Raul David, Eng. Sebastião Perdigão, Dr. Leitão da Silva e Dr. Carvalho Moniz).
___________
*Análise Social, vol. XV (59), 1979-3.º, 525-609.
** A exposição foi inaugurada, no dia 4 de Outubro de 1958.

*
FESTA TÍPICA NUMA ADEGA REGIONAL EM ÉVORA
[…]
Dirigiu a visita o activo e dedicado director do Grupo Pro-Evora, sr. arquitecto Raul David. O sr. eng. Sebastião Perdigão e seu filho sr. dr. Armando Perdigão, sempre na vanguarda e prontos a colaborarem e auxiliarem todas as boas iniciativas em prol da cidade de Évora e seu termo, ali estavam, acompanhados de um grupo de quatro cantadores do Coral de Machede, que deliciaram a assistência com a sua exibição impecável e magnífica.
[…]
Parabéns, parabéns ao Grupo Pro-Evora e louvores àqueles que, como os nossos amigos eng.º Perdigão e filhos, Francisco Caeiro, capitão Infante, dr. Alberto Silva e outros que marcam com distinção nas suas profissões, mas que ao mesmo tempo têm o sentido da verdadeira vida, cultivando o amor pela Arte com o amor e e dedicação pela terra alentejana, que procuram engrandecer colaborando em todas as boas iniciativas tendentes a valorizá-la e a propagandeá-la.
(NE, Domingo, 14-09-1958) [A descrição merece ser dada a conhecer na íntegra, incluída num tratamento mais abrangente do que foi a M. I. A.]
Missão Internacional de Arte
___
Ontem, os componentes da Missão Internacional de Arte que se encontra entre nós, foram a convite do Grupo Pró-Évora, visitar Vila Viçosa, passando por Reguengos, Terena e Nossa Senhora da Boa Nova.
No próximo domingo, 21, o lavrador sr. dr. Armando Perdigão oferece na sua propriedade no Monte do Bussalfão, em Machede, uma festa regional dedicada aos nossos visitantes.
Pata todas estas realizações o Notícias d’Évora tem sido convidado o que registamos e agradecemos.
(NE, Sexta-Feira, 19-09-1958)
FESTAS
Em N. Sr.ª de Machede
___
Realizam-se, nos próximos dias 21 e 22, as tradicionais festas de N.ª Sr.ª de Machede. Do programa fazem parte, além das habituais solenidades religiosas com missa cantada e procissão, duas touradas à vara larga, arraial com quermesses, bailes populares, concertos de música pela Banda da Casa do Povo desta freguesia e um deslumbrante fogo de artifício.
A receita destas festas destina-se a obras de assistência da Freguesia e ao Hospital do Cancro a construir em Évora. Deste modo, Machede vai marcar a sua presença ao lado dos corações bons da nossa terra.
A Comissão Organizadora dos Festejos não se tem poupado a esforços para que tudo resulte bem e conta já com algumas ajudas importantes.
Os ilustres artistas da Missão Internacional de Arte, hóspedes do Grupo Pró-Évora, visitam estas festas para melhor apreciarem o colorido, a beleza e o asseio duma das mais lindas aldeias do nosso Alentejo. Durante esta visita os simpáticos artistas estrangeiros e nacionais vão conhecer melhor o Povo trabalhador, a herdade e o «Monte» alentejanos porque a convite do lavrador sr. dr. Armando Perdigão, grande amigo de Machede, deslocam-se ao Monte do Bussalfão, onde lhes será servido um almoço regional e onde tomarão contacto com a vida e as dependências deste importante Monte Alentejano.
Por tudo isto, é de esperar que as Festas de Machede tomem este ano um vulto nunca igualado.
Ajudemos portanto a Comissão Organizadora destas simpáticas Festas para que a embaixada de Arte que vai visitar Machede aprecie as belezas da nossa Província e a generosidade dos corações alentejanos.
«Todos os que podem em favor dos que precisam» continua a ser a divisa que temos de viver neste nosso Cortejo de Oferendas, de Alegria e de Arte para bem do nosso querido Alentejo que querermos cada vez mais progressivo e mais rico.
***
Da nossa cidade partem várias automotoras para os eborenses que desejarem assistir a estas festas, com a certeza de que em Machede são sempre bem recebidos como já é tradicional.
(NE, Sexta-Feira, 19-09-1958)
 *


Igreja de Santa Maria de Machede
O orago é N.ª Sr.ª da Natividade


Na parede do barracão ao fundo lê-se «Travessa dos Banhas»







A D. GERTRUDES
D'ALMEIDA MARGHIOCHI
____

 MACHEDE,
RECONHECIDA PELA OBTENÇÃO
DAS COURELAS,
DEDICA ESTE MONUMENTO.


