sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Cante Alentejano. Serpa em Paris

        27 de Novembro de 2014, dia em que o cante alentejano foi declarado pela UNESCO Património Cultural Imaterial da Humanidade. Estamos todos contentes.
        Em baixo, além do vídeo, informação consultável, da UNESCO e do Público.


http://www.unesco.org/culture/ich/RL/01007 (ver Identification, Slideshow e Video)

Descrição:

Cante Alentejano is a genre of traditional two-part singing performed by amateur choral groups in southern Portugal, characterized by distinctive melodies, lyrics and vocal styles, and performed without instrumentation. Groups consist of up to thirty singers divided into groups. The ponto, in the lower range, starts the singing, followed by the alto, in the higher range, which duplicates the melody a third or a tenth above, often adding ornaments. The entire choral group then takes over, singing the remaining stanzas in parallel thirds. The alto is the guiding voice heard above the group throughout the song. A vast repertoire of traditional poetry is set to existing or newly created melodies. Lyrics explore both traditional themes such as rural life, nature, love, motherhood and religion, and changes in the cultural and social context. Cante is a fundamental aspect of social life throughout Alentejano communities, permeating social gatherings in both public and private spaces. Transmission occurs principally at choral group rehearsals between older and younger members. For its practitioners and aficionados, cante embodies a strong sense of identity and belonging. It also reinforces dialogue between different generations, genders and individuals from different backgrounds, thereby contributing to social cohesion.
O Cante Alentejano é um género de canto tradicional a duas vozes interpretado por grupos corais amadores no sul de Portugal, caracterizado por melodias, letras e estilos vocais característicos, e sem instrumentação. Os grupos têm até trinta cantores, assim divididos: o ponto, no registo inferior, começa o canto, seguido pelo alto, no registo superior, que reproduz a melodia uma terça ou uma décima acima, muitas vezes acrescentando ornamentos. Todo o grupo coral entra depois em acção, cantando as restantes estrofes em terças paralelas. O alto é a voz guia ouvida por sobre o grupo, ao longo de todo o canto. Um vasto repertório de poesia tradicional é adaptado a melodias existentes ou criadas de novo. As letras exploram não só temas tradicionais, como a vida rural, a natureza, o amor, maternidade e religião, mas também mudanças no contexto cultural e social. O cante é um aspecto fundamental da vida social nas comunidades alentejanas, permeando encontros sociais tanto em espaços públicos como privados. A transmissão ocorre principalmente nos ensaios do grupo coral, entre os membros mais velhos e os mais novos.  Para os praticantes e aficionados, o cante incorpora um forte sentido identitário e de pertença. Reforça, ainda, o diálogo entre diferentes gerações, géneros e indivíduos de diferentes estratos, daí contribuindo para a coesão social.

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-cante-do-alentejo-ja-e-patrimonio-mundial-1677527

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Cante Alentejano, Património Cultural Imaterial da Humanidade

           «Já la vem a bela aurora!...»  e mais..., e mais... se cantou uma vez em Portel (ou numa saída de professores a Alvito), em jantar de convívio (1980/1981). 
No «Gaudeamus» cantámos a «Laranja da China». Eu e o Mário entrávamos bravamente em solo no verso «Ólhá laranja da China». Para mim, difícil, diga-se. Logo o coro nos acompanhava, socorria: «Criada no arvoredo/ Não te ponhas à esquina/Que eu passo e não tenho medo».



Em dia de classificação do cante alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade, ouçamos o Grupo Coral de Cantares de Portel.
           P. S. Notar o casticismo da pronúncia e, concretamente, a maneira popular de dizer a palavra «arvoredo». É dito «alvoredo», pronúncia aberta no «a» e «l», em vez de «r». Manter estas diferenças, é bom. É plural

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Nella Maïssa

  Morreu Nella Maïssa, de quem tinha ouvido entrevista(s) dada(s) a Jorge Rodrigues, no Ritornello da Antena 2. Hoje, a mesma estação dedicou tempo à pianista e ouvimos uma conversa-entrevista dela com Alexandre Delgado. Muito interessante. Tocou obras de compositores portugueses, Domingos Bontempo, em especial.
Nascida em Turim, veio para Portugal, devido à situação que se vivia em Itália, com Mussolini no poder.

