sábado, 31 de dezembro de 2016

Sarge a Gibraltar - ida e volta

31 de Dezembro de 2016
Na despedida do ano vou a Gibraltar às compras a um estabelecimento dos que passam de boca a ouvido. Fruta a preço convidativo... E que bom é ir a Gibraltar, com vista para a Gondruzeira, Ribeira de Pedrulhos, Varatojo... Tudo lugares que me habituei a visitar, ir conhecendo, admirar, amar, porque não?
O espaço a que me destino tem por vizinhança o HIPER ESPAÇO e do outro lado da estrada os MÓVEIS SANTO AGOSTINHO. Somos bem atendidos. Os produtos anunciados em expositor do lado de fora são dióspiros e clementinas, mas do que a casa vende há informação mais pormenorizada em painel à esquerda de quem entra.

Sabores e Costumes
Comércio de Produtos Alimentares
Bacalhau e Afins
Charcutaria e Enchidos Regionais
Vinhos Regionais de Qualidade
. Congelados
. Azeites Regionais
. Frutos Secos
. Frutas e Legumes
Entre o Hiper Espaço e Sabores & Costumes, uma pequena rua baptizada simpaticamente em homenagem a quem a viu nascer: os Afonsos, pai e filho, moradores numa das casas.
A volta ao Sarge teve breve paragem no Choupal, para desejar um Novo Ano cheio de saúde a amigo no café Xeirinho. Olhar demorado a tudo o que nos rodeia, a Ermida da Senhora do Ameal, Choupal, Castelo, Monte da Forca, forte da Ordasqueira, ao longe. Vou dizendo adeus a toda a paisagem minha conhecida:
— Adeus Gonçalo de Lagos, esperando e falando a quem entra em Torres Vedras… Adeus!, adeus!, adeus! …    …    …, adeus, vale do Sarge!, adeus café O Zé!... Adeus!, adeus!, adeus!, adeus [O] Migalhas!, adeus Chaminé!, adeus Arco-Íris!...
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Um bom 2017, para todos, com alguns dos mais caros desejos realizados, principalmente a saúde para quem sofre…

Viva 2017!

Há espaço para estacionamento atrás da rede

Sabores & Costumes
Ao lado direito, a placa identifica a Rua dos Afonsos




No outro lado da estrada, ao lado dos Móveis Santo Agostinho
Do lado de lá do rio Sisandro, vemos ao fundo uma adega e a casa já vetusta, mas ainda com dignidade, num dos caminhos que levam da Ribeira de Pedrulhos ao Varatojo e tantas vezes percorrido a pé pelas crianças e jovens para a catequese e missa no convento. Gente ainda viva.

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Choupal

Choupal, no lado da Encosta de S. Vicente

O Choupal, visto da zona do Xeirinho



Ermida de Nossa Senhora do Ameal
Ao fundo, o Monte da Forca


São Gonçalo espera os passantes. Fala com eles.
No horizonte, o forte da Ordasqueira, no sítio assinalado com um moinho, vigia. Ainda espera os Franceses?

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No Sarge

Imagem de 18-03-2014


Imagem de 18-03-2014


Imagem de 18-03-2014

Vale do Sarge, já depois de passado o Domus Misericordia, lar e clínica da Santa Casa                                                                                                                

O vale do Sarge, vista para a banda poente, tendo o jardim atrás do observador e perto do café-restaurante O Zé. 

O lado nascente do quadrilátero formado pelo jardim, vendo-se o edifício do «café do Zé».

Café-restaurante O Zé, com entrada pela Rua do Valigoto. Encerrou no dia 31 de Dezembro de 2015.
Abriu, com nova gerência nos meados de 2016, mas voltou a fechar pouco depois.


Frente à entrada do café O Zé, na Rua do Valigoto, nasce a Rua das Flores


Voltamos a olhar para trás
À esquerda e ao alto da ribanceira, a Rua das Flores. Ao fundo, à esquerda, do outro lado do abrigo da paragem das camionetas, o Lar e Residencial da Misericórdia





Pouco depois de «O Zé», uma das duas cerâmicas do Sarge, desactivada, mas com as estruturas ainda de pé. Vende-se lenha, que se encontra no exterior, junto ao edifício.


À esquerda, aglomerado populacional, visível do lado da UDRC do Sarge. À direita, a UDRC do Sarge.

Edifício Chaminé, em que está implantado o café homónimo
O projecto de arquitectura inspira-se na extinta cerâmica que ali existiu. A chaminé está bem conservada, da base ao topo, e é visitável pela via pública.