À direita, na placa, Travessa do Lavadouro

JUNTA DE FREGUESIA DE N.ª Sra. DE MACHEDE
Parece servir, também, de posto de correio




Na casa da direita: «Travessa 31 de Janeiro»




AO ENG.
SEBASTIÃO JOSÉ PERDIGÃO
HOMENAGEM DO POVO DE N. SRA. DE MACHEDE
1969


Na imagem, assinalado o Monte de Bussalfão, propriedade do Eng. Perdigão

HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR
Também foi denominada Santa Maria de Machede e, mais tarde, Nossa Senhora da Natividade de Machede.
Sabe-se que a sua origem vem de épocas remotas, existindo já no tempo dos Godos, pois diz-se que foi erigida em Paróquia no ano de 672, em que governava o Rei Godo Wanda.
A sua área englobava as actuais Freguesias de S. Miguel de Machede e de S. Bento do Mato, formando uma só Freguesia. Não se sabe ao certo o ano em que se desmembrou de ambas, formando uma Paróquia independente (possivelmente no séc. XVI).
A Freguesia era curado da apresentação do Arcebispo de Évora, no termo da mesma Cidade, passando depois a Priorado.
Foi antiga Comenda da Ordem de São Pedro.
Integra-se nesta Freguesia a extinta de São Vicente de Valongo.
O orago é Nossa Senhora da Natividade.
[...] (Daqui.)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Évora, recentemente - A Fonte Henriquina

24 -12-2014





«Bien merece ser coronada»
Filipe III, 1619

Legenda na peanha octogonal da coroa:
 SEBAS | TIANO | LVSIT | REGI | PIOFE | LICIIN | VICTO | VITA |
Desenvolvo e traduzo:
Sebastiano Lvsit(aniae) regi pio felici invicto vita
 A Sebastião, rei da Lusitânia, pio, feliz, invicto em vida.


A fonte foi construída, reinando D. Sebastião, a instâncias do cardeal-infante  D. Henrique, a quem também se deve a fundação da igreja de S. Antão, com a ajuda do seu irmão, o rei D. João III. Pronta em 1563, um abalo telúrico deitou por terra a abóbada. «O arquitecto das Obras da Comarca, Afonso Álvares, a solicitação do prelado fundador estudou o restauro em 1570, data lamentável para a arqueologia monumental eborense, pois nesta fase das obras D. Henrique ordenou o apeamento do arco triunfal romano da Praça Grande, que lhe ficava sobranceiro, e a subsequente recolha dos seus materiais ao Colégio do Espírito Santo.» (Túlio Espanca, no INVENTÁRIO ARTÍSTICO DE PORTUGAL / CONCELHO DE ÉVORA / I VOLUME, LISBOA, 1966, pág. 208, 1.ª col.)
Aproveitava-se para desafogar a igreja de Santo Antão, à custa do Arco do Triunfo. Dentro do  espaço deste, havia o chafariz dos quatro leões de mármore, de construção recente (1537), que foi desmontado, sendo os materiais aproveitados no edifício da Universidade. 
Conheci a fonte henriquina nos tempos de estudante de Évora, ainda com o gradeamento de ferro introduzido em 1863, por ocasião das obras mandadas fazer pela Câmara «no terreiro, tabuleiro e adro da igreja de S.to Antão»Túlio Espanca refere este facto, no belíssimo estudo, O AQUEDUTO DA ÁGUA DA PRATA (n'A CIDADE DE ÉVORA, 7-8, JUNHO - SETEMBRO -1944, pp. 103-104), de onde retirámos as palavras entre aspas, e quando torna a descrever a FONTE DA PRAÇA DO GERALDO, no I. A. P. (vol. citado, p. 249, 1.ª e 2.ª col.)
*
Entretanto, do primeiro destes trabalhos, permitimo-nos dar o seguinte texto, como apoio, e por aqui nos ficamos para não alongar este  apontamento de viagem.
*
FONTE DA PRAÇA GRANDE
A actual fonte da Praça do Giraldo, é fábrica da época de D. Sebastião, mas deve-se à magninidade do cardeal D. Henrique. Para a sua construção foi demolido o notável arco triunfal romano, atribuído por Rèsende a Quinto Sertório, e o chafariz dos quatro leões, que lhe ficava sôtoposto. O seu arquitecto foi o mestre de obras régias e do aqueduto Afonso Alvares, aproveitando-se os materiais bons do pórtico para o Colégio do Espírito Santo e Universidade, como se conclue deste documento:

             «Juiz, vereadores e Procurador da cidade de Evora o Cardeal Infante vos enuio muito sandar Afonso Alvares, cavaleiro fidalgo de minha casa, vay a esa cidade de mandado del-Rey meu senhor a dar ordem ao assento da fonte que tem mandado fazer, no lugar da praça onde comnosco e com o provedor do cano praticara, conforme a tenção de sua alteza, também pera mandar desfazer o arco que atravessa a Rua ancha,e o chafariz e pórtico onde corre agoa da prata atee o fundamento pera ficar terreiro diante da porta principal da igreja de sancto Antão, e porque há de mandar leuar pera o Collegio da companhia as columnas grandes e as mães que seruirem do ditto pórtico vos agardecerei parecer-nos bem, por que el-Rei meu Senhor lhe tem dellas feito mercê. De cintra a 21 dagosto Lourenço de Figueiredo a fez âno de 1570.
                                                                                O Cardeal Iff.te» (31)

Em 6 de Novembro de 1571, chegou a Évora o bloco de mármore para a factura da taça, que ficou dum equilíbrio e majestade excepcional, dispendendo com a obra o doador mais de 5.000 cruzados. Rematado por uma bela corôa real de bronze, que mereceria de D. Filipe III de Espanha, em 1619, como exclamação expontânea, sincera e admirativa a lendária frase «Bien merece ser cronada», o chafariz tem na volta da peanha de coroamento esta inscripção.

SEBASTIANO – LVSIT – REGI –
PIO – FELICI – INVICTO – VITA –

Em 1863, quando a Câmara procedeu a importantes obras de urbanização no terreiro, taboleiro e adro da igreja de S.to Antão, pretendeu-se isolar das cavalgaduras a monumental fonte, destruindo-se então as graciosas guardas de mármore, rectangulares, que tanto a // embelezavam, encerrando-se, finalmente, a nobre taça numa grade com pináculos, sem nenhum liâme estético. Numa época de tão grata evocação para o nosso património histórico-artístico, salvo piedosamente pelo Estado, impõe-se a reintegração primeva da magestosa fonte, hoje como ontem, alvo da admiração unânime de nacionais e estranjeiros. [Págs. 103 e 104, de A Cidade de Évora, n.os  7-8, Ano II — Junho-Setembro — 1944] 
_____________________
(31) L.º 6.º dos Originais da Câmara,  fl. 258, e António F. Barata, in «Evora Antiga», pag. 14.

NOTA: Respeitada na reprodução o ortografado, incluída a gralha evidente na linha 2, onde se deve ler «magnanimidade», bem como a da última linha do 3.º parágrafo, onde deverá ler-se «coronada».
*
(Da internet)
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03-04-2017: reescrito o parágrafo «Conheci a fonte henriquina...».

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Évora, recentemente - Rua das Amas do Cardeal

      24-12-2014
Em frente, uma casa recorda o Cardeal-Rei; na placa toponímica – Rua das Amas do Cardeal – , e no registo de azulejos, com a efígie circunscrita por breve identificação: nome, XVII rei dos Portugueses, anos que viveu e a data do óbito – 1580



HENRICVS PORT REX XVII VIXIT ANN LXVIII OBIIT. Á. M. DLXXX 
(Henrique,  XVII rei de Portugal (ou dos Portugueses), viveu LXVIII anos. Faleceu no ano de 1580)
A peça está assinada, em baixo, azulejo da direita

D. Henrique, filho do rei D. Manuel, teve grande relevo na cidade de Évora, onde foi arcebispo e principal responsável pela criação da Universidade, oficialmente inaugurada no dia 1 de Novembro de 1559. Foi rei durante dois anos, após a morte de D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir, em 1578. 
Rua Cardeal-Rei. É a rua de que tantos alunos e alunas do liceu se habituaram a ler o nome na placa toponímica, de cerâmica, circular e amarela típica de Évora, incrustada no muro branco, quando desciam vindos da igreja do Espírito Santo, para ir para as aulas. Hoje, é a vez de os universitários terem essa experiência, mesmo que pensem não ligar. Desce ao longo da entrada principal da Universidade, até se chegar à Rua de Machede. Na parte final, o espaço é mais amplo e responde pelo nome de Largo da Senhora da Natividade.
A presença do cardeal-infante e rei é ainda forte em Évora.