A vida dos judeus em Itália era tranquila e eles estavam bem integrados com a população antes da subida de Mussolini ao poder em 1925. Aliás, os problemas de restrições à liberdade só começam mesmo em 1938, altura em que os judeus começam a sentir a necessidade de sair do país devido à aprovação de leis antissemitas em Itália (leis relativas ao casamento; declaração sobre quem devia ser considerado de raça judaica; lei sobre a disciplina do exercício das profissões por parte dos cidadãos de raça judaica; limites impostos à propriedade imobiliária e à actividade industrial e comercial aos cidadãos italianos de raça judaica; exclusão dos elementos judaicos do campo dos espectáculos). «Deixamos de ser gente», afirma Nella Maissa sobre esta situação, «Não podíamos ter propriedades, não podíamos mandar os nossos filhos à escola, não podíamos ter empregadas domésticas católicas, não tínhamos direitos. Qualquer pessoa podia matar-nos, porque nós judeus nem sequer éramos considerados gente. Foi nesta situação horrorosa que decidimos partir de Itália.»
(Ver, aqui, JUDEUS EM PORTUGAL DURANTE A II GUERRA MUNDIAL, - MEMÓRIAS DE UM PARAÍSO EM TEMPO DE GUERRA. Catálogo da exposição, Fundação Calouste Gulbenkian, donde se tira o texto transcrito.)

Portuguesa ou italiana, como se sente?, perguntou Alexandre Delgado. Em três meses, aprendeu a falar português, mas a partir daí a sua maneira de falar não evoluiu, deixando sempre transparecer o passado, a origem e substância complexa do seu ser. Como se falar perfeitamente outra língua extinguisse nela partes de si. Sente-se europeia. Acaba por decidir-se portuguesa. Mas não precisa de se decidir. É Nella Maïssa.
Nota: Escrevo Maïssa, para não ter que estar a dizer como se deve ler o nome. Não devia.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

SAMPAIO BRUNO

José Pereira de Sampaio
Finou-se no Porto o ilustre republicano José Pereira de Sampaio, mais conhecido no mundo das letras pelo pseudonimo de Bruno.
Republicano autêntico, desde os tempos da mocidade, tomou parte na preparação da revolta do 31 de Janeiro, pelo que foi perseguido pelas autoridades da monarquia.
José Pereira de Sampaio era uma das mais lucidas inteligencias da nossa terra e possuia um verdadeiro caracter e uma sã energia moral.
A sua morte foi bastante sentida, sendo a sua figura uma daquelas que se não apagam da historia.
Ultimamente, desgostoso da vida pública, vivia no convivio dos seus livros que eram a maior paixão do seu espirito culto.
Paz á sua memoria.
(D'A VINHA DE TORRES VEDRAS, N.º 1 137, 18 Nov. 1915, p. 1.)

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José Pereira de Sampaio (30 de Novembro de 1857 — 6 de Novembro de 1915). Sobre a sua vida e obra, ver, AQUI.
Publica-se, em jeito de efeméride, esta notícia, publicada no dia de hoje, pel'A Vinha..., embora o falecimento de Bruno tenha ocorrido doze dias antes.
Bruno foi um «portuense ilustre»*; este artigo, na primeira página do jornal dirigido por Júlio Vieira, diz alguma coisa sobre a orientação, a sensibilidade político-social-cultural, humana, enfim, d'A VINHA DE TORRES VEDRAS.
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* Escreveu, entre muitas outras obras, Portuenses Ilustres.

sábado, 15 de novembro de 2014

MEGASTORE

            Dentro da biblioteca, ouvia-se o ensaio...
Saí, para tomar qualquer coisa no Pacar. No regresso, vejo muita gente e um grupo coral, acompanhado de música.
Bela função...
Tratava-se de assinalar a abertura do MEGASTORE, na Avenida 5 de Outubro, mesmo em frente da entrada da Câmara Municipal.
Ainda ouvi a última peça. Cantavam belissimamente, em inglês.

           Fim do interlúdio.

*

           Não percam, no próximo Sábado, 3 excelentes concertos para inauguração da nova loja dos nossos queridos amigos Pax Óptica. 
           Nós lá estaremos.

           (Da página da Camerata Vocal de Torres Vedras, no Facebook, em 12-11-2014.)