Da esquerda para a direita e de cima para baixo: 1 - À esquerda, o mini-mercado de Rosa Nascimento; à direita, O Migalhas 2 - O Migalhas, no rés-do-chão do prédio                                             3 e 4- Café Arco-Íris, no Largo Jaime dos Reis; 5 -  Voltando a olhar para trás, a casa que serviu de sede à UDRC do Sarge, sendo a actual e definitiva a terceira.  6 - À direita, o quintal da segunda sede da UDRC, quase em frente de O Migalhas. Ocupando o espaço central, o edifício Chaminé.










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03-01-2017 - Acrescentadas três imagens de 18-03-2014 e feita pequena alteração a duas legendas

sábado, 24 de dezembro de 2016

SARGE, PAMPILHOS E CACTOS

24 de Dezembro de 2016
De manhã, já não muito cedo, voltei ao forte da Ordasqueira. Nós não inventamos a luz. A luz é-nos dada e há que aproveitar a melhor e a melhor tinha sido nas melhores horas da manhã, as primeiras.
Há anos, visitei pela primeira vez o moinho do Sarge (da velha Luzia) e, subindo ao longo do muro branco da Quinta do Sossego, junto à estrada militar, outro. E continuando umas centenas de metros para os lados da Ordasqueira, novo moinho, este ainda em bom estado e com casa anexa.
No passado dia 19, fui em demanda do forte e encontro-o no lugar do «outro», devidamente assinalado com a placa indicativa habitual, designadora deste tipo de legado histórico. Olhando bem, nota-se um ligeiro levantamento do terreno em que assenta o moinho e olhos já experimentados em visitar variados fortes e redutos ficam convencidos. Afinal, já conhecia o forte da Ordasqueira, sem o saber. Hoje, voltei e avancei até à rede que nos separa da auto-estrada, como se a A 8 não existisse e se pudesse ir em frente a Torres, passando pelo Bairro Arenes, como há duzentos anos. Tomei então o caminho da esquerda, transitável por tractores, descendo na direcção dos Cucos. Uma casa de apoio à faina agrícola chama a atenção e foi ponto de paragem. Está uma ruína, mas mesmo assim conserva a dignidade de quem serviu e é sentinela de tempo ainda não distante em que os campos estavam povoados.
Há hoje um Portugal cinzento que teima em manter-se de pé. Penso também em muros, nas casinhas de abrigo ou guarda de alfaias, aqui e ali, a lembrar o país de Liliput, e em edifícios das aldeias, de diversas dimensões. Em breve deixarão de nos poder alimentar o espírito com a memória viva do que fomos sendo. Penso, por exemplo, no edifício do Casal Cochim, perto de Pero Negro, que nas invasões francesas serviu de quartel-general a Beresford. Pude vê-lo haverá seis meses...
No regresso, escolhi um caminho pela esquerda, a meia encosta, mais abrigado, aproveitando a curva de nível. Alcançado o último trecho bordejando a Quinta do Sossego, um pouco adiante e os nossos passos já pisam o Sarge Velho. Aqui começa a Rua da Escola e lemos o n.º 2 na primeira casa da direita.
Resta fazer especial menção ao trabalho de protecção da auto-estrada, com rede, pedras e pisos largos de cimento com vala para escorrência das águas. E a beleza da paisagem: a eleição hoje vai para os mantos de flores amarelas — pampilhos —, que atapetam o espaço entre as fileiras das vinhas, e os cactos de flores em cachos vermelhos.
Feriu-me a atenção o nome da firma construtora do veículo de lavrar a terra, abandonado junto ao moinho, por parecer um automóvel antigo, neste caso, um automóvel de lavrar. Traz estampado o nome da firma construtora/vendedora

CASA
VON HAFE
PORTO

Procurei descobrir algo e o pequeno resultado obtido pode ver-se no final desta mensagem, depois das fotografias.
Voltaremos.



19-12-2016



Pampilho







Cactos


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A casa von Hafe
Jacob Eduard von Hafe; fundador da casa von Hafe. Descendência no Porto e região do Douro.
Jacob Eduard von Hafe - Hamburgo. Nienstaedt, 19-05-1829 † Porto, 26.07.1908
João Henrique Adolfo von Hafe; filho de Jacob Eduard von Hafe - Porto, 30-05-1855 † Porto, 06-06-1930
Jacob Eduard von Hafe foi continuador do antigo Colégio Alemão na Rua da Torrinha e fundador da Casa von Hafe, que teve as instalações na Rua 31 de Janeiro ou de Santo António. (Daqui, texto colocado a seguir às imagens do monumento ao Infante D. Henrique)