Mucho chulo

Sequência
É muito bonito. «Mucho chulo», disse a senhora. A senhora tinha acabado de fotografar estes gatinhos. Eu apenas copiei o exemplo. Estava com um senhor. São falantes de língua castelhana.
        Para ver com mais alma, clique na primeira fotografia e, depois, continue de maneira rápida.












segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A Banda dos Bombeiros Voluntários e o Orfeon da Escola Secundária Municipal, em 4 de Abril de 1948

Em 4 de Abril de 1948, «um sucesso em todo o país», que merece ser recordado

            O TORREENSE partilhava (transcrevemos, para facilidade de leitura):
Realisou no dia 16 do p. p.º, nesta vila e no grande salão da Associação de Educação Física e Desportiva, o terceiro concêrto radiodifundido pela Emissora Nacional, a magnífica Banda dos Bombeiros Voluntários de Tôrres-Vedras, sob a hábil regência do seu chefe, Sr. António de Amorim Pereira.
O interêsse com que foi ouvido de Norte a Sul, e os aplausos que obteve, são uma prova irrefutável, de que a nossa Banda dos Bombeiros Voluntários está cada vez mais, adquirindo fóros de ser tida como uma das melhores organizações musicais do País.
Para que ela tenha merecido os créditos de que gosa, bastante tem contribuído a sua actual Direcção, composta pelos Srs. Joaquim Marques dos Reis (Presidente), Anselmo Alves (Secretário), José Luís Umbelino e Adelino Frederico Leal Quintela (Vogais).
Da competência do seu ilustre Chefe, Sub-chefe pensionista da Guarda Nacional Republicana, Sr. António de Amorim Pereira, escusado é falar, pois é já do domínio dos nossos presados leitores.
O Orfeon da Escola Secundária Municipal, sob a direcção do Sr. António de Amorim Pereira, também se fez ouvir nessa noite, pela Emissora Nacional, e foi como o concêrto da Banda dos Bombeiros, muito aplaudido em todo o País, valendo-lhe, por êsse motivo, honrosos convites para se fazerem ouvir e abrilhantarem várias festas como a da «Queima das Fitas», em Coimbra.
Para que se possa avaliar quanto estas manifestações de arte musical agradaram, vamos transcrever alguns telegramas, cartões, ofícios, etc., recebidos tanto pela Direcção da Banda, como pela Escola Secundária Municipal, onde o Sr. Amorim Pereira é professor.
[Ver, no final, Algumas notas]