16:54


16:54

21:24

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Merenda do Acordeão no EL MANADAS

     
            Foi a última merenda do acordeão deste ano, no dia em que terminaram as festas da cidade.
No EL MANADAS, Torres Vedras, em 11-11-2014, com o acordeonista TINO COSTA, algarvio que está em Torres Vedras há 10 anos. Faz-lhe companhia numa espécie de desgarrada o amigo e amador Hermano, que diz e canta com uma vibração extraordinária. Tino Costa, nesta sessão, de que estes vídeos são um pequeno exemplo, contacta com a assistência, explica pormenores dos instrumentos: a concertina e o acordeão, fala da vida, o amor, a liberdade... Enfim, pessoa muito conhecida e estimada em Torres Vedras. Dividindo-se pelas duas salas do EL MANADAS, cativou os que o ouviram durante pouco mais de 1 hora e 30 minutos. que foi quando me retirei. E ainda lá ficou...
Numa pausa da actuação de Tino Costa, acordeonista, pequena intervenção de publicitação de uma garrafa de branco e outra de tinto, dos vinhos-bandeira da Quinta da Folgorosa. As duas salas de EL MANADAS, restaurante e adega de inspiração tauromáquica, estavam cheias. Tino Costa actuava, ora numa, ora noutra. Vale a pena visitar EL MANADAS, um verdadeiro lugar de culto à festa brava. A decoração, com as pinturas, cartazes, vestes de toureiro, as cores vermelhas nos arcos, portas, pormenores, lembranças, constitui-se num perfeito museu vivo, onde qualquer pessoa mesmo não aficionada se sente à vontade e em ambiente agradável.




Hermano e Tino Costa


Mercado antigo de Torres

        11 de Novembro
        Pelo meio dia, deparo com nova intervenção artística nas ruas de Torres. Há mais, mas foi a primeira que encontrei e vai ser a única a ficar por aqui, embora tenha curiosidade de ver as outras. Este trabalho é de Inês Mourão, sobre fotografia de Ezequiel. O mercado antigo de Torres, no sítio do actual.


Na Foz do Douro


         8 de Novembro
       Já uma vez tinha passado pela Foz. Foi há poucos anos, num autocarro com alunos da Universidade Sénior de Torres Vedras, onde viemos participar no Concurso de Cultura Geral. Atravessada uma das pontes, seguimos pela beira-rio até à Foz do Douro, passando pela Cantareira, terra de Raul Brandão e, por isso, despertando o máximo interesse. Não se parou, metemos pela Avenida da Boavista e parando junto a instalações da Câmara Municipal do Porto, alcandoradas sobre o rio.

       Depois da apresentação do livro de Pedro Baptista, por volta da meia noite, dirigimo-nos ao Hotel da Foz, nome por que é vulgarmente conhecido. Ficam aqui algumas fotos do hotel, para memória. À saída, no pequeno átrio exterior, quisemos registar imagens dos azulejos, que  nos deixaram intrigados. Neste espaço terá havido algum convento? Atrevemo-nos a dar um nome às duas estátuas de prelado, dum e de outro lado da entrada. Bispo, abade, evangelista, quem seria? O traje não parece adequado para S. João Evangelista, mas os anacronismos no vestuário são frequentes, julgo. Na fortaleza, em frente, temos outro S. João (S. João da Foz), mas é o Baptista.

       Como a manhã estava de chuva, dirigimo-nos -- os dois -- ao Passeio Alegre, em cujo quiosque estivemos algum tempo, por mim aproveitado para dar uma volta pelo jardim, mesmo com chuva.

           A visita demorada à Cantareira, a centenas de metros, terá de esperar mais algum tempo.

Uma lembrança

Fotografia tirada do lado do mar, com a devida vénia, do sítio na internet do Hotel Boa-Vista
Na zona central, o hotel, vendo-se a piscina no terraço


Dos dois lados da entrada, provavelmente, estátua de S. João Evangelista
com a águia e o livro (À entrada, do lado direito)


À entrada, do lado esquerdo


Planta Geográfica da Barra do Porto









Perspectiva da entrada da Barra do Porto e Fortaleza que a defende Dedicada ao Ill.mo e Ex.mo Senhor José de Seabra e Silva, Secretario d'Estado de Sua Magestade Fidelissima da Repartição dos Negocios do Reyno                1730

Este azulejo e os seguintes mostram-nos aspectos da vida
 dos frades relacionados com a vida e trabalhos do campo
Teresa os fez, em 1985








Vista do terraço




Forte de S. João Baptista da Foz, mais vulgarmente, S. João da Foz

No pórtico de entrada, lê-se: Câmara Municipal do Porto
Segundo a Sr.ª empregada de mesa do quiosque, o edifício serviu de escola primária