*
Algumas notas
Como se pode ver, o apreço pelo concerto da Banda e pela actuação do Orfeon foi manifestado por diversos meios: telegramas, ofícios, cartas e artigos na imprensa, vindo de vários pontos do país. Assim: Augusto Campos, «um de vários amigos de Alcáçovas»; alunos da E. S. M. de Lisboa: assinam Aldina, Salette, Benedita; Livramento Sporting Clube; esposos Melo Vieira (Olímpia Pereira Bastos de Melo Vieira e Mariano de Melo Vieira; o presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Rogério de Figueiroa Rego, ao Director da Escola Secundária Municipal; Manuel Braamcamp Sobral, Secretário-Inspector da Mocidade Portuguesa; M. Baptista Lopes, professor do Colégio de S. José, de Mangualde; Sociedade Filarmónica 1.º de Dezembro, da Encarnação, assina José Adriano Alves Rodrigues, pela Direcção; o presidente da Câmara Municipal de Torres vedras, aos Directores da Banda dos Bombeiros Voluntários; pela Comissão do Parque da Queima das Fitas, António Santos Taborda, dirigindo-se «ao Sr. Dr. Gonçalves Sampaio, que julgavam ser o director do Orfeon; Sr. Frederico Álvaro Faria Robe, crítico musical e folclorista de Braga; Américo Ferreira dos Santos, Sargento-Ajudante Músico Regimental, da «Lusitana Estremocense»; Eugénio Augusto da Fonseca, de Lisboa; Rudolf Molder, de Lisboa; António Marques Trindade, escrevendo de Regueiras; Joaquim José de Amorim (tio e padrinho do Sr. António de Amorim Pereira); Hermínio do Nascimento, Subdirector do Conservatório Nacional de Música de Lisboa.
Da imprensa, regista-se as notícias de: Concelho de Mafra (Refere a chamada Música Velha, condecorada em 1846 pelo Marechal Saldanha, considerando a Banda dos Bombeiros sua digna sucessora; elogia o grupo de alunos da Escola Secundária Municipal, salientando o brilhantismo com que interpretaram as canções populares); Jornal de Sintra («Regente e regidos, todos são merecedores de largos parabéns.» Começa por dar boa descrição do espectáculo oferecido pelo Orfeon e vai enumerando as peças executadas. Passa a falar da Banda, num apontamento mais breve, embora elogioso e seguido de convite para que venham actuar na Capital. «Tomamos a liberdade de propor a vinda da Banda à Capital para que melhor possa ser ouvida e apreciada, como de facto merece.» Sente-se que o articulista foi mais tocado, ainda, pelo Orfeon. Assina: Mário Costa Pinto); Vida Ribatejana, de Vila Franca de Xira (Elogia a Banda, o Orfeon e, no fim, a vila de Torres Vedras, que «teve mais uma oportunidade para pôr em destaque, por meio da sublime arte da música, as suas reconhecidas faculdades em todos os ramos da actividade humana»). Simpáticos vizinhos, diga-se.
Salientar: a interpretação de Fantasia Eslava, pelo 1.º clarinete, Sr. Daniel Simões Pleno. Dizemos, nós, aqui do planeta Terra, sessenta e sete anos depois, que foi uma interpretação em pleno.
O professor de Mangualde pede lhe seja facultada a música de uma das peças cantadas pelo Orfeon – Solidão – para a ensaiar no seu pequeno grupo coral.
O crítico musical e folclorista, Frederico Robe, admirando a coragem do maestro, que pôde apresentar no Sul o folclore minhoto, faz notar em tom construtivo «a falta do clarinete em dó, dos ferrinhos e do característico bombo».
O director artístico da «Lusitana Estremocense» felicita e pede que o ajudem a adquirir a marcha com que teve início o concerto, para a fazer tocar na sua filarmónica. Refere Pepita Greus, que também tem, ficando nós a saber, implicitamente, que fez parte do repertório da Banda dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras.
O tio do maestro Amorim – que não podia ouvir o espectáculo em Távora e não se resolveu a ir aos Arcos – conta o que lhe disseram, depois, os dos Arcos: «Pois não sabe o que perdeu!» e diz-lhe um músico: «Os clarinetes das nossas bandas deviam ter ouvido a primeira marcha!».
Hermínio Nascimento recorda Francisco Xavier de Melo, entre os valores musicais torrienses.

Repertório
Retiramos, de O Torreense:

Da Banda:
Fantasia Eslava,
Solidão,
O Galo Cantou,
La Phalene,
Marina.

Do Orfeon:
Laurindinha,
Trai Trai,
Solidão,
Tiroliro,
Ronda,
Lima,
Portugal É Lindo,
Caninha Verde,
Massadeiras do Linho,
Josèzinho,
Vamos, Raparigas
Verde Gaio.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Nélida Piñon

Elogio da língua portuguesa
      Hoje (terminou perto das cinco da tarde), Luís Caetano entrevistou Nélida Piñon. Fiquei a ouvir até ao fim. 
      Sobre o gosto, a sensibilidade radical dos jovens, por não haver alguma variedade, por exemplo, no campo da música: 
«Está havendo uma restrição estética profunda.»
a sua relação com Deus, a sua ideia de, a vivência de Deus. Vale a pena ouvir o que diz -- e também ler, se houver alguma alma benemérita que transcreva a entrevista, disponível, amanhã, no sítio da Rádio e Televisão de Portugal, www.rtp.pt, Antena 2, programa A Força das Coisas --, sobre este e outros assuntos, como a sua relação de grande amizade com Clarice Lispector, dezassete anos mais velha, o partido que tira de tudo o que vê e ouve. É escritora vinte e quatro horas por dia, o que não quer dizer que esteja  a usar as pessoas que vai encontrando... Quando escreve, é dos pedaços do vivido que se serve, manuscreve ou digita, talvez as coisas se apresentem naturalmente, no maior ou menor acaso do processo e mistério da criação. Todavia, do que nos conta e se conta, aparentemente, conta tudo, há sempre um resto de reserva, do que não é preciso, do que fica melhor não dizer. A palavra não pode tudo, nem deve tudo. Dela, há um livro de edição recente -- A República dos Sonhos --, mas a abordagem do momento insistiu no Livro das Horas, de memórias. 
      Na parte final da entrevista, ouvimos ler o que Nélida escreveu, vivido por ela, sonhado, dito em importantes ou banais ocasiões da sua vida,  no Livro das Horas, e ficamos encantados, agradecidos. Tudo foi vivido, sonhado, dito em português e ficamos a saber que ficaria esvaziado de sabor, de valor, anulado?, se tivesse de acontecer noutra língua. Estamos dentro de uma língua ou somo-la. O elogio da língua portuguesa, que, sem lhe chamar assim, está nas páginas do Livro das Horas, fica próximo ou ao nível do conhecido texto de Fernando Pessoa «Minha Pátria é a língua portuguesa». Esta mulher faz lembrar Camões, que referiu, mas, como escreve em prosa, recordemos o Padre António Vieira. Neste caso, o Imperador da Língua Portuguesa, a quem é impossível superar. Isto penso eu, no pouco conhecimento que tenho do assunto. Firmo-me nisto, depois do último sermão que li sobre Nossa Senhora do Ó.
      Estamos, no entanto, falando de Nélida. Já encomendei o Livro das Horas. São fraquezas, em tempo de crise. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Deste Carnaval, gosto

13 Fev. 2015, 14:15
Na Paiva de Andrada, gente bastante nova na zona do HORA H. Tirei umas fotografias, de longe. Ovídio pediu-me para lhe tirar uma foto. Depois, quis outra com um amigo. Não estava triste, como, às vezes, o seu grande homónimo da antiguidade*. O amigo, já depois disto, numa corridinha de ocasião, que nas ruas nem sempre se está parado, para mais, nestes dias..., deu-me um encontrão(zinho), de passagem. Tudo bem; «numa boa», diria o Orlindo.
Fui passando, rua abaixo. Vejo pessoas, divertindo-se, calmamente. A alegria do encontro, numa época especial. O HORA H está cheio; dança-se, «com medida». Também se pode dizer pegado, dança «comedida». Cá fora, como disse, um círculo informal de gente. É a «esplanada» do HORA H.
Um pouco adiante, vinham subindo a rua umas rapariguinhas, de polícia, vestidas de preto, como num dia qualquer.
Deste Carnaval, gosto.

 Não se metam com a «senhora»

 Afinal, Ovídio está armado. E o amigo está armado em apoiante.

Ao fundo estão quase a aparecer as raparigas-polícia. É só esperar um bocadinho

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* Ovídio, poeta romano, foi castigado em 8 d. C. pelo imperador Augusto, com o exílio em Tomis nas costas do Mar Negro, por motivos nunca completamente esclarecidos. Aí escreveu, ainda, sempre com saudades da pátria, Tristia (a adversidade, os acontecimentos lamentáveis, as coisas tristes), Epistulae ex Ponto, (Cartas do Ponto) e Ibis, título pedido de empréstimo a obra homónima de Calímaco, hoje, perdida.
Ovídio morreu em Tomis (17/18 d. C.), actual Constança na Roménia, que o reivindica como o seu primeiro poeta.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O' p'ra eles!, tão lindos...

 O' p'ra eles!, tão lindos...


Padre Vítor Melícias
Em pessoa ou assim, é presença habitual em Torres Vedras; nasceu na freguesia do Ramalhal

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      Estava à porta d'A Brasileira e vi-os passar, alunos, professores e funcionários da Escola Secundária de Madeira Torres. À frente, o «Padre Vítor Melícias» e o Grupo Ribombar - Grupo de Gaitas e Percussão,  da Escola do Padre Vítor Melícias. 
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2015
Ribombar no Carnaval
Dia 7/2 - Animação da Real Embaixada do
Carnaval de Torres a Lisboa
Dia 12/2 - Animação do Carnaval da Escola
Secundária Madeira Torres
Dia 13/2 - Animação do Corso Escolar do Carnaval de Torres
Dia 15/2 - Animação do Corso Diurno de Domingo
do Carnaval de Torres
Dia 12/2 - Animação do Corso Trapalhão do
Carnaval de Torres
(Tirado daqui.)