O «quiosque». Chalé Suisso ou Chalé do Carneiro




Jardim do Passeio Alegre

Clube de Minigolfe do Porto, no Passeio Alegre





*

http://www.bcdp.org/v2/images/documentos/s.joaoevang.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_Baptista_da_Foz

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Estive no Porto

Um pouco antes da hora marcada, já estávamos no patamar de entrada da Câmara, talvez encostados ao parapeito, onde nos podemos apoiar e contemplar o desafogo dos Aliados, com o edifício das Cardosas, ao fundo, e mais para trás e por sobre isto, na linha de fuga a ligar ao horizonte, o alto da sé. Pedro Baptista, que reclamou a presença de Nozes Pires, seu condiscípulo e ambos com actividade saliente no movimento estudantil da Universidade do Porto, aparece e cumprimenta-o cordialmente. Gostei do Pedro Baptista e do seu vigoroso aperto de mão.
Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto,  apresentou o autor e o livro, e o mesmo fizeram José Manuel Lopes Cordeiro (historiador), José Queirós (jornalista) e José Sousa Ribeiro (editor). 
Chegou a vez do homenageado (a presença das pessoas, no seu apreço visível fez da sessão uma homenagem) falar um pouco de si e do seu tempo de moço, até ao 25 de Abril de 1974. Devia dizer falar do livro, mas é a mesma coisa. Entre outras coisas  e factos importantes que referiu, deu a certa altura grande destaque a uma pessoa que quis estivesse presente e indicou e nomeou por extenso -- José Augusto Nozes Pires --, não esquecendo neste momento Pedro Pisco e uma terceira de que não fixei o nome. Recordo a figura deste senhor, Pedro Pisco, que esteve junto de nós nos momentos que precederam a entrada no belo átrio da entrada.
Já li passagens do livro, do capítulo onde se narram os acontecimentos de 1968 na Faculdade de Letras, livros lidos pelo autor e seus confrades do curso de Filosofia, convívio e tertúlias em cafés e outros lugares, as aulas de alguns professores, entre eles Ferreira de Almeida, José Penedos e mais algum. Discussões de dialectas — diria — com Pacheco Pereira, então como hoje, muito bibliófilo; o que vieram a ser alguns deles pela vida fora... Nozes Pires, grande orador, e seriedade.
Enquanto as pessoas que tiveram a cargo a apresentação da obra e o próprio autor evocaram a época, o percurso de Pedro Baptista —, o que de maneira geral se pode agora calmamente ler em 
DA FOZ VELHA A'O GRITO DO POVO
A oposição maoista à ditadura
Memórias, [1948 - 1974]

fui ao mesmo tempo observando, procurando decifrar o que via nesta espécie de museu que é o átrio, com as suas coisas permanentes e temporárias: a escadaria para o primeiro piso, as duas grandes telas que delimitam o salão em que nos encontramos, exibindo a marca PORTO, de maneira diferente, um grande ovo de pedra posto no meio do corredor-salão. É uma abóbada celeste, ovo onde cabem todos os mundos, ou simplesmente uma abóbada; por dentro, uma estrela, luz azul ou um planetário; em órbitas sucessivas, planetas, o que quisermos.

Olhando para o cimo, na parte central da sala, a pintura das armas do Porto, com a sua divisa, mais longa que o habitual, dizendo indirectamente da importância desta cidade.  
ANTIGA MUITO NOBRE
SEMPRE LEAL
E INVICTA CIDADE DO PORTO

Entre as duas torres, está representada Nossa Senhora da Vandoma (padroeira principal). Pendente do escudo, o colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, grau oficial, concedida à cidade do Porto, em 26 de Abril de 1919. Na medalha, lê-se
VALOR . LEALDADE .  E .  MÉRITO
*
Houve lugar para troca de impressões com companheiro ocasional, em lugar afastado do epicentro da cerimónia de apresentação do livro. Contou-me que, durante uns bons vinte anos (mais?), o Porto praticamente não tinha vida nocturna; as pessoas não saíam, talvez por receio... Hoje, a partir das onze horas (da noite), começa a «movida». Os Aliados ficam cheios de gente aí nos botecos do lado direito...
Conversa agradável.
Pude comprovar a vida nocturna em vários pontos da cidade.






Estátua do Corregedor Francisco de Almada e Mendonça,
grande urbanista da cidade do Porto








Do átrio, um pequeno corredor conduz a esta janela
Através do vidro, a cidade


É noite nos Aliados
 
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       Tem interesse consultar: